1 de março de 2013

Habemus papam! Ops. O que é um Papa?

A Católica pesquisou e compilou quase tudo
o que você sempre quis saber sobre um Papa.
São 20 dúvidas resolvidas. Tire-as AQUI

Imagem: Papa Paulo VI (1963-1978) - 1963 - Vatican City (picture oficial of pope)


1) O que é um Papa?

Vamos começar pela semântica da palavra “Papa”.

Conforme o professor Richard P. McBrien, em Os Papas - Os Pontífices de São Pedro a João Paulo II (Edições Loyola, 2004), “papa” significa “pai” em italiano. Ele revela que o termo se aplicava, “nos primeiros séculos da história da Igreja, a todos os bispos do Ocidente” e, no Oriente, aos padres e ao patriarca de Alexandria - patriarca, segundo o autor, é “o título do mais alto bispo de igreja autônoma ou de federação de igrejas locais (conhecidas como dioceses ou eparquias)”.

Contudo, em 1073, o papa Gregório VII (1073-1085) determinou formalmente que o uso do título de “papa” ficava proibido para todos, a não ser ao bispo de Roma. Ainda de acordo o professor Richard P. McBrien, além de bispo de Roma, o Papa

Tem vários outros títulos: vigário de Jesus Cristo, sucessor do chefe dos apóstolos (vigário de Pedro), supremo pontífice da Igreja universal, patriarca do Ocidente, primaz da Itália, arcebispo metropolitano da província romana, soberano da cidade-estado do Vaticano e servo dos servos de Deus.

O padre jesuíta Thomas J. Reese, no livro O Vaticano por dentro - A Política e a Organização da Igreja Católica (Edusc, 1999), enumera os seus papéis: “Ele é o bispo de Roma, o governante soberano do Estado da Cidade do Vaticano, e o sucessor de São Pedro como chefe do colégio dos bispos.” E destrinça cada um deles:

Como bispo de Roma, é diretamente responsável pelas necessidades espirituais dos 2,6 milhões de católicos da diocese de Roma, assim como todos os bispos de todo o mundo são responsáveis pelas necessidades espirituais dos fiéis de sua Igreja local.

Como monarca da Cidade do Vaticano, um Estado independente [...], o papa é chefe de Estado civil como qualquer outro monarca de um Estado pequeno reconhecido no direito internacional.

Como chefe do Colégio dos Bispos, que inclui todos os bispos do mundo, o papa lidera e dirige a Igreja Católica, sobre a qual ele e o Colégio têm a suprema autoridade.

Fotomontagem feita na Europa, em 1889, com os maiores governantes do mundo.
Nota: Dom Pedro II, então imperador do Brasil, é o 8º da esquerda pra direita.
Papa Leão XIII (1878-1903) aparece bem à direita - Autor Desconhecido

(CLICK na imagem para vê-la ampliada)

Pope Leo XIII (circa 1898),
Historical Publishing Co., Pittsburg, PA

O sacerdote pontua: “O Estado da Cidade do Vaticano é um Estado soberano reconhecido no direito internacional. Quando um homem é eleito bispo de Roma e papa, também automaticamente torna-se dirigente da Cidade do Vaticano”. Ele continua: “Como governante da Cidade do Vaticano, o papa é o último monarca absoluto da Europa, com autoridade legislativa, judicial e executiva suprema”.

Jose Puente Egido, na obra Personalidad Internacional de la Ciudad del Vaticano (Instituto Francisco de Vitória, 1965), qualifica a função do Papa de maneira semelhante: “Conforme o tratado [de Latrão], a legislação interna vaticana conferiu ao Estado da Cidade do Vaticano um regime que se identifica notavelmente com o de uma monarquia absoluta”.

O jornalista J. D. Vital, em Quem calçará as sandálias do pescador? (Ed.Autor, 2003), cita a nova Lei Fundamental da Cidade do Vaticano, de 26 de novembro de 2000, e informa que o Papa é aquele que:

Será “Soberano” com “a plenitude dos poderes legislativo, executivo e judiciário”. O único, de acordo com o artigo 19 da Lei que substitui o documento baixado em 1929 por Pio XI [1922-1939], com “a faculdade de conceder anistia, indulgência, perdão e graça”.

O também jornalista Nino Lo Bello, autor de O incrível livro do Vaticano e curiosidades papais (Editora Santuário, 2003), pondera: o Papa “não é apenas o chefe executivo do país, mas também o legislativo e o judiciário; entretanto, não é nenhum ditador nem déspota”.

21 de fevereiro de 2013

Vídeo divertido: como se tornar um Papa...

Querido internauta d'A Católica:

Acabei de assistir, através do Blog The Crescat, a um divertidíssimo vídeo sobre o bê-á-bá ou o passo-a-passo para alguém (um homem) se tornar Papa.

Mesmo que esteja em inglês, acredite: dá pra gente entender tudo direitinho. Um resumo interessante e (muito) bem-humorado. Divirta-se e... Aprenda.

Saúde e Paz!!





Meu padrinho, Antônio

Tenho a sorte e a bênção de ter um padrinho (com nome de santo)
vivendo na África do Sul há mais de 12 anos, mas presente a minha vida toda.

Mesmo com todo um oceano Atlântico entre nós...

Imagem: Antônio em São Paulo - 2011 - Ana Paula~A Católica (acatolica.blogspot.com)

Minha lembrança mais remota é um Fusca verde-escuro. Foi um dos primeiros carros do meu padrinho, Antônio - o Toninho, ou melhor, o Padinho. Tenho uma recordação vaga de um piquenique no alto de um morro, gramado e rodeado de árvores, e o Fusca lá embaixo, estacionado. Era tão vidrada no automóvel dos meus padrinhos, Suzana e Antônio, que quando ia ao Parque Municipal com os meus pais, brincar em uma espécie de carrocel de veículos, sempre escolhia a réplica de um Fusca verde-escuro para me assentar.

Outra lembrança é a piscina para crianças do clube Cruzeiro.

Ao contrário dos outros pais, que preferiam olhar os filhos à distância, sob a sombra e com a cerveja gelada numa das mãos, o Padinho estava lá, sob o sol, dentro da piscina maxi-rasa, com uma boia em forma de peixe nas mãos, correndo, ou melhor: nadando, atrás do filho Flávio Augusto, da minha irmã Andréa Cristina e de mim, gritando: "Eu sou o jacaré! Lá vem o jacaré!". Lembro também o olhar meio perplexo, meio admirado das outras crianças, como se quisessem ter um pai como aquele.

Mais uma lembrança: meu padrinho, minutos infindáveis na fila de uma montanha-russa, enquanto Flávio Augusto, a filha caçula, Viviana Paula, Andréa Cristina e eu nos divertíamos em outros brinquedos. Ele ficava em pé, na fila, apenas para guardar lugar para todos nós, já que a tal montanha era concorridíssima.

Lembro também as mesas impecáveis de café-da-manhã que ele montava todos os sábados na casa dele. Meu padrinho achava "um crime" cortar o pão com a faca da manteiga e usar a faca de cortar o pão para passar a manteiga. Tudo tinha a sua função, o seu lugar. E o café-da-manhã ficava mais saboroso, tamanho o zelo da apresentação. O presunto parecia de outro mundo!...

Uma de suas lições: não se pode ficar à mesa com os braços abertos. Então, "obrigava" Flávio Augusto, Andréa Cristina e eu a colocar - e segurar - sob ambos os braços jornais dobrados, a fim de mantermos a postura. (Flávio Augusto detestava isso e chorava. Assim como chorou na vez em que meu padrinho não o deixou almoçar sem camisa e com o boné. Obrigou-o a pôr uma e tirar o outro.)

15 de fevereiro de 2013

Afinal: quem pode escolher o novo Papa?


Quer saber quem está apto a eleger aquele que ocupará o lugar de Bento XVI?
Entenda neste Post como funciona a eleição mais singular do mundo

Imagem: Pope Innocent III (1198-1216) wearing a Y-shaped pallium


– “Quem será o próximo Papa?” Esta pergunta também é para nós...

– Existem outras maiores, mais urgentes! Que diferença faz
quem governa os 2,6 km² no centro de Roma?

– Quem quer que seja ele, será a voz de Deus para um quarto do mundo...

Diálogo do filme: As Sandálias do Pescador - The Shoes of the Fisherman (EUA, 1968)


A conversa acima foi a epígrafe da monografia que escrevi anos atrás, cujo título era mais ou menos assim: É Estado ou não é? O Estado da Cidade do Vaticano no Direito Internacional.

Em As Sandálias do Pescador, a personagem de Anthony Quinn é eleita Sumo Pontífice por aclamação. Nesse tipo de escolha, conforme a descrição do professor Richard P. McBrien, no livro Os Papas - Os Pontífices de São Pedro a João Paulo II (Edições Loyola, 2004), "um ou mais cardeais levantam-se e proclamam um candidato, seguido de outros, até haver um consenso geral para eleger aquele candidato sem votação formal". Pio IV foi eleito dessa forma em 1559, assim como Gregório XV, em 1621.

Papa Gregório XV (1621-1623) - Século 17 - Guido Reni

Nos dias que correm, a eleição por aclamação - retratada de modo emocionante no filme com Anthony Quinn - não é mais possível: ainda segundo Richard P. McBrien, em 1996, o Papa João Paulo II promulgou normas e procedimentos para as votações papais na constituição apostólica Universi Dominici gregis. Ficou estabelecido, então, que "a única forma de eleição é por escrutínio secreto, do qual todos os eleitores participam".

É justamente esta a questão que dá título ao Post d'A Católica: quem são "todos os eleitores"? Quem está apto a eleger um novo Papa? Para responder e expor tintim pot tintim (como dizemos aqui no Brasil) todo o desenrolar do processo que culmina na famosa fumacinha branca saindo de uma chaminé no Vaticano, divido com você, internauta, o resultado da pesquisa que fiz para a monografia que mencionei linhas acima. Acompanhe.

11 de fevereiro de 2013

O Papa não quer mais ser Papa

Para choque, confusão e comiseração minha,
Joseph Ratzinger se sobressaiu a Bento XVI.
A propósito: quantos Papas renunciaram antes dele?

(Imagem: Pope Benedict XVI in a crowd in Saint Peter's square, By dgodin)

O ano mal começou e a maior notícia do ano já aconteceu: o bispo de Roma renunciará no próximo dia 28. Minha irmã, Andréa Cristina, me telefonou cedo de São Paulo: "Põe na Globo News, que o Papa não vai ser mais Papa". Desliguei na sua cara. E fiquei. Fiquei. Fiquei assentada no sofá branco da sala repetindo quieta, porém desnorteada: "Puxaram o meu tapete... Puxaram o meu tapete...". Não há tapete na sala. É apenas uma expressão que usamos aqui no Brasil quando algo completamente inesperado ocorreu.

Semanas atrás, terminei de ler duas biografias: Bento XVI - O Guardião da Fé e Itinerário Teológico de Bento XVI. Falei delas no Post anterior do Blog A Católica: Os santos, Bento XVI e o amor à Igreja. Senti-me mais próxima do Papa ao me familiarizar com sua trajetória, suas lutas, suas ideias, seu comprometimento com a Verdade. Por isso, não paro de me perguntar: "Por quê?". Por que ele não quer mais ficar à frente do barco da Igreja como João Paulo II, que vimos se apagar sem abandoná-lo?

La Vague Verte (after 1865), Claude Monet

Não julgo. Mesmo porque é coisa rara de se ver alguém assumir a própria pequenez. Ele não consegue mais manter as mãos no timão. Admitiu a fraqueza. Não quer que o barco se desoriente, se perca, se choque nas pedras. Então se retira e cabe à parte da tripulação - aos cardeais - reunirem-se e escolherem outra pessoa apta, sobretudo fisicamente. (Vi um especialista dizer na TV que não é fácil ser Sumo Pontífice nos dias que correm, devido ao volume de compromissos e à atividade intensa.)

8 de fevereiro de 2013

Os santos, Bento XVI e o amor à Igreja

Neste Post: 1 conselho do Pe. Paulo Ricardo; 2 livros sobre o Papa.
E mais: Leonardo Boff, Hans Küng e Marcel Lefebvre...

Imagem: Cardinal Joseph Ratzinger (Pope Benedict XVI since 2005) on May 10, 2003 in Poland
Picture taken by Janusz Stachoń and released under CC-BY license by Szamil (www.szczepanow.pl)

As palestras do Padre Léo eram imperdíveis - tenho mais de 100 delas. As do Professor Felipe Aquino, sobretudo quando fala de família, dogmas e história da Igreja, também. Outro orador que há muito tempo tem me cativado é Padre Paulo Ricardo. Quando ele participa de algum acampamento na Canção Nova, transmitido ao vivo pela TV, é bom prestar a atenção.

Em 27 de outubro do ano passado (2012), o sacerdote falou durante um acampamento da Pastoral da Sobriedade. O interessante é que seu discurso abordou Cristo, santidade - especialmente a santidade de Padre Pio - e o amor à Igreja Católica: "Você olha a vida do Padre Pio e vê que Jesus Cristo está vivo na Igreja Católica"; "Cristo era sofrido e padecido nele".

O que me chamou a atenção na palestra foi a orientação que Padre Paulo Ricardo deu àquelas pessoas que gostariam de retornar à Igreja ou que gostariam de incentivar que outros voltem pra ela: "Antes de ir aos Evangelhos, que podem ser lidos como algo histórico, datado, leia a vida dos santos primeiro"; "Se existe uma história que vale a pena ser contada é a história dos santos".

Achei esse seu conselho magistral, porque o coloquei em prática anos antes. Foi exatamente assim que retornei à Igreja Católica: lendo vida de santos entre os anos de 2005 e 2007.

Li, por exemplo, as biografias de Santa Teresa de Ávila, de Santo Antônio e voltei a rezar para Santo Expedito. Costumo dizer que esses três santos me conduziram de volta à Igreja, levando-me pelas mãos, pelos exemplos de suas histórias. (A propósito, escrevi um Post a esse respeito: A mídia devia dar mais espaço à vida dos Santos.) Só então eu busquei a Bíblia, incentivada pelo valiosíssimo método de leitura e estudo do Monsenhor Jonas Abib - conforme relato em outro Post d'A Católica: É fácil ler a Bíblia!.

Há ao menos 1 ponto em comum a todos os santos, cujas biografias eu li: todos viviam de amores pela Igreja Católica. Pensei comigo mesma: "Se santos que eu tanto admiro, cujas vidas são um exemplo eloquente de entrega ao próximo, de dedicação a viver a mensagem de Jesus Cristo, se esses santos amavam tanto a Igreja, defendendo-a, ela só pode mesmo ser digna de ser amada!...".

Pois é justamente isso o que a vida de Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI, mostra: a Igreja Católica merece ser amada.

Recentemente, terminei de ler dois livros, um em seguida ao outro: Bento XVI - O Guardião da Fé (Record, 2006), de Andrea Tornielli, e Itinerário Teológico de Bento XVI (Editora Ave-Maria, 2006), de Dom João E. M. Terra, SJ.

2 de fevereiro de 2013

As unhas dos meus pés estão grandes

Nas mãos, têm função estética. Nos pés, elas servem pra nada.
(Quem me dera tivessem a habilidade que conferem aos felinos.)

Imagem: fotografia de Malia Autio

As unhas dos meus pés estão grandes. Sempre reparei as do meu marido (quando é nos outros é mais fácil notar). Estou me acostumando com elas - nem dá vontade de cortar. Mas, fica feio nas sandálias. Não demora, vou ter que eliminá-las.

Unhas grandes nos bichos são úteis e admiráveis. (Creio que) graças a elas, os felinos escalam árvores nas savanas africanas pra poderem descansar. Com elas também unham os inimigos e retalham as presas. Nos humanos, não. Unhas compridas só têm função estética.

Fotografia de Broc

Fotografia de Bohuna Mikulicová

30 de janeiro de 2013

Jaime Augusto faz 1 ano

Meu filho nasceu há um ano, na Hora da Misericórdia.
Neste Post do Blog A Católica, eu conto
tudo o que a maternidade me trouxe. (E me tirou...)


Imagem: na foto, tirada há 15 dias, Jaime Augusto
dá as Boas-Vindas à prima Manuela Camargo.
Ana Paula~A Católica - acatolica.blogspot.com

Pode haver coisa mais linda do que acompanhar de pertinho, de camarote, um ser humano se desenvolver? Crescer fisicamente, treinar habilidades, vencer os próprios limites (ainda são tantos!...) e conquistar os espaços?

Há exatamente 1 ano, "na Hora da Misericórdia" - como bem lembrou a minha Tia Olímpia -, Jaime Augusto chegou a este mundo. Desde então, desconheci o que é dormir uma noite toda sem interrupções, o que é assistir à TV quando eu bem entender, como abrir um livro entre 9h da manhã e as 10h da noite e conseguir ler ao menos uma página inteira, bem como o prazer de sair para passear, sozinha, sem hora pra voltar.

Sim: houve perdas. Fiquei sobretudo sem tempo. Sem tempo para mim mesma.

Porém, houve um ganho e tanto: nada que eu, Ana Paula, vivi até agora em 36 anos de vida se equipara ao prazer de ver Jaime Augusto me abraçar apertadinho e deslizar suas mãozinhas pelo meu cabelo, quando o sono lhe pesa. Adoro sua gargalhada, adoro quando expressa fonemas ininteligíveis e quando se equilibra sobre um dos joelhos, tentando ficar de pé (ou ao menos um palmo mais alto do que o nível do chão).

28 de janeiro de 2013

Dona Zé e os 231 jovens que morreram no Sul do Brasil

Ao contrário da senhora de 72 anos, 4 meses e 15 dias,
os estudantes que partiram devido à tragédia em boate no Brasil
não aprenderão as lições que só o passar dos anos nos traz

(Imagem: fotografia de George Hodan)

Achei que eu iria embora pra casa tão logo a missa terminasse. Não foi bem assim. O padre (cujo nome não sei) pediu que nos assentássemos, porque seria feita uma homenagem. Lá na frente uma mulher, que me pareceu nova, começou a ler um texto tão bem redigido, tão cheio de palavras precisas, que até mesmo as crianças ficaram quietinhas, esperando que ela terminasse. Não reclamaram.

O texto era sobre a sogra dela, que havia falecido aos 72 anos, quatro meses e 15 dias de vida. Tinha um monte de apelidos. Memorizei um: "Dona Zé". Assim mesmo, no masculino.

A nora, cujo nome também não sei, descreveu a personalidade de Dona Zé: "Para ela, era oito e oitenta. Em todas as áreas de sua vida, detestava o 'mais ou menos'"; contou que a lasanha da sogra era "deliciosa" e que se desentendiam em alguns aspectos, sobretudo na pontualidade: "Eu chegava a um compromisso uma hora e dez; ela queria que eu chegasse [faltando] dez pra hora...". Gostei desse jogo de palavras.

Emocionada, continuou: "Ela pedia pra não ser importunada depois das 20 horas, mas estava a postos pra todo mundo, a hora que fosse; gostava de sua casa, porém arrumava qualquer pretexto pra dar uma saída; estava idosa, contudo se sentia com energia suficiente para se inscrever no coral da igreja e cantar no meio dos jovens, dos adolescentes. Eu a respeitava pelo simples fato de ser a mãe do meu marido e avó dos meus três filhos, mas passei a amá-la: foi uma sogra e tanto, que me defendia como uma tigresa".

Ao final da leitura, muitos na igreja choraram e a nora foi aplaudida de pé. Eu fui uma dos que se levantaram entusiasmados e cantaram junto ao coral: "Nossa Senhora, me dê a mão... Cuida do meu coração. Da minha vida... Do meu destino... Do meu caminho... Cuida de mim" - melodia famosa na voz do ídolo Roberto Carlos.

Na madrugada desse domingo, cerca de 230 jovens*, a maioria na faixa dos 20 anos de idade, foram fazer companhia à "Dona Zé".

21 de janeiro de 2013

Pragmatismo, ostentação e... Vinícius de Moraes

O saudoso artista, como observou Chico Buarque,
representa um mundo bastante diferente
da sociedade frívola na qual vivemos

(Imagem: Como funciona Vinícius de Moraes)

Assisti pela quarta vez ao excelente documentário Vinícius - Quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores? (2006), de Miguel Faria Jr. Quem ama Música Popular Brasileira (MPB), como eu, precisa ver. Porque Vinícius de Moraes - sobre quem já escrevi um Post aqui no Blog A Católica: A bênção, Vinícius de Moraes! - está entranhado na história da música no Brasil: foi um dos criadores da Bossa Nova e dos Afro-Sambas. Sem contar as inesquecíveis composições que fez com Toquinho.

Nem sempre a uma bela obra - além de musicista e letrista de primeira, Vinícius de Moraes era um grande poeta -, bem, nem sempre a uma bela obra está atada uma personalidade marcante. No caso de Vinícius, estava. Por trás de criações ímpares do cancioneiro nacional como Tarde em Itapoã, Garota de Ipanema e Canto de Ossanha, havia um homem generoso, espirituoso, amoroso, atencioso... Apaixonado.

No final do filme, quando os entrevistados - entre eles: Tônia Carreiro, Gilberto Gil e Ferreira Gullar - devem dizer como imaginavam que Vinícius de Moraes estaria hoje, caso fosse vivo, Chico Buarque disse algo que me impressionou. Suas palavras foram:

Não sei onde estaria Vinícius de Moraes hoje em dia, porque ele é o contrário de muita coisa que hoje é vitoriosa, quer dizer, a ostentação... Ele tinha toda esta coisa muita generosa, às vezes ingênua, às vezes porra-louca... Uma coisa que não existe mais hoje: nem a porra-louquice, nem a generosidade, muito menos a ingenuidade. Existe sempre um resultado que se busca, um objetivo, uma coisa pragmática e tal. Tudo o que Vinícius não era.

Então, Vinícius faz muita falta hoje. Talvez ele não pudesse mesmo estar vivo sendo "Vinícius" hoje. Não imagino em que lugar ele estaria dentro deste país em que a gente vive. Deste país e deste mundo.

17 de janeiro de 2013

Paixão por lápis e livros

Remexer numa caixa antiga, cheia de lápis de cor,
a fim de distrair o meu filho,
me fez pensar na infância e na brevidade da vida de todos nós...

(Imagem: fotografia de George Hodan)

Costumo pegar uma série de objetos durante as refeições do Jaime Augusto. Desde brinquedos até porta-copos, rolos de fita crepe, controles remotos de DVD... Tudo para distrair o meu filho, de modo que ele coma tudo. Hoje, passando o dia na casa dos meus pais, abri uma das gavetas do quarto de TV e encontrei uma caixa, a qual já tinha visto antes, porém não havia reparado bem.

Ela está repleta de lápis de cor. Antigos: quase todos sem ponta. Retirei-a da gaveta e dei-a ao Jaime Augusto - o qual, para a minha surpresa, não deu muita bola. Eu dei. E em vez de ele curtir o "brinquedo improvisado", fui eu quem me encantei com todos aqueles lápis (deve haver uns 50), de cores mil. Alguns mordidos, outros descascados. Todos, como eu disse, sem ponta.

Jaime Augusto terminou de almoçar e eu fiquei remexendo a caixa, me lembrando de quando mamãe os adquiriu. Fui me lembrando dela ensinando a mim e a minha irmã, Andréa Cristina, que havia outras cores além do rosa, do azul e do vermelho: existiam o ocre, o bonina, o verde-água... Ocre. Bonina. Verde-água. Achei chiquérrimo saber essas cores. Os nomes "sofisticados" delas.

Lápis na cor Ocre

Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.com)

Lápis Bonina e, à frente, o Verde-água

Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.com)

Contudo, mais do que recordá-las, foi gostoso verificar, em alguns daqueles lápis de cor, o meu nome e o de minha irmã cuidadosamente escritos pela Mamãe Gali. Ela pegava a Gillette, retirava uma lasca do lápis e escrevia de caneta BIC azul: "Ana Paula". Ou "Andréa Cristina". Desse modo, não haveria como nossos lápis se misturarem com os dos outros colegas. Cada um poderia levar de volta pra casa o que era seu.

1 de janeiro de 2013

... E o Vaticano CONTINUA entre nós

Pela segunda vez, A CATÓLICA visita a exposição
Esplendores do Vaticano em São Paulo (BRASIL)
e conta, para você, as suas novas impressões sobre o evento

(Imagem: Fotografia de Ana Paula~A Católica - acatolica.blogspot.com)

Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.blogspot.com)

Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.blogspot.com)

Aconteceu. Pensei que a estupenda exposição Esplendores do Vaticano ficaria no Brasil até 23 de dezembro de 2012 - conforme divulgado -, porém seu sucesso entre o público brasileiro levou a organização a estendê-la até 31 de março de 2013. Sorte minha. E sorte sua, caro internauta d'A Católica, caso pretenda visitá-la, mas ainda não o fez.

Aconteceu nesse 29 de dezembro a minha segunda visita aos tesouros do Vaticano.

Na minha primeira visita - sobre a qual falei no Post ... E o Vaticano está entre nós -, permaneci mais de 4 horas dentro da OCA do Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo (BRASIL), que abriga o evento. É muita, muita, muita coisa para se ver e ler. Desta vez, fiquei mais de 5 horas - isto mesmo: 5 horas de pé andando pelos corredores, maravilhada com as obras de arte, contemplando peça por peça e texto por texto.

Faço o tipo "visitante caxias" e não só leio todas as explicações que acompanham todos os objetos expostos, como faço questão de anotar muitas delas. Algumas, dividi com você no Post ao qual me referi acima: ... E o Vaticano está entre nós. Outras, pretendo compartilhar com você ao longo desta nova postagem do Blog A Católica.

Minha intenção é instigá-lo a ir pessoalmente à capital paulista, a fim de ver por si mesmo as belezas às quais elas se referem e que tanto me encantaram. Esplendores do Vaticano é imperdível. Se não resistir e for possível ir à OCA, eis as minhas 5 dicas: