| Tenho uma teoria sobre adultos que não gostam do Natal. Ela revela por que devemos dar importância a essa Data Especial (Fotografia de Ana Paula~A Católica - acatolica.blogspot.com) |
Nunca vou me esquecer de quando li numa das edições da revista brasileira Cláudia uma frase e tanta atribuída ao poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) : é preciso erotizar o cotidiano. O verbo - que poderia causar polêmica num Blog católico - significa apenas, conforme apreendi da leitura da reportagem, tornar o cotidiano mais interessante, excitante, empolgante.
Li essa frase em torno dos meus 17 anos de idade. E acolhendo os conselhos da matéria jornalística, nunca mais consegui tomar café que não fosse em uma xícara (com asa), cuidadosamente colocada sobre um pires. Vinho, somente em taça apropriada. Talheres dispostos na mesa sobre um guardanapo. Os pães têm a sua faca; a manteiga idem. Nada de misturar, usando uma no lugar da outra.
Tudo isso, que soaria como futilidade e frescura, na verdade, guarda e reflete um desvelo indispensável com a vida, com nós mesmos, com a nossa rotina. Um café em uma xícara de porcelana, em vez de servi-lo em um copo de vidro, dá a ele mais sabor. Sério. É mais gostoso tomá-lo assim. E de cuidado em cuidado, a nossa rotina, da qual a hora das refeições faz parte, torna-se mais organizada e prazerosa.
Pensei nisso, porque estamos na época do Natal.
Com a correria, alguns de nós acabamos protelando o momento de parar com tudo para nos concentrarmos em adornar a casa - nem que seja somente montando a árvore ou o Presépio num canto da sala de estar. Acabamos deixando para lá, adiando... Assim, a noite de 24 de dezembro chega e o nosso lar segue com a cara de sempre: não nos preparamos para o Espírito Natalino nem mesmo com a decoração.
Usar a faca certa na manteiga, tomar vinho na taça, distribuir enfeites de Natal pela sala de estar...
... Atitudes que podem parecer "perda de tempo", num mundo - este no qual vivemos - onde cada minuto é precioso para produzirmos mais, ganharmos mais dinheiro ou simplesmente assistirmos mais à TV. "Pra quê taça? Tomo meu gole de Almadén no copo de requeijão mesmo!"; "Pra quê pegar a escada, alcançar o alto do armário e descer com aquela árvore velha e aquelas caixas com bolas vermelhas descoradas?"
Acontece que focamos o processo - pegar a escada, abrir a porta do armário, descer com os enfeites, desembalá-los, juntar as embalagens, subir na escada de novo, guardá-las, fechar o armário, pôr a escada no lugar... Ufa! Que canseira! - e nos esquecemos de mirar, lá adiante, o prazer com o resultado. A casa está ornada para o Natal, refletindo o nosso contentamento, a nossa abertura para um tempo diferente no calendário.
| Papai Tuti montando a árvore de Natal em 2011 - Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.blogspot.com) |
| Farney montando o nosso Presépio em 2011 - Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.blogspot.com) |











