2 de janeiro de 2012

Falar muito não adianta nada

Alguns pensam em não faltar mais à missa; outros, em parar
de fumar e há aquelas que querem emagrecer.
Minha meta pra 2012 é manter a boca fechada. CONSEGUIREI?


(Imagem: Cartaz de 1942 ou 1943 - Autor Desconhecido -
Fonte: U.S. National Archives and Records Administration)

Tenho 35 anos de idade e um doce orgulho...

... O de haver aprendido tantas coisas e ter outros zilhões delas a aprender. Minto. São dois doces orgulhos: o segundo é o de estar disposta a aprender. Porém, reconheço: adquirir conhecimento é fácil. Difícil é colocá-lo em prática. Por isso, neste primeiro Post de 2012, divido com você o meu mais recente aprendizado: não adianta falar.

Sempre fui faladeira. Desde bebê. E dessas crianças que, apesar de ser boa aluna, a professora se via obrigada a colocar lá na frente da classe, longe dos outros alunos, a fim de "fechar a matraca" e não atrapalhar ninguém a prestar a atenção na aula. Até hoje, pessoas próximas se queixam comigo: "Cale a boca, Ana Paula! Você fala demais!...".

Confesso: é um prazer organizar ideias, articular sons, expressar argumentos. Falar.

Todavia, neste 1º dia de janeiro de 2012, fui brindada com provas cabais de que é uma perda de ar, de saliva e de tempo tentar convencer alguém daquilo que só você experienciou. Muito pouca gente está disposta a abrir os ouvidos, inclinar o corpo em sua direção e desprender-se de suas convicções para tentar apreender (ou seja: captar) o que você diz.

Saio das conversas com pessoas "fechadas" completamente exausta e triste.

Não que eu tenha querido impor a qualquer uma delas o meu ponto de vista. Minha frustração reside em que nenhuma esteve disposta a me ouvir, a me entender. Eu digo: "O lápis sobre a mesa, de onde eu estou, me parece vermelho". Sem nem ao menos virar a cabeça para dar uma olhadela no móvel, meu interlocutor afirma: "Não. É verde".

E quando o interlocutor é uma pessoa bem mais velha?

22 de dezembro de 2011

Esperar: um verbo cheio de atitude

Ao contrário do que muitos imaginam,
o verbo esperar não tem nada de "passivo":
implica movimento e mudança (não é isso o que queremos?)


Imagem: Warten auf den Liebsten (1923), Carl Mücke

Em Samba da Bênção, o Poetinha Vinícius de Moraes afirma que "A Vida é arte do encontro/ Embora haja tanto desencontro pela vida/ Há sempre uma mulher a sua espera/ Com os olhos cheios de carinho/ E as mãos cheias de perdão...". Eu penso que a Vida é arte da espera. Você lasca a forma no forno e espera a massa crescer, o bolo ficar pronto. Você investe em seus estudos e espera pelas oportunidades. Você fala e fala e fala com alguém e espera as suas palavras frutificarem. E por aí vai...

Há quatro significados do verbo esperar que me tocam: 1) Ter esperança; 2) Contar com; 3) Aguardar e 4) Armar emboscada a. Todos eles me mostram que um ditado popular aqui no Brasil faz todo o sentido: Quem espera sempre alcança. Por quê? Porque esperar, ao contrário do que o verbo nos levaria a supor, não implica imobilidade, acomodação, e sim, conforme os significados vistos acima, movimento, atitude, ação.

Vejamos: aguardar, entre outros sentidos, é vigiar. Isso é uma ação.

Senior Chief Photographer's Mate Mitchell -
Fonte: U.S. Department of Defense's Defense Visual Information Center

À espera de algo acontecer em minha vida, eu necessariamente não estou assentada num banco de praça ou parada em frente à janela "vendo a banda passar". Estou em alerta. Vigio. Ouço, penso, considero e reconsidero posições, opiniões e comportamentos. Se algo diferente ocorre, fujo, grito, mudo de direção, porque estou em alerta, já que eu espero, ou seja, aguardo, ou seja, vigio.

Esperar também significa contar com. Entre outros sentidos, contar quer dizer ter confiança.

Eis algo dificílimo, que aprendemos muitas vezes graças ao apoio e aos conselhos de pessoas importantes na nossa trajetória, como nossa mãe: "Tenha confiança, meu filho. Vai dar tudo certo". Assim, ao longo dos anos, de confiança em confiança, aprendemos a caminhar, a andar da bicicleta, a dar um mergulho na piscina ou no mar, a falar em público diante dos colegas e a pedir aquela menina linda em namoro (certo?).

Sem a atitude de ter confiança, até mesmo o ato de nos pormos de pé, todos os dias pela manhã, se torna um desafio que nos impõe medo e... Inação. (É só perguntarmos às pessoas que sofrem de depressão como elas se sentem tão sem confiança nelas mesmas, nos outros, na vida.)

Isso nos leva a outro significado de esperar, qual seja, ter esperança.

Lembro, ainda no colégio, um poema que aprendi atribuído ao poeta gaúcho Mário Quintana (1906-1994), o qual me impressiona bastante. Até hoje.

15 de dezembro de 2011

E as águas estão rolando em BH (e como)

Chove sem parar há cerca de 4 dias na cidade que amo, aqui no Brasil.
Neste Post d'A Católica, uma síntese do que ocorre e
um reflexo do meu estado de espírito

(Fotografia de Ana Paula~A Católica - acatolica.blogspot.com)

Nasci e vivo numa cidade que há poucos dias completou 114 anos de criação. Eu amo Belo Horizonte - ou Belô, ou BH, como carinhosamente a chamamos. Amo.

Tenho orgulho de aqui ser o berço do Clube da Esquina (cuja estrela mais reluzente é o cantor e compositor Milton Nascimento); da banda pop Skank; do grupo de dança contemporânea Corpo e do grupo de teatro Galpão. Estamos cercados pela Serra do Curral, comemos pão de queijo, bolo de fubá, feijão tropeiro e couve picadinha e jogamos conversa fora no boteco. Adoro tudo isso.

Acontece que, de quatro dias para cá, a cidade que avisto da minha janela lateral e que vejo nos noticiários na televisão está um tanto irreconhecível: não para de chover. Com isso, a paisagem azul, iluminada e verde está branca e cinza; as pistas onde os automóveis, caminhões, ônibus e micro-ônibus transitam estão alagadas; os canteiros e passeios, amarronzados ou cor de caramelo - é a lama, é a lama, é a lama.

Aqui no Brasil, tem um hino do folclore popular que o povo nordestino costuma entoar, pedindo chuva a São José:

Glorioso São José
Glorioso São José
Dai-nos chuva em abundância
Glorioso São José.

Hoje, posso afirmar: nada em abundância é legal. E isso inclui a chuva.

A água que cai do céu nesses últimos dias aqui em BH é tanta, é tamanha, que confesso a você: estou profundamente irritada. As enchentes que se formaram, alagando vias como as avenidas Antônio Carlos e Cristiano Machado; asfaltos que afundaram e se romperam, ameaçando prédios, como no Bairro Gutierrez; encostas que deslizaram e interditaram túneis, como na BR 356, em frente ao Ponteio Lar Shopping...

... Assistir pela TV ao desespero dos belo-horizontinos é angustiante.

14 de dezembro de 2011

Canção de Marisa Monte para JESUS

Novo CD da artista brasileira tem composição
apropriada para entoar neste Natal,
quando recordamos a vinda de Cristo à Terra


(Photographer: Frank C. Müller)

Remetente: Ana Paula~A Católica (acatolica.blogspot.com)
Destinatário: Menino Jesus

Nota: A exemplo do que fiz no Post As canções que só eu canto para JESUS, apropriei-me do mais recente sucesso da incrível cantora e compositora brasileira para dedicá-lo a Nosso Senhor, neste Natal de 2011. Ainda Bem é de autoria de Marisa Monte e Arnaldo Antunes.


Ainda bem
Que agora encontrei Você
Eu realmente não sei
O que eu fiz pra merecer
Você

Nativity (15th century) - detail: Nude Baby Jesus - Wolfgang Sauber

10 de dezembro de 2011

Quando agimos como... Criancinhas!


Neste Post d'A Católica, confira 10 atitudes nossas
que ecoam a pior faceta da criança que todos fomos!

Imagem: Cartoon Boy and Girl (1913),
Pub by Lowman & Hanford Co Seattle Wash

Mudando de canal nesta semana, me deparei com a seguinte legenda sob a tela da TV: Sociedade Infantilizada. Era o tema do programa Trocando Ideias, da TV Canção Nova, exibido ao vivo nesse 6 de dezembro. Infelizmente não pude acompanhá-lo: estava cansada e fui dormir mais cedo. Mas o sono não me impediu de matutar o assunto em pauta e já na cama levantei os pontos em que muitos de nós somos... Infantis.

"Deixai vir a mim os pequequinos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. Em verdade vos digo: todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará." (Mc 10, 14-15; Lc 18, 16-17; Mt 19, 14)

Quando Jesus explica isso a seus discípulos, à primeira lida poderíamos pensar que ser infantil é uma qualidade e tanta! Porém, notas como as que constam nas traduções da Bíblia pela editora Ave-Maria e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nos esclarecem as palavras do Mestre:

Receber o Reino significa receber Cristo, o Evangelho, a graça. Urge recebê-lo com a simplicidade de uma criança para que se possa entrar nele.

Esta é a característica que a Igreja ressalta nas criancinhas (ou pequeninos) e que todos devemos rememorar e copiar: a simplicidade.

É bom recorrer ao dicionário, a fim de ir a fundo e compreender o significado das palavras. De acordo com o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, entre outras coisas, Ser Simples é ser:
1) Sem ornatos nem enfeites, ou seja, Modesto; Sem luxo,
2) De fácil interpretação,
3) Puro; claro,
4) Singelo; inocente e
5) Crédulo.

Todos essas virtudes, que felizmente ainda identificamos em muitas crianças, compõem a simplicidade que Jesus espera encontrar em nós. Nossa grande luta deve ser voltar a incorporá-la ao nosso caráter, ao nosso modo de ser, de sentir e de nos portar no mundo, para que alcancemos o Reino dos céus.

Acontece que o termo infantil implica aquilo que é "próprio de criança". E "próprio de criança" não é somente a simplicidade, e sim uma série de outros atributos, digamos, um tanto negativos... Engraçado: em vez de mantermos em nós a simplicidade da criança, preferimos levar pela vida afora todos esses outros atributos! É uma baita ironia: conservamos na vida adulta "o pior" de uma criança, e não o melhor.

Este Post d'A Católica, portanto, pretende elencar dez características infantis que tornam muitos de nós e consequentemente a sociedade na qual vivemos Infantilizados. Assim,

Como as Crianças....


8 de dezembro de 2011

Tornando o NATAL mais prazeroso

Tenho uma teoria sobre adultos que não gostam do Natal.
Ela revela por que devemos dar importância a essa Data Especial

(Fotografia de Ana Paula~A Católica - acatolica.blogspot.com)

Nunca vou me esquecer de quando li numa das edições da revista brasileira Cláudia uma frase e tanta atribuída ao poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) : é preciso erotizar o cotidiano. O verbo - que poderia causar polêmica num Blog católico - significa apenas, conforme apreendi da leitura da reportagem, tornar o cotidiano mais interessante, excitante, empolgante.

Li essa frase em torno dos meus 17 anos de idade. E acolhendo os conselhos da matéria jornalística, nunca mais consegui tomar café que não fosse em uma xícara (com asa), cuidadosamente colocada sobre um pires. Vinho, somente em taça apropriada. Talheres dispostos na mesa sobre um guardanapo. Os pães têm a sua faca; a manteiga idem. Nada de misturar, usando uma no lugar da outra.

Tudo isso, que soaria como futilidade e frescura, na verdade, guarda e reflete um desvelo indispensável com a vida, com nós mesmos, com a nossa rotina. Um café em uma xícara de porcelana, em vez de servi-lo em um copo de vidro, dá a ele mais sabor. Sério. É mais gostoso tomá-lo assim. E de cuidado em cuidado, a nossa rotina, da qual a hora das refeições faz parte, torna-se mais organizada e prazerosa.

Pensei nisso, porque estamos na época do Natal.

Com a correria, alguns de nós acabamos protelando o momento de parar com tudo para nos concentrarmos em adornar a casa - nem que seja somente montando a árvore ou o Presépio num canto da sala de estar. Acabamos deixando para lá, adiando... Assim, a noite de 24 de dezembro chega e o nosso lar segue com a cara de sempre: não nos preparamos para o Espírito Natalino nem mesmo com a decoração.

Usar a faca certa na manteiga, tomar vinho na taça, distribuir enfeites de Natal pela sala de estar...

... Atitudes que podem parecer "perda de tempo", num mundo - este no qual vivemos - onde cada minuto é precioso para produzirmos mais, ganharmos mais dinheiro ou simplesmente assistirmos mais à TV. "Pra quê taça? Tomo meu gole de Almadén no copo de requeijão mesmo!"; "Pra quê pegar a escada, alcançar o alto do armário e descer com aquela árvore velha e aquelas caixas com bolas vermelhas descoradas?"

Acontece que focamos o processo - pegar a escada, abrir a porta do armário, descer com os enfeites, desembalá-los, juntar as embalagens, subir na escada de novo, guardá-las, fechar o armário, pôr a escada no lugar... Ufa! Que canseira! - e nos esquecemos de mirar, lá adiante, o prazer com o resultado. A casa está ornada para o Natal, refletindo o nosso contentamento, a nossa abertura para um tempo diferente no calendário.

Papai Tuti montando a árvore de Natal em 2011 -
Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.blogspot.com)

Farney montando o nosso Presépio em 2011 -
Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.blogspot.com)

30 de novembro de 2011

Vivemos a cultura do divórcio

IBGE divulga número de casamentos desfeitos no Brasil.
Vaticano celebra 10 anos do Primeiro Casal Beatificado na Igreja.
O que temos a aprender com tudo isso?


(A photograph of a wedding license from 1883, por David W. Crider)

Há três anos, quando pessoas próximas (parentes, amigos) ficaram sabendo que Farney e eu nos casaríamos após 8 anos juntos - seis de namoro e dois de noivado -, ele e eu ouvimos comentários "interessantes". O primeiro foi em 25 de maio de 2008 - guardei a data, porque ocorreu em uma feira de livros aqui em Belo Horizonte, quando adquiri a obra Teresa de Ávila, de Walter Nigg (Edições Loyola).

Naquele dia, uma conhecida do meu marido me perguntou se eu colocaria o sobrenome dele. Respondi que não, que o meu nome completo seguiria o mesmo. Ante a minha resposta, eis "a pérola" que ela soltou: "Melhor assim. Quando tiver que se separar será mais fácil...". Juro, internauta d'A Católica. Não estou brincando. Eu ouvi isso às vésperas do meu casamento.

Alguns meses depois, quando os convites já estavam distribuídos, recebi um telefonema no qual um conhecido meu me desejava Tudo de Bom... Teria sido uma ligação maravilhosa, se ele não tivesse feito questão de acrescentar aos seus votos de Felicidades esta observação: "Mas não se esqueça, Ana Paula. Casamento não tem que ser para sempre. Se tiver que se separar, separe!".

As lembranças desses comentários vieram à tona neste 30 de novembro, porque me deparei com as notícias sobre a nova pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Os títulos dos artigos na Internet variavam entre Taxa de divórcios atinge seu maior valor em 2010 no Brasil e Taxa de divórcio sobe a 1,8 para cada mil brasileiros.

Fotografia de Frank Vincentz

Achei curiosa a coincidência, pois em 22 de novembro a agência de notícias Zenit publicou o seguinte artigo: Uma Segunda Chance Para o Matrimônio, cujo subtítulo é "Dicas de como reduzir os divórcios". Reduzir? Segundo o texto do site Exame.com, para Cláudio Crespo, gerente de estatísticas vitais do IBGE, "os números [da pesquisa do instituto] confirmam a consolidação da aceitação do divórcio pela sociedade brasileira".

É verdade: os comentários que Farney e eu tivemos que escutar ao anunciarmos o nosso matrimônio em 2008 demonstram que Crespo está com a razão.

O divórcio não somente é aceito aqui no Brasil, como já é esperado por alguns parentes e amigos. Parece que junto com o convite bonito, guardado com carinho em um envelope duro, com os nomes dos noivos e de seus pais em alto relevo e o endereço da paróquia onde se dará a cerimônia, aquelas pessoas conseguem "ver", embora em nenhum lugar esteja legível, a data da separação...

Eu não as culpo.

29 de novembro de 2011

Por que os jovens abandonam a Igreja?

Lembro por que uma vez abandonei a Igreja Católica
e sei muito bem por que eu voltei:
graças aos trabalhos de Padre Marcelo Rossi e da TV Canção Nova

(Padre Marcelo em 2006 - Fotografia de Sérgio (Savaman) Savarese)

Acabei de ler uma notícia recém-publicada no site de notícias Zenit, cujo título é o mesmo que dei a este Post d'A Católica. Ao terminar a leitura do artigo, que gira em torno do lançamento do livro You Lost Me: Why Young Christians are Leaving the Church... and Rethinking Faith (Você me perdeu: por que jovens cristãos estão deixando a Igreja... E repensando a fé), comecei a refletir por que eu, Ana Paula, no início dos anos 1990, com cerca de 15 anos de idade, deixei a Igreja...

... Mas, principalmente por que, já na casa dos 30, voltei. Decidi voltar.

Pelo que apreendi do texto da Zenit, são inúmeros os motivos pelos quais os jovens de cerca de 20 anos de idade abandonam a participação institucional, ou seja, deixam de comparecer às missas: "Ao analisar as causas do afastamento dos jovens das igrejas, Kinnaman [um dos autores do livro] admite que esperava encontrar uma ou duas razões principais, mas descobriu uma grande variedade de frustrações que levam as pessoas a esse abandono".

Uma dessas razões me chamou a atenção:

Em muitos casos, as igrejas não conseguem educar os jovens em profundidade suficiente. Uma fé superficial deixa adolescentes e jovens adultos com uma lista de crenças vagas e uma desconexão entre a fé e a vida diária. Como resultado, muitos jovens consideram o cristianismo chato e irrelevante.

No início da adolescência, comecei a achar a Santa Missa a "coisa mais chata do mundo". Tediosa, repetitiva, sem nexo. Também não entendia por que a gente tinha que levantar, sentar, ajoelhar, levantar de novo, sentar... Não via sentido nessa movimentação toda: morrendo de preguiça, eu só queria saber de ficar assentada até o padre dizer: "Vamos em paz e que o Senhor nos acompanhe". Ao que respondemos: "Graças a Deus". Para a jovenzinha que fui, era "Graças a Deus" mesmo. Literalmente: "Ufa! Acabou!".

Coincidentemente, desolada pela morte da minha avó inesquecível, a Nelita ou Mãe-Ita (sobre quem já publiquei um Post aqui n'A Católica), minha mãe se tornou espírita kardecista. Segundo suas próprias palavras, essa doutrina oferecia um consolo que ela não encontrou na Igreja Católica. Curiosa, aberta ao que é novo e motivada pelo entusiasmo da minha mãe e da minha madrinha, acompanhei-as nessa escolha e também passei a crer em "outras vidas", etc., etc., etc.

Surpreendentemente porém, com o passar dos anos, o espiritismo kardecista não me preencheu. Comecei a sentir falta do Santo Terço, das preces aos santos, dos rituais e de outros elementos que só a Igreja Católica tem.

A questão é: como essa espécie de "saudade do Catolicismo" foi tomando conta de mim? Resposta: foi me dominando, porque no final dos anos 1990 a Renovação Carismática Católica ganhou força no Brasil, sobretudo personificada na figura de um padre alto, de olhos azuis e extremamente animado: Padre Marcelo Rossi.

25 de novembro de 2011

Para entender (e viver) o Advento

Nesse tempo litúrgico, a Igreja se prepara para o Natal,
para se despedir da noite
e receber com festas e cânticos a Nossa Luz: Cristo Jesus!


(Imagem de Gustavo Rezende)

A Igreja Católica não celebra o nascimento do bebê Jesus assim, de qualquer jeito, só porque o calendário indica que 25 de dezembro chegou. Não. Há toda uma preparação que, de acordo com o Dicionário Católico Básico (Editora Santuário, 2002), "inicia-se no quarto domingo antes do Natal e termina antes da primeira prece da noite de Natal". OK. Mas, o que isso implica afinal?

Conforme os Reverendos John Trigilio Jr. e Kenneth Brighenti elucidam no ótimo livro Catolicismo para Leigos (Alta Books, 2008):

O Advento é o tempo em que os fiéis se preparam espiritualmente para o Natal, em meio a todas as compras, decorações, cozinha e festas. O Advento diminui a festividade para os católicos, para que a celebração verdadeira possa tomar lugar no dia do nascimento de Jesus, o Natal.

Assim, durante o Advento (os dois padres continuam):

- Os católicos tipicamente se confessam para prepararem-se para o Natal;
- Alguns vão à Missa todos os dias da semana;
- A maioria ora mais e pratica a paciência e tolerância - enquanto o restante do mundo enlouquece com as compras de Natal (...).

Na obra Para Entender e Celebrar a Liturgia (Cléofas, 2008), Professor Felipe Aquino - que já foi chamado de "Google da Igreja Católica", devido a seu vasto conhecimento - também enfatiza essa preparação:

O Tempo do Advento deve ser uma boa preparação para o Natal, deve ser marcado pela conversão de vida; algo fundamental para todo cristão. É um processo de vital importância no relacionamento do homem com Deus. O grande inimigo é a soberba, pois quem se julga justo e mais sábio do que Deus nunca se converterá. Quem se acha sem pecado não é capaz de perdoar ao próximo e nem pede perdão a Deus.

Outra pergunta se impõe: quais são os meios de que os católicos se valem para viver bem o Advento e efetuar essa preparação para "a Festa do Natal de Jesus"?

14 de novembro de 2011

O jantar dos bichinhos e o sentido da vida

A morte faz parte da vida e lhe dá sentido.
Nossa meta deveria ser acertar de primeira, em vez de
fazer a maioria das coisas com má vontade

(Imagem de David Wagner)

Nunca vou me esquecer daquele dia em que Mamãe Gali fez a minha irmã Andréa Cristina voltar pelo menos 4 vezes à padaria. Nós fazíamos um revezamento: num dia era a minha vez de ir; no outro, era a vez dela. Estávamos as duas entrando na pré-adolescência, naquela fase em que nosso corpo muda e tudo - absolutamente tudo - é motivo de vergonha. Principalmente andar na rua sozinha, com as pessoas nos olhando.

Naquele dia, Andréa Cristina estava "um poço de má vontade"... Chegou em casa com a quantidade errada de pães e sem o leite. Mamãe Gali a obrigou a retornar. Número 1. Depois, ela chegou com a quantidade certa de pães, mas se esqueceu do leite (de novo). Teve que voltar. Número 2. Em seguida, chegou em casa com o leite, mas a moça do caixa lhe deu o troco errado. Lá foi ela outra vez. Número 3. Por fim, ela tornou a não conferir o troco que a tal moça lhe deu. Meia volta para a padaria. Número 4.

A essa altura, meu estômago doía de tanto dar risada da cara da minha irmã, que era de pura desolação: morávamos no terceiro andar e ela subiu e desceu aquelas escadas zilhões de vezes!... Sem contar a vergonha ante os funcionários da padaria! Minha mãe só repetia o dito popular: "Preguiçoso trabalha mais". Pura verdade.

Algumas (ou muitas) vezes, temos uma tremenda falta de cuidado em fazer as coisas bem logo na primeira vez. Ou logo "de prima" - como na gíria do meu primo Carlos William, o Cacá. Damos muita moral à displicência. Uma coisa é errar querendo acertar. Outra bastante diferente é errar por desleixo, falta de concentração, preguiça mesmo.

Pensei nisso tudo depois de assistir no dia 5 de novembro ao programa Questões de Fé, da TV Horizonte.

Naquele sábado, o apresentador Padre José Cândido (da Paróquia São Sebastião, aqui de Belo Horizonte, no Brasil) refletia sobre o feriado de Finados* e afirmava que a função da morte é dar um sentido para a vida. De acordo com o pároco, a finitude dela nos oferece um foco, nos leva a reunir as nossas forças para atingir uma meta. Senão, viveríamos "de qualquer jeito", já que a nossa existência "não acabaria nunca"...

11 de novembro de 2011

Canção contra o Aborto


Nota: Este Post d'A Católica é dedicado a todas as mulheres que já abortaram. Tenho um profundo respeito e compaixão por cada uma delas. Desejo que a misericórdia de Deus as atinja de tal forma, que possam perdoar a si mesmas e seguir adiante. Apesar de tudo, somos todos filhos amados Dele. Que a Misericórdia Divina também chegue a seus filhos que não nasceram.

Este Post também é dedicado a meu primo Flávio Augusto, pai do Gabriel Augusto, que em 1999 me apresentou um dos melhores CDs que conheço: The Miseducation of Lauryn Hill (1998), no qual consta uma das mais lindas canções já gravadas: To Zion. Segundo li, trata-se de uma obra autobiográfica, composta e cantada pela norte-americana Lauryn Hill. Acompanhe.

9 de novembro de 2011

Maus exemplos de idosos

Quando se tem a fronte enrugada e muitos fios brancos na cabeça,
já passou da hora de levar o próprio crescimento a sério.
Chega de agir como se a vida não fosse acabar num dia

(Fotografia de צולם ע"י צביקה שיאון)

Acho que poucos de nós temos a consciência da MORTE. Ou de uma vida após a morte. Desde os mais jovens, a quem assistimos nos telejornais aqui no Brasil dirigindo automóveis embriagados e em alta velocidade, até os mais velhos. Não tratamos a vida como um bem precioso, se não por outra razão, ao menos por ela ser passageira. Agimos como se não temêssemos o Juízo Particular nem mesmo o Juízo Final*.

Como eu disse, parecemos gostar de rotular o comportamento dos jovens de "inconsequente". Geralmente, e conforme a mídia nos passa, são eles ousados e rebeldes o suficiente para se envolverem com drogas a ponto de colocarem em risco o futuro e a própria integridade física. Comentamos nas rodas de amigos ou em festas que a juventude de hoje "está perdida", "sem sentido": são egoístas e dão excessiva importância ao consumismo e às aparências.

Acontece, internauta d'A Católica, que o que me choca bem mais do que assistir ao exército de moças achando que um silicone nos seios será "A Solução dos seus problemas de autoestima" é ver idosos exibindo falhas de caráter que há muito já deviam ter superado. O que me choca não é assistir a alguns jovens desta geração esquecerem a solidariedade, desconsiderarem os regulamentos e desconhecerem os bons modos. E sim, os velhos fazerem tudo isso.

Vejamos.

Tempos atrás, o síndico (ou seria zelador?) de um prédio - um homem com a cabeça branquinha - ocupou descaradamente a vaga de um dos moradores, causando grande transtorno. Em vez de se desculpar e retirar prontamente o seu carro (que tinha o adesivo enorme de uma igreja cristã aqui de Belo Horizonte colado no vidro de trás), decidiu bater boca com o morador e ameaçá-lo. Tudo isso, diante da neta. Ele estava errado e não respeitou nem mesmo a presença da neta de menos de um ano de idade.

Soube desse fato e fiquei pensando na tristeza daquele idoso, que teoricamente está mais próximo da morte do que o jovem morador, uma pessoa de idade agindo com tamanha falta de escrúpulo, demonstrando tanta ausência de bom senso e de civilidade, dando para uma criança tão novinha um exemplo tão vívido de intolerância e arrogância.