28 de janeiro de 2011

Tomás de Aquino: manso e mudo

"Tomás acreditava que 'para conhecer qualquer verdade a humanidade
precisa do auxílio divino, a fim de que o intelecto seja movido por Deus'."
(Os Cristãos - Um História Ilustrada, 2009)

Ouvi falar de São Tomás de Aquino desde sempre. Ele é o autor da notória Suma Teológica (referida mais à frente) e sempre me inspirou temor e respeito. Mais temor do que respeito. Tipo: "Ah, Tomás de Aquino, o gênio intelectual, dotado de uma sabedoria inalcansável". Difícil rezar para alguém assim, né?

É que nós, católicos, gostamos de tratar os santos como nossos amigos íntimos (dê uma olhada no Post Não deixe para amanhã: grite HODIE!) e pedir a intercessão de um santo tão sério, aparentemente tão distante quanto São Tomás de Aquino, me parecia inconcebível. Melhor procurar Santo Antônio de Pádua ou São Francisco de Assis - mais singelos, mais perto da gente, mais "pés no chão", não é mesmo?

Ocorre que... Mudei de ideia. Dois anos atrás, adquiri o excelente livrinho São Tomás de Aquino (Artpress, 2005) e terminei a leitura devotíssima do santo italiano. Descobri que ele foi um homem de intensa oração e muito afeito à Nossa Senhora. E que sua humildade era tal, que atribuía ao Espírito Santo todos os frutos do seu trabalho intelectual. Apaixonei-me pela passagem a seguir, que quase virou epígrafe da minha monografia.

27 de janeiro de 2011

Eu não acuso político de "corrupto"

Quando se trata de xingar alguém
de "ladrão" ou "sujo", sou cautelosa:
será que já não enganei também?
Internauta d'A Católica, Saudações!!

Este é um Post-Recado. Será breve. É sobre corrupção. E, também, falta de caridade.

Sempre que estoura algum escândalo de desvio de verbas, compra de votos no Congresso Nacional e outras vergonhas aqui no Brasil, ao contrário de algumas pessoas, eu não me exalto de dedo em riste, xingando (até com palavrões) alguns dos nossos deputados federais ou senadores: "Ladrão!", "Corrupto!", etc. Fico indignada sim. Contudo, muito mais triste. E pensativa.

Corrupção, segundo o dicionário, é "depravação"; "suborno"; "alteração". Depravação é perversão, do verbo perverter, cujo sentido é "perturbar a ordem ou estado das coisas"; "desvirtuar". Suborno é substantivo e o verbo é subornar, o qual significa "induzir a proceder mal"; "corromper com dádivas ou promessas". Por fim, alteração, cujo verbo equivalente é alterar: "perturbar"; "falsificar"; "desfigurar".

Agora, você vai entender por que não consigo me exaltar tanto com um novo escândalo de corrupção implicando políticos ou outros oficiais: porque perverter, subornar e alterar não são exclusividade deles. Alguns de nós (e se este não é o seu caso, dou-lhe Meus Parabéns), bem, praticam corrupção em pequenas ou médias doses algumas vezes por ano, por mês, por semana e até a cada dia.

26 de janeiro de 2011

O bem (já) vence(u) o mal

Esteja alerta: gritar mais é apenas sinal de desespero e de desequilíbrio,
e não de força ou de poder nem muito menos de "vitória"

Aprendi com Padre Léo que o mal é histérico. Ele parece predominar no planeta, simplesmente porque sabe que já perdeu. A vitória de Cristo, na cruz, sobre o pecado e a morte, é definitiva. Não tem volta. Jesus venceu e vencemos juntos com Ele. Esse é o fato e a verdade.

Já assistiu naqueles canais da TV a cabo (com programas sobre a vida animal) a um bicho morrer? Ele se debate e brada - brada muito - para, no final da luta vã, render-se à fera que o deteve e que irá comê-lo. Devorá-lo.

Essa é a dinâmica do mal no nosso mundo. Como sabe que vai morrer, então debate-se e brada. Brada com tanto alarde, que ilude a muitos de nós, a quase todos nós, que "venceu", que "não tem jeito", que a violência, a corrupção, a falsidade, a arbitrariedade e a indiferença "reinam para sempre".

25 de janeiro de 2011

E Saulo virou... Paulo

Cavalo? Que cavalo? A Bíblia não menciona nenhum quando
o perseguidor de cristãos foi ao chão. E mudou de vida e de nome.

Dia 25 de janeiro, a Igreja Católica recorda e celebra a Conversão de São Paulo. Chamado de 13º Apóstolo ou Apóstolo dos Gentios. Ao ler as 13 cartas que ele escreveu (ou ditou), e que estão elencadas no Novo Testamento da Bíblia Sagrada, temos a impressão de que se trata de uma pessoa severa e determinada, certíssima daquilo que quer e daquilo que precisa ser feito.

Mas, também, de alguém muito amoroso e que se esforça para demonstrar a sua amabilidade e compaixão pelos seus semelhantes - basta ver os beijos que distribui logo no início de algumas epístolas e a preocupação com o bem-estar das pessoas que conheceu e das comunidades que fundou ou visitou.

Analisar o conteúdo das suas cartas, que estão organizadas na Sagrada Escritura das maiores até as menores (Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Filêmon), nos enche de motivação para lutar, a fim de nos aproximarmos o máximo possível do seu exemplo de destemor, alegria, entrega e, sobretudo, do tamanho e firmeza da sua fé.

24 de janeiro de 2011

O patrono dos bloggueiros: São Francisco de Sales

Neste Post, você conhece a história do santo francês, dirige uma prece a ele
e descobre uma série de ensinamentos seus, que tocarão o seu coração

"Mansidão e persistência, o nome de vocês é Francisco de Sales."

A frase é minha. E de que outro jeito poderia definir o francês que:
1) lutou por 20 anos para vencer a própria irritabilidade?
2) Esperou quase 30 para ter a certeza de que a vocação ao sacerdócio era um chamado de Deus?
3) Passou "fome, sede, frio, humilhações e risco de vida", por três anos, para converter os suíços que haviam se tornado calvinistas?

O título deste Post d'A Católica seria: São Francisco de Sales - Alguém para se Amar. Entretanto, mudei de ideia ao reler em Um Santo para Cada Dia (Paulus, 1996), que "ele se tornou o patrono dos que se servem da escrita para difundir as verdades reveladas por Deus".

E por que isso? Porque, ante o fiasco das suas pregações em Genebra (Suíça), Francisco de Sales decidiu imprimir ou escrever folhetos com trechos de sermões, os quais colocava "debaixo das portas, nos muros e por toda a parte". "Ainda assim", os autores de Um Santo para Cada Dia frisam, "não teve muito sucesso".

Essa história não se parece um pouco com a nossa - bloggueiros católicos? Acredito que sim...

23 de janeiro de 2011

A sustentável leveza do ser - parte 2

Um poema para dar sequência à meditação d'A Católica
sobre a leveza: Uma Arte, da norte-americana Elizabeth Bishop

A arte de perder não é duro de aprender;
tantas coisas parecem cheias da intenção
de serem perdidas, que a sua perda não é um desastre.

Perca algo todos os dias. Aceite a agitação
de perder as chaves da porta, a hora mal aproveitada.
A arte de perder não é duro de aprender.

Então pratique perder mais, perder mais rápido:
lugares, e nomes, e onde você pretendeu
ir de viagem. Nada disso ocasionará um desastre.

Perdi o relógio de minha mãe. E veja só! o meu passado, ou
o meu passado mais próximo, de três casas amadas se foi.
A arte de perder não é duro de aprender.

Perdi duas cidades, adoráveis. E, maiores,
alguns reinos que tive, dois rios, um continente.
Eu sinto falta deles, mas não foi um desastre.

- Mesmo perder você (a voz que brinca, um gesto que
amo) eu não menti. É evidente
a arte de perder não é duro demais de aprender
embora se assemelhe (Escreva isto!) a um desastre.


Tradução: ~Ana Paula~A Católica

Saboreie também: A sustentável leveza do ser


Fotografia do dente-de-leão, por Paula


~Ana Paula~A Católica

21 de janeiro de 2011

A sustentável leveza do ser

Saiba neste Post se você é (ou conhece alguém que seja) um obeso mental.
Se as pessoas se afastam de você... Pode ser que sim. Como evitar isso?

Todo mundo tem historinhas pitorescas para recordar. Há um leque na minha biografia. Uma delas ocorreu nos idos de 1999 com uma ex-colega de faculdade.

Estávamos no jardim da Biblioteconomia tomando sorvete de casquinha. Vi um dente-de-leão e resolvi colhê-lo - quem não gosta de soprar um dente-de-leão ao vento? Tava calor, o sorvete marrom (de chocolate) escorrendo e, em vez de lamber a casquinha, meti o dente-de-leão no céu da minha boca!

Foi um dos momentos mais divertidos da minha vida. Chorei de tanto rir: soprei o sorvete e lambi o dente-de-leão. Minha boca ficou repleta daquelas finas pétalas brancas por horas...

Escrevo essa história, porque um dente-de-leão inspirou este Post. Você e eu, internauta d'A Católica, temos algo a aprender com ele.

Sua primeira qualidade é... Ser leve. Suas ultrafinas pétalas (ou sementes) brancas não pesam. Além disso, ele não se importa de se livrar delas. Basta uma brisa suave para elas saírem voando pela cidade, pelo campo, pela universidade... As pétalas avoam espaço afora... E ele lá. Firme.

Inspirada pela leveza do dente-de-leão, pensei na sociedade em que vivemos.

Somos estimulados - especialmente as mulheres - a nos livrar do peso corporal. Somos levados a crer que é um crime ser gordo. É lastimável ter pneuzinhos nos lados (ou nas costas) e barriguinha (ou barrigona) sobressalente. E dá-lhe ginástica, cinta modeladora, diuréticos e outros remedinhos para emagrecer. Ah, claro: lipoaspiração também é "muito bem-vinda".

20 de janeiro de 2011

A Católica há 6 meses na Efigênia

Leitores, comentaristas, seguidores, visitantes fortuitos,
VOCÊS TODOS me deixam como uma Criança Feliz!

Sabe o que é Efigênia? É como a Blogosfera (o mundo dos Blogs) é carinhosamente chamada por Bloggueiros mais experientes e conhecidos - como a Nospheratt, do imperdível e necessário BLOSQUE. Quis fazer uma brincadeira, referindo-me a ela (a Blogosfera) com esse nome! E ainda fazer uma deferência a quem chegou bem antes de mim e a denominou desse jeito, certo?

E eis-me aqui, no 6º Post de aniversário do Blog - na verdade verdadeira, o aniversário será neste domingo, dia 23 de janeiro! Contudo, antecipei a festa!!

Fotografia de Petr Kratochvil

19 de janeiro de 2011

Por que julgas teu irmão?

"Se alguém tem ouvidos para ouvir, que ouça:
com a medida com que medirdes, vos medirão a vós." (Mc 4, 23-24)

Certamente já falei disto aqui, em pelo menos dois Posts d'A Católica: Por que insistimos em apontar o dedo para os outros? e Um Post sobre gente que só vê defeito e critica a nossa vida.

Certamente, também, será um tema recorrente, porque acontece todos os dias, a olhos vistos e olhos nus: nossa destreza em localizar e proferir uma sentença sobre um deslize alheio (ou aquilo que, no nosso ponto de vista, seja um "deslize") é mais rápida que os mais ágeis gatilhos dos mais habilidosos cowboys em filmes de faroeste. Somos velozes quando se trata de condenar o próximo.

Somos, isto sim, juízes ambulantes, com nosso martelo imaginário, determinando quem está certo, quem está errado. E o lamentável é que nem sempre guardamos a nossa parcial e muito suspeita opinião apenas para nós mesmos: algumas vezes, nossa pretensão de deter a verdade é tamanha, que a espalhamos por aí, nos ouvidos de amigos, parentes, vizinhos, leitores, internautas, bloggueiros...

Ontem, ao prosseguir com meus estudos bíblicos, segundo o muito recomendável método do Monsenhor Jonas Abib, fundador da comunidade Canção Nova, cheguei ao Capítulo 14 da Epístola aos Romanos, de São Paulo. Em todo o capítulo, do primeiro ao último versículo, o 13º apóstolo de Cristo exorta seus destinatários a parar com a baboseira de determinar o que é "puro" e o que é "impuro".

18 de janeiro de 2011

Homenagem a Três Grandes Artistas

ROCK HUDSON - 1925-1985
Cena do trailer do filme Assim Caminha a Humanidade (Giant), de 1956

CAZUZA - 1958-1990
Imagem: CAFé Simone Pedaços (original version), remix pelo uploader

RENATO RUSSO - 1960-1996
Fotografia: Memorial Renato Russo

O cartão da Tia Lia chegou

O que chega pelos Correios com amor
merece lugar de destaque no coração e na casa

Cartas me fascinam desde sempre. Imagine: seu nome escrito no envelope: PARA FULANA DE TAL. Aquela palpitação: "O que será?". Aquele gesto (que eu adoro) de escolher um cantinho para rasgar: tzzzssss... Enfim, o conteúdo nas mãos: um papel branco para ser desdobrado ou um cartão. E o principal: o que vem escrito no conteúdo. De próprio punho. Numa caligrafia única, que ninguém mais tem.

Esse costume está escasseando.

Na caixa do correio na entrada da nossa casa ou do nosso condomínio, encontramos envelopes de empresas com cobranças: água, luz, TV a cabo, aluguel. Todos com etiquetas digitadas no computador. Será o fim da caligrafia? Ninguém mais chega à caixa com a expectativa de notícias que vêm de longe ou de perto. De alguém querido. Vamos à caixa do correio com apreensão: contas...

Pois ontem colocaram sob a minha porta um cartão da Tia Lia - minha tia-avó. Irmã da inesquecível Mãe-Ita, a Nelita, que já homenageei no Blog. Todos os anos, tem um cartão da Tia Lia. Um dos raros que meu marido e eu recebemos. E o valor que dou é tão grande, que (todos os anos) ele tem lugar certo: a porta da geladeira. Para eu relembrar várias vezes ao dia a sensação boa que tive ao recebê-lo.

Prolongar boas sensações...

Algumas vezes, alguns de nós (entre os quais eu me incluo) agimos como tolos: em vez de procurarmos prolongar as sensações boas que tivemos, alimentamos as ruins.

17 de janeiro de 2011

Coincidência? Providência.

Deus rege TODOS os acontecimentos.
Este Post traz 3 exemplos recentes de Sua ação na minha vida!

Coincidência, segundo o dicionário, é "Simultaneidade de diversos acontecimentos". Providência, também de acordo com o Pai dos Burros (eu prefiro chamá-lo de Mestre dos Sábios) é "Sabedoria suprema com que Deus conduz todas as coisas". Nessa semana que acabou há pouco, vivi o que muitos céticos chamariam de "coisa sem importância" ou "mera coincidência". No entanto, guiados pela fé católica que somos, sei que tudo não passou de Providência Divina.

Você deve estar curioso, né?

É que, entre sexta-feira e domingo, uma cadeia de singelos acontecimentos me mostrou enfaticamente que a Mão Misteriosa de Deus vela por nós de fato e conduz com doçura e firmeza todos os eventos. Não há o que temer. Não há por que temer.

Chega a ser agradável (e, ao mesmo tempo, surpreendente) o tanto que Ele está presente na nossa vida. E o triste é que, se não estamos atentos a Sua ação carinhosa e diligente - devido a nossa pressa, preocupação excessiva ou distração mesmo -, ela passa despercebida. Oculta, embora tão estridente.

Para relatar a "cadeia de singelos acontecimentos" que me revelou com alarde a ação maravilhosa de Deus na minha vida, dividi o Post em 3 cenas. Com as três ocorrências reportadas separadamente. A conclusão a que cheguei?

Fotografia de Takkk

Foi esta: a vida é um bolo imenso pontilhado de cerejas, que são as pequenas, doces e vibrantes surpresas do dia a dia. E eu convido você a localizar as cerejas que surgiram em sua vida recentemente. Faça isso! É ótimo pra gente valorizar a riqueza que temos e, às vezes, ignoramos. Se puder, compartilhe comigo o que descobrir em comentários (logo abaixo). Boa Leitura!