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10 de abril de 2016

Viver em Minas

Foto: Ouro Preto, Minas Gerais, Brazil,
view from the old School of Mines.

In the right, the church of São Francisco de Paulo;
in the center, the church of São José. Autor: Alvesgaspar

Aqui em Minas não tem infinito:
montanhas cortam do horizonte, a linha.
Por não termos perspectiva
nos é forçoso focar, desde criancinhas.

Pro mineiro são cheias de graça, as coisinhas:
bordado, renda, broinha, cafezinho e cachacinha.

De um mirante, toda vista tem jeitão de lapinha:
as cidades, entre serras, espremidinhas.

Muito lar é feito gruta - fria e sombria,
onde papai e mamãe se beijam
(como se se amassem ainda).

E, na caminha, quem só mais tarde
(como bom mineiro) desconfia
tenta achar o sono sem ajuda de estrela-guia.


6 de abril de 2015

Minas Gerais

Foto: Parque Nacional da Serra da Canastra (Minas Gerais, BRASIL) - Autor: Felipe Baraldi

Vou longe no tempo
sem deixar a varanda.
Se percorro o espaço,
é bem perto -
nada além da vizinhança.

O cerco montanhoso
me doutrinou desde cedo:
o que tem no outro lado,
melhor deixar no degredo.


8 de abril de 2014

Minas tem mar

Fotografia: Iolanda reef in Ras Muhammad nature park (Sinai, Egypt) - 2006 - Autor: Mikhail Rogov

BH tem mar sim:
está na Rio de Janeiro
logo após a Praça Sete.

Entre a Olegário Maciel
e a Goitacazes,
tão difícil quanto erguer
joelhos dentro d'água
é desviar
da loira com a bebê mordida
no colo;
do louco mandando o Prosegur
amarelo em frente ao BB
parar;
do rasta que escreve
"seu nome e seu bairro"
no grão de arroz;
do pobre que desce trajando
Louco por Jesus.

Crustáceos, cetáceos,
ouriços, cavalos-marinhos,
polvos, arraias
vistos e sentidos naquele
corredor da cidade.

Lugar a que ia sempre,
hoje desacostumada
(molusco escondido
na concha do lar),
fui tragada
pelo mar de gente apressada
ali
no centro de BH.

Pink Anemonefish, Andrew Dawson Wildlife Photography - 2006 -
Fonte: Original uploader was Micetro99 at en.wikipedia


17 de abril de 2013

Qual a origem do Vaticano?

Resposta: os Estados Pontifícios. E qual a origem deles?
As doações dos fiéis. Sério. A Católica conta essa história
e o processo que culminou nos famosos Tratados de Latrão


(Imagem: Coat of arms of the Vatican City - Public Domain)

Vue aérienne de la cité du Vatican, à Rome - Fotografia de Salvatore88

Para responder à questão que dá título a este Post do Blog A Católica, recorri às anotações que fiz para minha monografia É Estado ou não é? O Estado da Cidade do Vaticano no Direito Internacional. Anotações que começam com uma outra indagação: O que foram os Estados Pontifícios?. Calma. Nunca ouviu falar deles? Eu também não. E acabei descobrindo que eles são a origem do que hoje chamamos de Vaticano. E é por isso que toda essa história começa com esta outra pergunta:

O que foram os Estados Pontifícios?

15 de dezembro de 2011

E as águas estão rolando em BH (e como)

Chove sem parar há cerca de 4 dias na cidade que amo, aqui no Brasil.
Neste Post d'A Católica, uma síntese do que ocorre e
um reflexo do meu estado de espírito

(Fotografia de Ana Paula~A Católica - acatolica.blogspot.com)

Nasci e vivo numa cidade que há poucos dias completou 114 anos de criação. Eu amo Belo Horizonte - ou Belô, ou BH, como carinhosamente a chamamos. Amo.

Tenho orgulho de aqui ser o berço do Clube da Esquina (cuja estrela mais reluzente é o cantor e compositor Milton Nascimento); da banda pop Skank; do grupo de dança contemporânea Corpo e do grupo de teatro Galpão. Estamos cercados pela Serra do Curral, comemos pão de queijo, bolo de fubá, feijão tropeiro e couve picadinha e jogamos conversa fora no boteco. Adoro tudo isso.

Acontece que, de quatro dias para cá, a cidade que avisto da minha janela lateral e que vejo nos noticiários na televisão está um tanto irreconhecível: não para de chover. Com isso, a paisagem azul, iluminada e verde está branca e cinza; as pistas onde os automóveis, caminhões, ônibus e micro-ônibus transitam estão alagadas; os canteiros e passeios, amarronzados ou cor de caramelo - é a lama, é a lama, é a lama.

Aqui no Brasil, tem um hino do folclore popular que o povo nordestino costuma entoar, pedindo chuva a São José:

Glorioso São José
Glorioso São José
Dai-nos chuva em abundância
Glorioso São José.

Hoje, posso afirmar: nada em abundância é legal. E isso inclui a chuva.

A água que cai do céu nesses últimos dias aqui em BH é tanta, é tamanha, que confesso a você: estou profundamente irritada. As enchentes que se formaram, alagando vias como as avenidas Antônio Carlos e Cristiano Machado; asfaltos que afundaram e se romperam, ameaçando prédios, como no Bairro Gutierrez; encostas que deslizaram e interditaram túneis, como na BR 356, em frente ao Ponteio Lar Shopping...

... Assistir pela TV ao desespero dos belo-horizontinos é angustiante.

28 de abril de 2011

(Não) olhe o passarinho... Um Post sobre as fotos que não tirei

Uma crônica sobre fotografias não tiradas, fotos que "comprometem"
e imagens que são impossíveis de registrar, pois ficam gravadas
apenas na alma... Você tem histórias parecidas com as que conto aqui?

Fotografia de Anna Cervova

Manhã num parque de São Paulo

Não levei a máquina.
Então, não fotografei
a flor amarela na calçada cinza.

Nem o cisne preto
correndo na água turva.
Nem os cata-ventos coloridos
espetados no isopor,
com uma garrafa de
Guaraná Antártica
cheia de água por cima,
para não saírem todos
voando pelo ar...

Não fotografei a língua
vermelha do mam,
nem o mural cheio de sonhos dos Gêmeos.

Nem os troncos velhos e retorcidos
ou o leão de pedra
com sua boca enorme
e aberta,
onde meninos enfiavam canudinhos.

Nem a placa quadrada
e verde colada
no chão de cimento frio,
onde li pintado de laranja:
"Ibirapuera".

Ninguém verá as fotos
que tirei com a mente.

Registros pessoais de
um dia quente,
em que eu estava gelada,
sozinha e triste. Por dentro.

**********

Esse poeminha é honesto. Digo, verídico. Fui a um lugar lindo, não levei a máquina fotográfica, portanto não guardei para a posteridade as belezas que meus olhos viram. Isso já aconteceu com você? Com meus pais ocorreu o seguinte...

... Nos idos de 1986, depois de passarem o reveillon na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e fotografarem todos os fogos de artifício multicoloridos no céu a que tinham direito, bem como os passeios que fizeram na Cidade Maravilhosa... Perderam a máquina fotográfica. Com o rolo de filme e tudo. Esqueceram a câmera num banco de praça. Não, não foi no Rio, e sim em Linhares, no estado do Espírito Santo, onde tinham ido em seguida, a fim de visitarem um casal amigo.

Meus pais e eu vivemos histórias diversas, cujo resultado foi o mesmo: ficamos sem as fotos. Não somos os únicos. Torno a perguntar: isso já aconteceu com você?

16 de março de 2011

As placas tectônicas, os japoneses e eu

Como o Japão, também me assento sobre o magma instável, que altera
tudo: na vida, não dá para prever o próximo atrito, o que pode acontecer

Mapa com o epicentro do terremoto e as Centrais Nucleares de Fukushima, que foram afetadas
Imagem de Maximilian Dörrbecker (Chumwa), modificada por W.Rebel (talk)

"Libertação súbita de energia que provoca movimentos da superfície terrestre. = abalo sísmico, sismo, tremor de terra"; "Grande perturbação". Essas são as definições de um dicionário de Língua Portuguesa para a palavra terremoto. O primeiro sentido é geológico, ou seja, relativo à Geologia, "ciência que estuda a estrutura da Terra, a sua origem, natureza e transformações". O segundo, podemos aplicar em outras áreas.

Os japoneses, e em especial aqueles no nordeste do Japão, no leste asiático, viveram (e ainda vivem) o sentido geológico do termo há cerca de uma semana, desde que um tsunami arrasou parte do país. Nota: conforme texto de Renata Costa no site Nova Escola, tsunami é "um terremoto entre as placas tectônicas sobre as quais está o oceano. Esse tremor de terras no solo do mar provoca uma agitação imensa das águas, resultando em ondas que chegam de maneira violenta e desordenada ao litoral".

Muitas vezes, ao longo de nossa história pessoal, experimentamos o outro sentido de terremoto: "Grande perturbação".

"Desarranjo"; "transtorno"; "confusão"; "alteração"; "desordem"; "tontura" são alguns dos vários significados de perturbação. O verbo perturbar quer dizer: "alterar a ordem ou o sossego de"; "abalar, agitar"; "interromper"; "atrapalhar-se" e (o que julguei mais interessante) "perder a serenidade de espírito".

6 de março de 2011

Quem nasce no Vaticano é...

Até hoje, ninguém nasceu em território papal.
Mas, os critérios que definem quem é cidadão ou nacional deste país -
o menor do mundo - mudaram. Confira neste Post d'A Católica!

Bandeira do Estado da Cidade do Vaticano - Domínio Público

Como o Brasil de Dilma Rousseff, o Egito (que já foi) de Hosni Mubarak e a Itália do polêmico Silvio Berlusconi, o Vaticano de Bento XVI também é um Estado. Tem um território, de 0,44 quilômetros quadrados, uma população, de cerca de 800 pessoas, e um governo, personificado no "Sumo Pontífice, Soberano do Estado da Cidade do Vaticano, [que] tem a plenitude dos poderes legislativo, executivo e judicário", conforme o Artigo 1º da Nova Lei Fundamental de 26 de Novembro de 2000.

Como Estado, entre as atribuições de seu governo, está conferir a cidadania ou a nacionalidade vaticana para parte de sua população.

1 de março de 2011

E lá se foi o mês da Senhora de Lourdes...

Eis a graça que caracteriza a mensagem da Imaculada de Lourdes:
lavar-nos na água, a fim de ressurgirmos do pecado para a vida nova.
(Enzo Lodi)

O milagre de Lourdes também foi econômico:
de 300 habitantes em 1858, a cidade recebe hoje
mais de 15 milhões de pessoas por ano

Artefatos religiosos em Lourdes (França) - Fotografia de Jean-noël Lafargue

Não. Eu não me esqueci. Não deixaria passar incólume que no mês que termina em 28 de fevereiro (o mais curto do nosso calendário), a Igreja Católica fez memória à Nossa Senhora da Gruta de Lourdes - especificamente no dia 11. Estranhou o "Gruta" no meio do nome? Pois é exatamente assim que ele aparece no texto de conclusão da comissão de inquérito nomeada para investigar os acontecimentos na cidade francesa, no século XIX. Que acontecimentos?

Bem, são justamente os que este Post d'A Católica pretende abordar.

29 de novembro de 2010

"O Rio de Janeiro continua lindo... O Rio de Janeiro continua sendo..."

Este Post d'A Católica é uma homenagem e uma Declaração de Amor
à cidade mais MARAVILHOSA do mundo!
Nessa semana, ela venceu uma batalha importante contra a violência

Policiais cravaram uma bandeira do Brasil e outra do Estado do Rio de Janeiro no ponto mais alto de morro do Alemão nesse domingo, 28 de novembro. Foi um acontecimento e tanto.

O morro fica no Complexo do Alemão, "uma das maiores e mais populosas favelas do Rio", segundo um site chamado Favela Tem Memória. O jornal Extra informa: "com 13 favelas e uma área do tamanho de 296 campos de futebol, o Complexo do Alemão, na Zona Norte, é atualmente o esconderijo da facção criminosa mais bem armada do estado do Rio". Lá, morariam 250.000 pessoas. O jornal O Globo completa: "na área, são comuns os confrontos entre traficantes rivais e entre bandidos e policiais".

[Nota: favela, para quem não reside no Brasil, é um "conjunto de casebres toscos e miseráveis, geralmente em morros e onde habita gente pobre" - Dicionário Priberam.]

Desde quinta-feira, dia 25, as polícias Civil e Militar do Estado do Rio de Janeiro e soldados do Exército brasileiro, além de um tanque da Marinha, empenhavam-se em (re)tomar o local do domínio do tráfico de drogas. Nesse domingo, os 2.700 homens que compunham as forças de segurança atingiram o objetivo. Conforme a imprensa, até as 00h45 da madrugada desta segunda-feira, eles apreenderam:

31 de outubro de 2010

A importância do MEU voto hoje

Na fotografia, atrás dessas três crianças junto a um ministro branco,
Martin Luther King e sua esposa clamam pelo direito de votar.
Nós, que votamos "por obrigação", não dimensionamos a importância disso

Está vendo essa foto acima? Encontrei-a na Internet e emocionei-me. Até mesmo as crianças: Donzaleigh Abernathy, de suéter listrado, o menino Ralph David Abernathy e Juandalynn R. Abernathy, de óculos, parecem entender a seriedade do momento e portam-se como verdadeiras manifestantes, ajudando no provável "grito de guerra" (afinal, toda manifestação que se preze tem um "grito de guerra").

A legenda diz que se trata de uma marcha do "Movimento pelos Direitos Civis". Conforme encontrei em minha pesquisa, em março de 1965, durante quatro dias, os manifestantes percorreram os 87 km que separam as cidades de Selma e Montgomery, no Estado norte-americano do Alabama. Na fotografia, o co-fundador do movimento, Ralph David Abernathy, justamente o pai das três crianças e que lidera a marcha, vem seguido de ninguém menos, senão Martin Luther King e sua esposa, Coretta Scott (1927-2006).

13 de outubro de 2010

O Resgate (ou Renascimento) dos Mineiros no Chile

O que os 33 trabalhadores passam é uma metáfora eloquente da nossa vida:
do "fundo do poço", eles emergem (de novo) para a LUZ. Tem jeito!

Eu já estive em uma mina. Em Ouro Preto, antiga Vila Rica (capital do Estado de Minas Gerais, no Brasil, de 1720 a 1897). A extensão da Mina do Chico Rei é de 1.500 metros e os poucos metros que percorri me causaram mal-estar, náusea, uma vontade louca de estufar as paredes estreitas com meus próprios braços e sair correndo de volta, de encontro à luz.

Meu marido me disse que os 33 mineiros – 32 chilenos e um boliviano - que ficaram quase 70 dias a cerca de 700 metros de profundidade na mina de San José, no deserto de Atacama, no norte do Chile, estavam mais preparados do que qualquer um de nós para enfrentar essa situação. Afinal, são “mineiros”, acostumados ao escuro e isolamento dos subterrâneos da Terra.

Concordo. Mas, quase 70 dias! É um pouco demais, não acha? Setenta dias no “fundo do poço”. Literalmente.

18 de setembro de 2010

Obrigada, Senhor!

De olho no que os outros têm de "melhor", ficamos tristes, amuados...
... Sem perceber a riqueza com que Deus nos laureou:
como contemplar, todos os dias, um lindo pôr-do-sol de uma de nossas janelas!

Senhor,
Obrigada!

Obrigada pelos 2 anos que Farney e eu moramos no lindo apartamento de 1 quarto, de paredes pintadas de azul!!

O Senhor sabe que meu coração disparou a primeira vez em que entrei aqui e vi, já da porta da sala, aquela vista imensa para um céu tão azul quanto as paredes, o coqueiro (ou palmeira, até hoje não sei) e a Serra do Curral ao fundo.

17 de setembro de 2010

Católica de Mudança: Lar Doce Lar!

Hey, internauta!...

Depois de ler Meditando com Pecadores e Pecadoras do Evangelho,
resolvi apreciar a vista: ônibus vazios de gente e caminhões cheios de terra!...

Se você ficar uns diazinhos sem ouvir nada de mim, saiba que estarei empacotando e desempacotando pertences. Tô de mudança. Tô saindo de uma vista que dá para um coqueiro (ou palmeira, nunca sei ao certo), com a Serra do Curral ao fundo, para uma que dá para uma gameleira centenária, com a mesma Serra do Curral ao fundo. Deus é Dez! Eu não queria me mudar, pra não perder o meu belo panorama...

... E eis que o apartamento que o Farney encontrou mantém (quase) a mesma paisagem só que, em frente, em vez do tal "coqueiro", teremos uma gameleira. O dicionário a define como "Árvore resinosa do Brasil". Legal. No mês da Pátria, ganhei de Deus uma vista para uma árvore tipicamente brasileira!!

Coisa de "poeta", de "romântico": não querer sair de um lugar só para não perder o cenário!!... Hahaha

24 de agosto de 2010

Alguma coisa acontece no meu coração...

Endereço da Felicidade (ou um deles...)

Imagem: Internet
Acabei de desembarcar em Belo Horizonte, my home sweet home (meu lar doce lar), vinda de São Paulo. Foi a primeira vez em que estive lá. Fui apenas para rever e abraçar minha madrinha, Suzana, e tive só um dia para passear pela cidade.

Meu primo, Flávio Augusto, que mora lá há alguns anos, e minha irmã, Andréa Cristina, tiveram que escolher um único lugar que desse para eu conhecer em apenas algumas horas. E me levaram ao local certo: a Avenida Paulista.

Agora, eu entendo perfeitamente o que Caetano Veloso quis traduzir na letra de Sampa. Só que, ao contrário dele, eu não "achei feio o que não era espelho". Reconheci-me na cidade, para grande espanto do meu eu. É que sempre, sempre tive preconceito com São Paulo. Ops. Não o "santo", nem o time de futebol, mas a capital do estado de São Paulo mesmo.