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16 de maio de 2025

Nossa Senhora e os Neandertais

Foto: Modelo do homem Homo neanderthalensis
no Museu de História Natural de Viena, na Áustria -
Autor: Jakub Halun (CC BY-SA 4.0)

Noutro dia, num telefonema, um senhor que conheço bem manifestou certa apreensão com o envelhecimento. Disse que não gostaria de chegar à idade de seus pais - que morreram com 95 e 93 anos -, pra não ser cuidado, ficar dependente e "dar trabalho". Durante a nossa conversa, mencionei pra ele o documentário da Netflix a que estou assistindo: Os Segredos dos Neandertais.

Logo no começo, uma informação me enterneceu: a descoberta de um esqueleto Neandertal numa caverna no Curdistão, o qual estava com um ferimento na cabeça, cego do olho esquerdo, sem parte do braço direito, os dedos dos pés quebrados e... Artrite em um dos joelhos. Em volta dele, outros esqueletos. O que isso revelou aos arqueólogos?

Mostrou-lhes que aquele Neandertal, que morreu há 45 mil anos, de idade relativamente avançada, não foi excluído, deixado de lado, mas abraçado por seu grupo. Como disse uma das especialistas: "Essa descoberta sugeria que poderia haver um elemento de cuidado e compaixão na sociedade Neandertal".

19 de fevereiro de 2014

(Também) fico com o cinema americano

Nosso "mal" é acreditar que a vida tem que copiar a arte.
Em muitas vidas - como na minha - esse não é o caso...

Imagem: Pôster do filme Assim Caminha a Humanidade, 1956
Reprodução-Internet

Se me perguntarem "Em quê a vida mais te marcou?"; eu direi: "Lembro que fiquei esperando...". A vida é uma sucessão de expectativas por coisas sensacionais. E quase todas não se realizam.

Há quem queira me fazer crer, como os depoimentos à revista Marie Claire (seção "Eu, Leitora"), que a própria história é incrível, marcada por reviravoltas e surpresas emocionantes em que tudo se encadeia e se colide, como num estouro de espumante, pra acabar acontecendo tudo o que se queria. Não conheço ninguém, perto de mim, que tenha experimentado realidade tão... Borbulhante.

Na minha vida, e na de muitos ao meu redor, eu me embrenho em ocorrências nada... Fervilhantes. Olho pra direita, olho pra esquerda, olho pra cima e também para baixo e só há feijão, arroz, angu, couve picadinha, costela de porco frita. Talvez, uma farinha. Sempre, pimenta. Nada mais. Nada das trombadas do destino como se costuma ver nos filmes americanos.

Anteontem mesmo, porque abriram o Telecine pra quem não assina, pude ver um filme chamado A Prova, no qual a personagem de Gwyneth Paltrow tromba com a de Jake Gyllenhaal. Resultado: apaixonam-se. O canal TBS reprisa o seriado Sex and the City e a personagem Charlotte se estatela no chão, no meio do asfalto, e quase leva a trombada de um táxi, do qual salta um passageiro moreno, alto, etc., etc., que fica todo condoído com a moça linda no chão. Sim, adivinhou: eles se casam depois.

Pôster do filme A Um Passo da Eternidade, 1953 - Reprodução-Internet

E o que dizer da cena da novela Amor à Vida, recém-terminada na Rede Globo, na qual a personagem Gina, tímida e de baixa altoestima, que só vivia da casa pro botequim e do botequim pra casa (êpa: ela trabalhava no botequim do pai), justo numa das parcas vezes em que sai desses 2 cenários tromba com um carro em marcha a ré, conduzido pelo charmoso José Wilker, "Doutor Herbert". Começam a namorar.

Minha pergunta: por que só no cinema e na TV (ah: e na seção "Eu, Leitora") há esses esbarrões que mudam a vida de alguém? (Só dei exemplos de "encontros amorosos", mas não me refiro somente a eles.) Minha vida inteira eu espero por este instante mágico, no qual alguém topará comigo - PUM! - e mudará o meu destino. Não acontece nada! Nos escorregões que dou, nem mesmo um garçom por perto pra me levantar!... Pensa que desisto? Que nada.

Neste arroz com feijão, angu, couve, etc., etc., eu... Espero. Espero a guinada. A topada de Drummond:

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra

Não há pedras! Há pedregulhos triviais e irritantes, redondos ou quadrados, os quais chuto, dos quais me desvencilho e que tenho que tolerar. E fazê-lo com cuidado, pra não pisar e escorregar (lembre: não há garçom por perto). Neste chão familiar, vou caminhando e seguindo, esperando e recitando os versos de outro brasileiro ladino, Paulo Leminski:

podem ficar com a realidade
esse baixo astral
em que tudo entra pelo cano

eu quero viver de verdade
eu fico com o cinema americano

Boa realidade - borbulhante ou não - pra você também.

Pôster do filme Cantando na Chuva, 1952 - Reprodução-Internet


17 de agosto de 2013

1, 2, 3 e... Já: A CATÓLICA faz 3 anos!


Blog celebra a data refletindo sobre o emblemático número 3
e (imagine só) um programa de TV de sucesso no Brasil: A Fazenda

Imagem de Alvaro-SJC

O Blog A Católica faz aniversário. Três aninhos singelos. Só o começo. (Eu espero.) E, para brincar de pensar - coisa que adoro -, comecei a trazer à tona tudo o que me remete ao número 3. Vejamos...

... Aos 3 anos de idade, pela 1ª vez, segurei um bebê nos braços - é só conferir o Post Para o Menino de Sampa: Tio Dut. Aos 3 anos de idade, aquela que viria a se tornar a minha melhor amiga - vide outro Post do Blog: Minha melhor amiga ficou mais velha - impediu a mim e a minha irmã, Andréa Cristina, então com 9 e 8 anos de idade, de brincar com os brinquedos que ela havia acabado de ganhar de aniversário! Uma pirralha dizendo "Não" a duas crianças maiores!...

Mais números 3: quando se acha "uma lâmpada mágica" e se esfrega a danada bem, bem mesmo, surge "um Gênio" e temos direito a 3 pedidos. Os porquinhos da historinha são 3: o primeiro fez uma casa de palha; o segundo, uma de gravetos e o terceiro, mais trabalhador, uma de tijolos. As fadas da Bela Adormecida, que tentaram reverter o feitiço da fada malvada, eram 3. Você se lembra de mais alguns números 3?

Quando São Longuinho nos ajuda a encontrar algo, temos que dar 3 pulinhos. (Há quem dê 3 gritinhos.) Quando apostamos corrida, dizemos: "É 1, é 2, é 3 e é... Já!". Uma refeição completa é feita de 3 partes: entrada, almoço (ou jantar) e sobremesa. E não posso me esquecer do que me remete ao 3 e de que diariamente me lembro ao fazer o Sinal da Cruz, qual seja, a Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.

Há também Os 3 tenores: Plácido Domingo, José Carreras e Luciano Pavarotti. E Os 3 Patetas do cinema. No pódio olímpico, na Fórmula 1, em qualquer modalidade esportiva, só há lugar para 3 lugares: O primeiro, o segundo e o terceiro. Os demais só recebem pontos ou medalhas de participação. Três, portanto, é um número emblemático. Não digo que melhor do que os outros, porém, especial.

Agora, uma alusão bem atual. Tola, fútil, mas que está "na boca do povo" aqui no Brasil.

Nos anos 1980, havia no meu país 3 supermodelos: Luíza Brunet, Xuxa e Monique Evans. Até hoje elas "estão na mídia", ou seja, são notícia, frequentemente aparecem lindas e bem-vestidas nos noticiários. As 3 tiveram 3 filhas que estão entre a adolescência e a faixa dos 20 e poucos anos de idade. Luíza é mãe de Yasmin Brunet; Xuxa, de Sasha Meneghel e Monique, de Bárbara Evans.

Yasmin e Bárbara são modelos e Sasha, além de posar para fotos e desfilar como elas, também joga vôlei.

Justo Bárbara, na minha opinião a mais bonita e simpática dentre as 3 jovens, acabou por escolher participar de um reality show chamado A Fazenda, que reúne celebridades que estão desempregadas e desesperadas por dinheiro. Nota: sua mãe Monique Evans já havia participado de duas edições anteriores do programa.

A modelo Bárbara Evans - Fotografia de Barbara Evans

29 de julho de 2013

O Papa VERSUS will.i.am e outros artistas Pop


Papa Francisco veio ao Brasil falar de valores que batem de frente com o que
os jovens do mundo são expostos todos os dias nos videoclipes e nas rádios


Imagem: Papa Francisco participa de inauguração do Polo de Atendimento
a Dependentes Químicos do Hospital São Francisco (Rio de Janeiro, BRASIL) -
24-7-2013 - Fotografia de Tomaz Silva/ Agência Brasil


Acabei de assistir ao trechinho de um videoclipe do cantor norte-americano will.i.am com o canadense Justin Bieber. A letra de That Power fala sobre ter dinheiro, roupas caras e poder. Enfim, sobre ser o Nº 1:

will.i.am performs at Vivid Sydney -
Sydney 2012 -
Fotografia de Eva Rinaldi
Me chamam de Will-A
Fico tão tranquilo, estou relaxado
Já ganhei aquele milhão
Estou a caminho daquele bilhão
Eu tinha um cofrinho
Mas agora tenho um banco maior
Quem, quem se importa com o que os invejosos pensam?
Eles me odeiam porque fazemos o que eles não podem

(...)

Fiz isso por causa da minha mãe
Disse a ela quando era mais jovem
Que eu seria aquele número
Um, sim, serei aquele número um
Vou subir mais alto
E alto, alto e mais alto
Fico e compro aquela roupa
Continuo queimando como aquele fogo...

Ultimamente, os canais de TV a cabo também exibem o videoclipe do norte-americano Pitbull que, junto a Christina Aguilera, canta sobre um "castelo dourado", que um dia ele há de conquistar. Até lá, já vive confortavelmente e, assim como will.i.am, veste-se com roupas caras. Eis trechos da letra de Feel This Moment:

International Planet Pit Tour -
Sydney via AllPhones Arena
at Homebush in Sydney's west -
September 2012 -
Fotografia de Eva Rinaldi
Peça dinheiro e ganhe um conselho
Peça um conselho, ganhe dinheiro em dobro...

(...)

Falando ao vivo dos prédios mais altos de Tóquio
Muito longe das coisas difíceis
(...)
Eu a prendi
Pois ela me viu de terno com a gravata vermelha
Christian Gris, prazer em conhecê-la
Mas tempo é dinheiro
A única diferença é que eu sou o dono
Agora vamos parar o tempo e aproveitar este momento

(...)

Eu vejo o futuro, mas vivo o momento
Faz sentido, não?
Agora ganhe dinheiro; quero dizer, bilhões
Sou um gênio; quero dizer, brilhante
As ruas é que lhe ensinaram
E o tornaram o mais esperto, Rick é o rei
Perdi muita coisa, e aprendi muito
Mas ainda não fui vencido, como Shula
Estou longe de ser barato
Quebro empresas com minhas piscadas
Baby, podemos viajar pelo mundo
E posso lhe dar tudo o que você pode ver
Tempo é dinheiro
A única diferença é que eu sou o dono
Como um cronômetro, vamos parar o tempo
E aproveitar este momento, manda ver...

Desde que Madonna entoou Material Girl em 1985, alguns artistas, sobretudo os norte-americanos, em vez de cantar sobre as dores de amor, preferem fazer rimas com tudo o que os dólares podem comprar. E são esses artistas que são admirados e seguidos pela juventude em todo o mundo, a mesma a que o Papa Francisco se dirigiu na última semana aqui no Brasil, ao longo da 28ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Dinheiro.

Na parte final da entrevista exclusiva que o sucessor de São Pedro deu ao repórter Gerson Camarotti da Globo News durante a sua visita ao Brasil, que foi ao ar na noite desse domingo, 28 de julho, no programa Fantástico da Rede Globo de Televisão, ele frisou o que as 3 canções mencionadas acima (That Power, Feel This Moment e Material Girl) indicam: que o mundo inteirinho, infelizmente, está rendido ao dinheiro. Aqui, o trecho que destaquei:

23 de maio de 2013

Joias e... Amantes

Programa do canal Discovery Home & Health
mostra que a imagem da amante
que ganha belas joias

é pura ilusão: tudo o que elas têm
são migalhas da presença de alguém

Imagem: Gold Jewellery - Fotografia de Terabass

Veja que coisa mais idiota: passeávamos o meu filho Jaime Augusto e eu pelos amplos corredores de um shopping center aqui em Belo Horizonte (BRASIL), até que uma escultura, do tamanho de um punho fechado, aparentemente de cristal, exibida na vitrine de uma joalheria, me atraiu: era uma concha aberta, com uma pérola dentro. Desviei o olhar para a direita e vi gargantilhas de brilhantes de diversas cores, colocadas uma ao lado da outra. Logo abaixo, outra fileira, de anéis, tão coloridos quanto as gargantilhas.

E o que aconteceu? Meus olhos marejaram...

Já ouvi falar de gente que chora diante de um pôr do sol, de uma orquídea rara, de um filhote de passarinho que caiu do ninho e agonizou no asfalto... Agora, chorar diante de uma vitrine de joalheria?!?

Só entendi o que aconteceu comigo, quando um pensamento me veio, na medida em que continuava a seguir pelos corredores largos do shopping center: "A mulher que ganhar uma daquelas gargantilhas, ou um daqueles anéis, deve ser mesmo muito especial...". Ao chegar em casa e comentar o fato com o meu marido Farney, ele me disse: "Ana Paula, homem só dá joias assim quando quer... Você sabe...".

Será?

Tempos atrás, uma conhecida minha me disse que homem quando entra em joalheria é para comprar joias para a amante. Será?

Tenho acompanhado, sempre que posso, um programa novo do canal de TV a cabo Discovery Home & Health: chama-se A Outra. Trata-se de um reality show no qual a apresentadora, uma linda mulher de olhos claros e cabelos bem curtos e loiros, ajuda outras mulheres que há anos (eu escrevi há anos) são amantes de homens casados, que lhes prometeram deixar a esposa para se unirem a elas.

O roteiro é o mesmo, não importa a idade nem o grau de beleza da amante: a apresentadora faz as mesmas perguntas a cada uma delas, incluindo esta, que mais me chamou a atenção: "Que presentes ele já te deu?". Seria a grande hora de se exporem as joias, certo? Afinal, como aquela conhecida minha me disse certa vez, quando se vê um homem dentro de uma joalheria, pode saber que as compras são para a amante...

28 de janeiro de 2013

Dona Zé e os 231 jovens que morreram no Sul do Brasil

Ao contrário da senhora de 72 anos, 4 meses e 15 dias,
os estudantes que partiram devido à tragédia em boate no Brasil
não aprenderão as lições que só o passar dos anos nos traz

(Imagem: fotografia de George Hodan)

Achei que eu iria embora pra casa tão logo a missa terminasse. Não foi bem assim. O padre (cujo nome não sei) pediu que nos assentássemos, porque seria feita uma homenagem. Lá na frente uma mulher, que me pareceu nova, começou a ler um texto tão bem redigido, tão cheio de palavras precisas, que até mesmo as crianças ficaram quietinhas, esperando que ela terminasse. Não reclamaram.

O texto era sobre a sogra dela, que havia falecido aos 72 anos, quatro meses e 15 dias de vida. Tinha um monte de apelidos. Memorizei um: "Dona Zé". Assim mesmo, no masculino.

A nora, cujo nome também não sei, descreveu a personalidade de Dona Zé: "Para ela, era oito e oitenta. Em todas as áreas de sua vida, detestava o 'mais ou menos'"; contou que a lasanha da sogra era "deliciosa" e que se desentendiam em alguns aspectos, sobretudo na pontualidade: "Eu chegava a um compromisso uma hora e dez; ela queria que eu chegasse [faltando] dez pra hora...". Gostei desse jogo de palavras.

Emocionada, continuou: "Ela pedia pra não ser importunada depois das 20 horas, mas estava a postos pra todo mundo, a hora que fosse; gostava de sua casa, porém arrumava qualquer pretexto pra dar uma saída; estava idosa, contudo se sentia com energia suficiente para se inscrever no coral da igreja e cantar no meio dos jovens, dos adolescentes. Eu a respeitava pelo simples fato de ser a mãe do meu marido e avó dos meus três filhos, mas passei a amá-la: foi uma sogra e tanto, que me defendia como uma tigresa".

Ao final da leitura, muitos na igreja choraram e a nora foi aplaudida de pé. Eu fui uma dos que se levantaram entusiasmados e cantaram junto ao coral: "Nossa Senhora, me dê a mão... Cuida do meu coração. Da minha vida... Do meu destino... Do meu caminho... Cuida de mim" - melodia famosa na voz do ídolo Roberto Carlos.

Na madrugada desse domingo, cerca de 230 jovens*, a maioria na faixa dos 20 anos de idade, foram fazer companhia à "Dona Zé".

29 de novembro de 2012

Escritora viciada em jogo perde (quase) tudo

Assistir ao Intervenção do canal A&E
e ler Diário de uma (ex-) JOGADORA
me fizeram ver que minha cruz é de isopor. E a sua?


(Fotografia de Abbey Hendrickson)

Eu tenho TV a cabo. Você tem? É claro que meu marido Farney e eu não temos todos os (bons) canais, porém, de vez em quando, certamente para conquistar mais clientes para a maioria dos canais, a NET - empresa que contratamos - disponibiliza um, dois, três ou até cinco que não assinamos. É uma ótima oportunidade de assistir a programas interessantes como Intervenção, exibido nas noites de quartas-feiras pelo A&E.

Como explico na página About deste Blog, gosto muito de observar o comportamento dos seres humanos. Não tem gente que gosta de árvores, de orquídeas, de peixes, de discos? Eu gosto de livros e de gente. Ver como as pessoas ao meu redor (ou nem tão ao meu redor assim) e eu mesma nos comportamos frente aos momentos felizes ou trágicos me fascina. Reuniões de família são um prato cheio para mim. Admito.

Sim. Intervenção não deixa de ser um reality show. Contudo, há duas grandes diferenças: 1ª) não é um reality "novela", que faz com que o telespectador tenha que acompanhar o desenrolar do programa por dois ou três meses, para ver no que vai dar e 2ª) não há um prêmio espetacular em dinheiro. O máximo que o principal participante do Intervenção recebe é a oportunidade de se internar em uma boa clínica, a fim de "se livrar" de algum vício: cocaína, crack, álcool...

Ah: acho que não expliquei direito.

Intervenção é um programa de uma hora de duração que exibe a vida de uma pessoa viciada em alguma droga, incluindo a vida daqueles que convivem com ela e têm que lidar com a sua doença: pais, filhos, esposa, marido, namorada... Há histórias que aconteceram nos Estados Unidos e até mesmo aqui no Brasil. É muito forte, porque mostra a pessoa se drogando. Cheirando pó, encharcando-se de bebida alcoólica... E os parentes chorando, rezando, sofrendo muito.

18 de abril de 2012

A Sessão da Tarde e o aborto de anencéfalos

Um filme exibido na Rede Globo tem muito a ver
com as mulheres que optam por abortar
um feto sem partes do cérebro


(Imagem de Raoli)


Sou do tempo em que a Sessão da Tarde da Rede Globo de Televisão passava filmes decentes. Digo: dignos de serem vistos. Pela minha mente perfilam-se os longas do maravilhoso comediante Jerry Lewis; dos Três Patetas; aqueles dos anos 1970 sobre acampamentos juvenis e relação pais e filhos; aqueles dos anos 1980 sobre cursos de verão e temáticas mais dramáticas como Só Resta uma Esperança (título que ganhou no Brasil), com o então jovem e gatíssimo Mark Harmon.

Pois um desses filmes de drama, do tempo em que a Rede Globo não tinha medo de pôr qualidade no conteúdo que nos oferecia à tarde, me veio hoje assim... Meio do nada. (Será?)

Não me lembro do título, nem dos atores. Só guardei o roteiro e - talvez - o nome da personagem principal: Izobel. Tratava-se da história de uma mulher de cerca de 40 anos de idade, divorciada, que reencontra o amor num homem cerca de dez anos mais moço. No final do filme - cena que mais me marcou -, o rapaz pichava no muro que dava para um túnel: "Izobel, eu te amo". Em letras pretas e garrafais.

O longa não discorria sobre uma história de amor água com açúcar (como dizemos aqui no Brasil). O cerne do roteiro abordava um drama (eu falei de "temática dramática", lembra?).

Izobel era uma mulher bonita, interessante, culta... Porém, não acreditava em si. Padecia - embora de jeito algum aparentasse isto - de falta de autoestima. Costumava pintar quadros, mas os anos de casada levaram-na, pouco a pouco, a abandonar a vocação. Há um momento no filme - e disto me recordo bem - em que ela resolve mostrar suas obras antigas para o novo namorado. Ele se surpreende, se entusiasma e a elogia: "Izobel, você é boa! Você é muito boa! Você é ótima! Você tem que voltar a pintar! Você tem que retomar!".

Izobel apela, xinga o namorado, diz que ele está "mentindo". Eles brigam. Até se separam.

Procurando entender a reação irada da amada, o jovem acaba descobrindo que seu ex-marido, na época em que ainda era casada, acabou com toda a confiança que ela tinha no próprio talento. Também se não me falha a memória, há uma cena na qual Izobel, em prantos, diz: "Eu sou ruim. Eu sou ruim. Ele [seu ex-marido] tinha razão. Eu não pinto bem...".

15 de dezembro de 2011

E as águas estão rolando em BH (e como)

Chove sem parar há cerca de 4 dias na cidade que amo, aqui no Brasil.
Neste Post d'A Católica, uma síntese do que ocorre e
um reflexo do meu estado de espírito

(Fotografia de Ana Paula~A Católica - acatolica.blogspot.com)

Nasci e vivo numa cidade que há poucos dias completou 114 anos de criação. Eu amo Belo Horizonte - ou Belô, ou BH, como carinhosamente a chamamos. Amo.

Tenho orgulho de aqui ser o berço do Clube da Esquina (cuja estrela mais reluzente é o cantor e compositor Milton Nascimento); da banda pop Skank; do grupo de dança contemporânea Corpo e do grupo de teatro Galpão. Estamos cercados pela Serra do Curral, comemos pão de queijo, bolo de fubá, feijão tropeiro e couve picadinha e jogamos conversa fora no boteco. Adoro tudo isso.

Acontece que, de quatro dias para cá, a cidade que avisto da minha janela lateral e que vejo nos noticiários na televisão está um tanto irreconhecível: não para de chover. Com isso, a paisagem azul, iluminada e verde está branca e cinza; as pistas onde os automóveis, caminhões, ônibus e micro-ônibus transitam estão alagadas; os canteiros e passeios, amarronzados ou cor de caramelo - é a lama, é a lama, é a lama.

Aqui no Brasil, tem um hino do folclore popular que o povo nordestino costuma entoar, pedindo chuva a São José:

Glorioso São José
Glorioso São José
Dai-nos chuva em abundância
Glorioso São José.

Hoje, posso afirmar: nada em abundância é legal. E isso inclui a chuva.

A água que cai do céu nesses últimos dias aqui em BH é tanta, é tamanha, que confesso a você: estou profundamente irritada. As enchentes que se formaram, alagando vias como as avenidas Antônio Carlos e Cristiano Machado; asfaltos que afundaram e se romperam, ameaçando prédios, como no Bairro Gutierrez; encostas que deslizaram e interditaram túneis, como na BR 356, em frente ao Ponteio Lar Shopping...

... Assistir pela TV ao desespero dos belo-horizontinos é angustiante.

10 de dezembro de 2011

Quando agimos como... Criancinhas!


Neste Post d'A Católica, confira 10 atitudes nossas
que ecoam a pior faceta da criança que todos fomos!

Imagem: Cartoon Boy and Girl (1913),
Pub by Lowman & Hanford Co Seattle Wash

Mudando de canal nesta semana, me deparei com a seguinte legenda sob a tela da TV: Sociedade Infantilizada. Era o tema do programa Trocando Ideias, da TV Canção Nova, exibido ao vivo nesse 6 de dezembro. Infelizmente não pude acompanhá-lo: estava cansada e fui dormir mais cedo. Mas o sono não me impediu de matutar o assunto em pauta e já na cama levantei os pontos em que muitos de nós somos... Infantis.

"Deixai vir a mim os pequequinos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. Em verdade vos digo: todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará." (Mc 10, 14-15; Lc 18, 16-17; Mt 19, 14)

Quando Jesus explica isso a seus discípulos, à primeira lida poderíamos pensar que ser infantil é uma qualidade e tanta! Porém, notas como as que constam nas traduções da Bíblia pela editora Ave-Maria e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nos esclarecem as palavras do Mestre:

Receber o Reino significa receber Cristo, o Evangelho, a graça. Urge recebê-lo com a simplicidade de uma criança para que se possa entrar nele.

Esta é a característica que a Igreja ressalta nas criancinhas (ou pequeninos) e que todos devemos rememorar e copiar: a simplicidade.

É bom recorrer ao dicionário, a fim de ir a fundo e compreender o significado das palavras. De acordo com o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, entre outras coisas, Ser Simples é ser:
1) Sem ornatos nem enfeites, ou seja, Modesto; Sem luxo,
2) De fácil interpretação,
3) Puro; claro,
4) Singelo; inocente e
5) Crédulo.

Todos essas virtudes, que felizmente ainda identificamos em muitas crianças, compõem a simplicidade que Jesus espera encontrar em nós. Nossa grande luta deve ser voltar a incorporá-la ao nosso caráter, ao nosso modo de ser, de sentir e de nos portar no mundo, para que alcancemos o Reino dos céus.

Acontece que o termo infantil implica aquilo que é "próprio de criança". E "próprio de criança" não é somente a simplicidade, e sim uma série de outros atributos, digamos, um tanto negativos... Engraçado: em vez de mantermos em nós a simplicidade da criança, preferimos levar pela vida afora todos esses outros atributos! É uma baita ironia: conservamos na vida adulta "o pior" de uma criança, e não o melhor.

Este Post d'A Católica, portanto, pretende elencar dez características infantis que tornam muitos de nós e consequentemente a sociedade na qual vivemos Infantilizados. Assim,

Como as Crianças....


14 de novembro de 2011

O jantar dos bichinhos e o sentido da vida

A morte faz parte da vida e lhe dá sentido.
Nossa meta deveria ser acertar de primeira, em vez de
fazer a maioria das coisas com má vontade

(Imagem de David Wagner)

Nunca vou me esquecer daquele dia em que Mamãe Gali fez a minha irmã Andréa Cristina voltar pelo menos 4 vezes à padaria. Nós fazíamos um revezamento: num dia era a minha vez de ir; no outro, era a vez dela. Estávamos as duas entrando na pré-adolescência, naquela fase em que nosso corpo muda e tudo - absolutamente tudo - é motivo de vergonha. Principalmente andar na rua sozinha, com as pessoas nos olhando.

Naquele dia, Andréa Cristina estava "um poço de má vontade"... Chegou em casa com a quantidade errada de pães e sem o leite. Mamãe Gali a obrigou a retornar. Número 1. Depois, ela chegou com a quantidade certa de pães, mas se esqueceu do leite (de novo). Teve que voltar. Número 2. Em seguida, chegou em casa com o leite, mas a moça do caixa lhe deu o troco errado. Lá foi ela outra vez. Número 3. Por fim, ela tornou a não conferir o troco que a tal moça lhe deu. Meia volta para a padaria. Número 4.

A essa altura, meu estômago doía de tanto dar risada da cara da minha irmã, que era de pura desolação: morávamos no terceiro andar e ela subiu e desceu aquelas escadas zilhões de vezes!... Sem contar a vergonha ante os funcionários da padaria! Minha mãe só repetia o dito popular: "Preguiçoso trabalha mais". Pura verdade.

Algumas (ou muitas) vezes, temos uma tremenda falta de cuidado em fazer as coisas bem logo na primeira vez. Ou logo "de prima" - como na gíria do meu primo Carlos William, o Cacá. Damos muita moral à displicência. Uma coisa é errar querendo acertar. Outra bastante diferente é errar por desleixo, falta de concentração, preguiça mesmo.

Pensei nisso tudo depois de assistir no dia 5 de novembro ao programa Questões de Fé, da TV Horizonte.

Naquele sábado, o apresentador Padre José Cândido (da Paróquia São Sebastião, aqui de Belo Horizonte, no Brasil) refletia sobre o feriado de Finados* e afirmava que a função da morte é dar um sentido para a vida. De acordo com o pároco, a finitude dela nos oferece um foco, nos leva a reunir as nossas forças para atingir uma meta. Senão, viveríamos "de qualquer jeito", já que a nossa existência "não acabaria nunca"...

24 de outubro de 2011

Vamos falar de homens, grosseria e personalidade?

Gritar, ser rude e agredir não tem nada a ver com "personalidade forte".
Aqui, você reflete comigo sobre (alguns) homens e crianças malcriadas


(Fotografia de Vera Kratochvil)

Um dos meus programas favoritos na TV chama-se America's Next Top Model. É um reality show (mais um) sobre 14 modelos selecionadas por uma equipe para viverem juntas em uma casa. Ao longo da temporada, elas realizam cerca de 14 provas, que eliminam - uma a uma - as que tiverem o pior desempenho, até que reste uma única modelo, que receberá o título que dá nome à atração, algo como: "A Próxima Top Model Norte-Americana".

Se não conhece o programa - ou se o conhece bem - deve estar desapontado por uma pessoa religiosa, que se diz católica, interessar-se por algo aparentemente tão bobo, tão fútil, perdendo o seu tempo diante da TV. Acontece, internauta d'A Católica, que temporada após temporada - a atração é exibida por um canal de TV a cabo -, eu me divirto à beça observando como a vencedora é, geralmente, aquela que a maioria das garotas desprezam.

A mais feia, a mais alta, a mais desengonçada, a socialmente mais calada e desinteressante, que prefere ficar isolada num canto, costuma fazer fotos belíssimas. Justo ela tem um dom para ser fotografada, o qual se mostra apenas diante das câmeras e especialmente depois que as poses são reveladas diante dos jurados.

É engraçado que, temporada após temporada, os jurados - encabeçados pela também modelo e criadora do programa, Tyra Banks - cobram das candidatas "personalidade". "Você está bem nessa foto, mas falta... Personalidade!", dizem até mesmo para aquelas que acabam se tornando vencedoras. É angustiante mirar a cara linda das candidatas contorcendo-se para tentar captar o conselho: "Personalidade? Como? Quer dizer que 'eu não sou eu'?...".

Mais engraçado ainda é ver os mesmos jurados, que cobram das moças lindas "personalidade nas fotos", mandarem de volta para casa justamente aquelas concorrentes cheias de... Personalidade! Num dos episódios a que assisti, Tyra Banks diz a uma moça negra, fotogênica e super-simpática: "Você tem 'personalidade demais'. É perfeita para uma carreira de cantora ou de atriz, não de modelo. Tchau e... Boa Sorte!". Vá entender, internauta!...

Personalidade, de acordo com o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, é "caráter ou qualidades próprias da pessoa"; "individualidade consciente". Se nos detivermos no primeiro significado, todo mundo tem personalidade - por mais que, às vezes, ela pareça apagadinha... Todavia, vamos no deter no segundo sentido, porque nem todo mundo tem consciência da sua individualidade (embora alguns se achem conscientes dela).

No mundo em que vivemos, confunde-se muito gritaria, grosseria e violência com "personalidade".

4 de outubro de 2011

Refletindo a partir de Janis Joplin

Nos achamos "melhores" do que viciados em drogas, como a
artista norte-americana era. Contudo, será que não temos
fraquezas de caráter bem mais graves do que a dela?


(Pintura a óleo atribuída a Pappi - Fotografia de Patrick Pearse)

Dia desses, meu marido e eu assistimos a um dos episódios do programa "As Últimas Horas de..." na TV a cabo. O objetivo é apresentar ao telespectador o que testemunhas (amigos, parentes, assessores), a polícia e médicos contaram sobre os últimos momentos da vida de personalidades das artes e da política. O episódio a que me refiro é o que tratou da norte-americana Janis Joplin (1943-1970).

Você, provavelmente, já ouviu falar da "cantora branca de voz negra", que entoava rock e blues como poucos. Janis imortalizou músicas como: Cry Baby, Summertime (a minha favorita) e Mercedes Benz. Ela deixou este mundo num dia 4 de outubro.

"As Últimas Horas" mostrou como a artista não se encaixava nas normas de "boa menina", como enfrentou preconceitos de que era uma "mulher feia" e como decidiu lidar com suas inseguranças através do álcool e, mais tarde, das drogas - a exemplo da heroína. Embora acreditasse que driblou o vício, acabou sucumbindo a uma overdose durante as gravações de seu LP (o antecessor do CD) Pearl - aclamado pela crítica.

Quando assisto a documentários como esse, quando leio nas revistas o que ocorreu com outra grande artista, também considerada uma "cantora branca de voz negra", a adorável inglesa Amy Winehouse (1983-2011), não sinto desprezo nem pena. E sim, uma grande (enorme) solidariedade. Não vejo essas pessoas viciadas em drogas "lá longe", distantes da minha realidade, dignas de condenação: eu me identifico com elas.

Aliás, não identifico apenas a minha pessoa, a minha trajetória. Pra ser sincera com você, um monte de gente, e falo de gente acima dos 60 anos de idade, vejo travestida de Janis Joplin e de Amy Winehouse. Só que seus vícios são outros. E, o que é pior: por estarem camuflados, por não se materializarem como o pó branco da cocaína, o copo com cachaça ou o maço de cigarro, são ainda mais difíceis de vencer.

29 de agosto de 2011

Duas reportagens que me chocaram

Duas jornalistas trazem à tona discussões sobre a ÉTICA:
na primeira, mães decidem matar um dos filhos;
na segunda,
um engenheiro vende trabalhos plagiados a terceiros

(Fotografia de Petr Kratochvil)

Sempre tive dificuldade de escolher. Quando meus pais me diziam "Só tem dinheiro para um. Decida-se", eu entrava em pânico. Queria os dois ou os três. Queria tudo. Quando comecei a trabalhar e a ter o meu dinheiro, se gostava de um artista, não queria apenas o seu mais recente CD, mas todos os que ele lançou. Eu dava cheque pré-datado, dividia de mil vezes e levava tudo o que houvesse. Porque era impossível (para mim) ficar com um só. Porque para coisas bonitas, como a arte, sou partidária do "quanto mais, melhor".

Ontem, folheando a revista Época desta semana (29 de agosto de 2011 - Nº 693), descobri algo que me desconcertou. Há pessoas neste mundo bem diferentes de mim: elas têm habilidade e precisão para escolher. Para elas, ainda que se diga respeito não a objetos, e sim a algo valioso e bonito como A Vida, "quanto menos, melhor".

O que quero dizer é: de acordo com a reportagem Destruição assistida, da jornalista Cristiane Segatto, há pessoas neste mundo que optam por qual dos dois fetos, dentro de uma barriga, durante uma gravidez, deve sobreviver. Isso mesmo que você leu. Por razões sobretudo econômicas, a mãe dá cabo do outro, esteja ele se desenvolvendo saudavelmente ou não, através de um processo denominado "meio aborto".

É difícil nos dias de hoje sabermos de algo que realmente nos choque. É que a banalização da violência, da corrupção, da impunidade, da vulgaridade, da falta de respeito e da imoralidade é tanta, que temos a sensação de "já ter visto de tudo". É raro conhecer algo e chegar à conclusão: "Nossa. Agora fiquei sem chão". Pois foi essa a reação que tive, internauta d'A Católica, ao terminar de ler a matéria da revista.

Dois trechos, particularmente, me abalaram. Em um, a jornalista descreve o procedimento do "meio aborto" (atenção, as linhas a seguir são fortes):

A redução embrionária é feita na 12ª semana de gestação. Quando os dois embriões* parecem saudáveis, a escolha é aleatória. Com a ajuda do ultrassom, o médico localiza o embrião de mais fácil acesso e injeta cloreto de potássio na região que parece pulsar. O objetivo é atingir o coração. A morte é instantânea.

2 de maio de 2011

Obama pega Osama

Depois de quase uma década, o criminoso mais procurado no mundo
é encontrado... E morto. A euforia nas ruas nos EUA é compreensível, mas
destoa dos enormes desafios que nos aguardam (a todos) na luta contra o terror

Imagem de J. Howard Miller - Artist employed by Westinghouse,
poster used by the War Production Co-ordinating Committee (1942)

Me lembro bem daquele 11 de setembro de 2001. Eu havia acordado (eram cerca de 9h30 da manhã) e colocado na bandeja de alumínio colorida: pão, broa de fubá, talvez alguns biscoitos recheados e leite com Nescau - ou seria café com leite? Sentei no sofá do quarto de televisão, peguei o controle e liguei a TV. Parei na Rede Globo. A imagem estava "congelada" em um enorme edifício escuro, de onde saía fumaça preta. Atrás, o céu muito claro, quase branco.

Mordi o pão. Tomei o leite. "Que lugar é esse?"; "Por que a Rede Globo está mostrando isso?". Ouvi a voz simpática do excelente jornalista Carlos Nascimento (que atualmente trabalha em outra emissora, o SBT). Ele explicava que aquele edifício, de onde a fumaça preta saía, ficava em Nova York, nos Estados Unidos. Não recordo o que mais ele falou. Segui acompanhando a transmissão. E comendo.

Olhei para a bandeja, a fim de pegar um pedaço de broa. Ou um biscoito. Então, rapidamente, meus olhos se desviaram de novo para a TV, quando ouvi a voz um tanto aflita de Carlos Nascimento: "Outro avião. Olhem lá, outro avião! O que é isso??... Ele está muito baixo! Vai bater no outro prédio, vai bater...".

Foi assim, internauta d'A Católica, que assisti ao vivo ao segundo avião sequestrado por terroristas ligados à rede Al-Qaeda chocar-se contra a segunda das Torres Gêmeas do World Trade Center - até então, os maiores arranha-céus da cidade de Nova York: teriam 110 andares e cerca de 415 metros de altura cada um.

Naquela mesma manhã, um terceiro avião, também tomado por terroristas, atingiu o Pentágono - que abriga o Departamento de Defesa do governo norte-americano -, no Condado de Arlington. No total, conforme o portal de notícias G1, 2.973 pessoas morreram nos ataques naquele dia inesquecível - três delas eram brasileiros. Nos dias que decorreram, um nome seria pronunciado à exaustão: o de Osama Bin Laden.

29 de abril de 2011

Lembrando Diana - a rosa da Inglaterra

O Casamento de William e Kate me fez pensar na Grande Ausência
da mãe do herdeiro do trono britânico: Princesa Diana.
Relembre as circunstâncias de sua morte e confira um editorial

Fotografia de Vojko Kalan

Dizem que cerca de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo se postaram em frente à TV, a fim de assistir, nesta sexta-feira, ao casamento do Príncipe William - que (conforme a imprensa) recebeu da avó, a Rainha Elizabeth II do Reino Unido da Grã-Bretanha, o título de Duque de Cambridge - com Kate, que se tornou Duquesa Catherine. Eu fui uma delas. Uma dos 2 bilhões de telespectadores.

A cerimônia na Abadia de Westminster, da Igreja Anglicana, que fica em Londres (Inglaterra), foi belíssima. Destaco duas coisas: as tomadas de câmera, que começavam lá do alto e sobrevoavam os chapéus coloridos das elegantes convidadas (nobres ou não), e também o coral de meninos, que entoou várias canções as quais, mesmo sem entender nadinha dos versos, me emocionaram. O irmão da noiva, James Middleton, leu trechos de uma das epístolas de São Paulo, a Carta aos Romanos. Alguns versículos:

"Que vossa caridade não seja fingida. Aborrecei o mal, apegai-vos solidamente ao bem. Amai-vos mutuamente com afeição terna e fraternal. Adiantai-vos em honrar uns aos outros. Não relaxeis o vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor. Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração. Socorrei às necessidades dos fiéis. Esmerai-vos na prática da hospitalidade.

Abençoai os que vos perseguem; abençoai-os, e não os praguejeis. Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram. Vivei em boa harmonia uns com os outros. Não vos deixeis levar pelo gosto das grandezas; afeiçoai-vos com as coisas modestas. Não sejais sábios aos vossos próprios olhos.

Não pagueis a ninguém o mal com o mal. Aplicai-vos a fazer o bem diante de todos os homens. Se for possível, quanto depender de vós, vivei em paz com todos os homens. Não vos vingueis uns aos outros, caríssimos, mas deixai agir a ira de Deus, porque está escrito: A mim a vingança; a mim exercer a justiça, diz o Senhor.

Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber. Procedendo assim, amontoarás carvões em brasa sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem" (Rm 12, 9-21).

Analistas disseram na TV que se trata de um texto religioso com forte mensagem política, adequada para um mundo globalizado e multiculturalista, urgentemente necessitado de respeito mútuo, entendimento e tolerância quanto o que vivemos.

Porém, este Post d'A Católica é para "chorar", digamos assim, uma ausência sentida no evento desta sexta-feira: a da Princesa Diana, mãe do Príncipe William, recém-convertido em Duque de Cambridge. Revirando anotações antigas, encontrei um editorial que escrevi para o Jornal Mural exibido na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich-UFMG), onde estudei Comunicação Social-Jornalismo.

Diana morreu aos 36 anos de idade na madrugada de 31 de agosto de 1997. Sua agonia, que durou cerca de três horas, começou em um túnel próximo ao rio Sena, em Paris (França).

13 de abril de 2011

Você tem a noção de onde está? E para onde vai?

A distração "embaça" o momento presente e nos faz assistir à missa
ou levar a vida em "um mundo paralelo", sem desfrutar do Aqui e Agora.
As consequências de viver distraído, você lê neste Post d'A Católica

Girl with a Book - 19th century - Almeida Júnior

Assisti na TV a um vídeo muito engraçado de uma mulher caindo na água, no meio de um shopping center. Conforme a reportagem da Globo News, que foi ao ar na manhã dessa terça-feira, dia 12 de abril, o incidente ocorreu no estado da Pensilvânia (EUA). O portal G1 relata que foi em Berkshire (Inglaterra). As câmeras de segurança do estabelecimento filmaram-na distraída, andando de celular em punho, quando sem perceber... Tchbum! Caiu de roupa, bolsa e tudo em uma fonte no meio do corredor.

Às vezes, a distração resulta apenas em ter a cabeça, os pés e os documentos encharcados - nada além disso. Noutras, seus danos são bem maiores.

Coincidentemente, para o mesmo dia em que a reportagem sobre o "mergulho no shopping" foi ao ar, o canal de TV a cabo Sony anunciou a estreia de uma nova série: Body of Proof. Segundo a chamada nos intervalos comerciais, trata-se da história de uma cirurgiã bem-sucedida, que se viu obrigada a "mudar de carreira" depois de se envolver em um gravíssimo acidente no trânsito: um caminhão se chocou com o seu carro, porque ela estava (adivinhe) distraída, conversando ao celular.

A reportagem jornalística e a série de ficção me levaram a pensar sobre a distração. DISTRAÇÃO. De acordo com o dicionário, a palavra tem dois grandes significados: 1º) divertimento, recreio e 2º) falta de atenção. Neste Post d'A Católica, vou me deter no segundo sentido, que pode ser sintetizado assim: "Distração é estar em um outro lugar, que não é o 'aqui e agora'".

9 de abril de 2011

Uma crítica à fala de Arnaldo Jabor

Comentarista de telejornal no Brasil defende que tragédia
em escola no Rio prova que "Deus está ausente".
Ele põe a culpa pelo massacre na religião

Creation of Adam (detalhe), 1510 - Michelangelo Buonarroti

Internauta d'A Católica: agora, neste momento em que começo a digitar este Post do Blog, são 00h47. Há cerca de cinco (isto mesmo: cinco) minutos, o comentarista do Jornal da Globo, Arnaldo Jabor, acabou de afirmar que o crime que o rapaz de 23 anos cometeu na escola no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, foi "religioso" e que a tragédia prova que "Deus está ausente".

Estou estupefacta por sua opinião, porque (caso você não saiba) Arnaldo Jabor é uma personalidade, digamos, respeitada no Brasil, cineasta famoso, etc., que costuma comentar fatos da atualidade no Jornal da Globo, que vai ao ar por volta da meia-noite na maior emissora de TV do meu país.

Engraçado que, mais cedo, em torno das 13h30, o professor Mário Sérgio Cortella foi a outro telejornal da mesma emissora, o Jornal Hoje, asseverar justamente o contrário: que é imprescindível sim, pesquisar e localizar uma causa, uma razão para o que ocorreu, mas que agora seria insensato e não recomendável apontar, isoladamente, este ou aquele motivo: "Ah, a culpa foi da religião" ou "Ah, a culpa foi da Internet".

Que diferença! Duas opiniões contrastantes no mesmo dia, digo, no mesmo espaço de 24 horas, na mesmíssima emissora de televisão.

Tive pena de Arnaldo Jabor. Nada, absolutamente nada contra ele ter uma opinião: afinal, a Rede Globo o paga (ou deve pagá-lo) para isso. Para se pôr diante das câmeras, filmado da barriga pra cima, para gesticular com seu terno escuro e sua gravata colorida as suas impressões aparentemente "sensatas" para milhares de telespectadores.

Porém, hoje, notei-o mais alterado do que de costume.

Parece que ele aproveitou o ensejo da carta suicida do rapaz, que menciona Deus e Jesus Cristo, para exibir toda a sua aversão à religiosidade e à fé na existência de Deus. Arnaldo Jabor se afigurava a qualquer coisa, menos a uma pessoa ponderada fazendo colocações fundadas em argumentos inteligentes. Falou destemperadamente como se (eu disse "como se") quisesse convencer o telespectador de que quem acredita em Deus é tão estúpido quanto o jovem atirador.

O comentarista/cineasta terminou insinuando que o massacre na escola - que vitimou fatalmente 12 pré-adolescentes e deixou outros 13 feridos - é prova contundente de que Deus não existe. "Ele está ausente", garantiu.

Não vou escrever este Post como se "conversasse" com Arnaldo Jabor. Sua posição inflamada me convenceu de que ele não estaria aberto a um diálogo. A mim, e acho que não estou enganada, ficou claro que ele não acredita em Deus. E ponto. Portanto, vou falar com você: meu importante e estimado internauta. A chacina na escola no Rio teve momentos decisivos que mostraram, ou melhor, que berraram que Deus estava presente sim.

7 de abril de 2011

O crime na escola do Realengo - Rio

Pela primeira vez na história do Brasil, alguém invade uma escola
para cometer um massacre contra crianças em salas de aula

Fotografia de Petr Kratochvil

Sei de cor o nome de todas as professoras e de todas as escolas nas quais estudei. A primeira era "Palhacinho Dengoso". A última, "Salesiano". Foram várias. Meus pais, minha irmã e eu nos mudamos muito, até de cidade. Daí, a variedade. Eu amava cada uma das minhas escolas. Os colegas eram "meus melhores amigos". As professoras, "tias" - mesmo quando há muito eu já havia passado da idade de chamá-las assim. E as instituições em si, as casas ou prédios onde as escolas funcionavam, eu as considerava como "mães".

As escolas nas quais estudei foram minhas "mães" também. Seus tijolos, corredores, pátios, concretos, estrutura e tímidos jardins com parcas rosas me abraçavam, me envolviam, me acolhiam, me amavam.

Nunca mais quero retornar a nenhuma delas. Porque chorarei à beça. Assim como um filho tem o cheiro da mãe e a mãe, do filho, visitar alguma das escolas onde estudei me fará encarar as minhas impressões nas paredes, nas carteiras, nos quadros negros (que na verdade eram verdes). Não sei se estou preparada para rever todas essas marcas. Sinais de quem eu fui e não tornarei a ser.

Hoje, 7 de abril de 2011, um ex-aluno pensou diferente de mim. Ele quis retornar. Aos 23 anos de idade, quis encarar de novo os tijolos, os corredores, os pátios e os concretos. Os tímidos jardins e as parcas rosas. Por volta das 8h da manhã, teria alegado a uma professora que faria uma palestra na instituição: Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro de Realengo, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro - daí a visita inesperada. Porém, ele estava armado. Dois revólveres calibres 32 e 38 e bastante munição.

29 de janeiro de 2011

Ela não põe dinheiro em 1º Lugar

A mais bem-sucedida (e rica) personalidade da TV nos EUA, Oprah Winfrey,
descobriu uma meia-irmã. Patricia quis resolver tudo longe da mídia:
"Assuntos de família se resolvem em família", sentenciou.

Passou no canal de TV a cabo GNT, nessa sexta-feira, o programa The Oprah Winfrey Show, ou simplesmente Oprah, no qual a apresentadora, uma das mulheres mais respeitadas da televisão em todo o mundo e uma das mais ricas dos Estados Unidos, exibiu a sua meia-irmã, Patricia - até há pouco desconhecida.

Depois de 25 anos à frente da atração (a qual, soube pela imprensa, foi sempre sucesso de audiência na terra de Tio Sam), Oprah está se despedindo, a fim de se dedicar às produções de seu próprio canal de TV, que já está no ar.

Enfim: ela começou a tal edição do programa notificando à plateia e aos telespectadores que, nesses anos todos à frente do Oprah, chegou a reunir em seu palco famílias que estavam separadas. Parentes que, por uma razão ou outra, cresceram longe um do outro. E jamais, jamais, poderia imaginar que no mesmo local, um dia, ela mesma estaria se reunindo, diante do público, a uma parente que estava distante.