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26 de agosto de 2013

Balada da Noite Escura

(Imagem de Ronald Carlson)

A noite tem um silêncio que me comove. Havia cachorros latindo há pouco. Mas eles se calaram. Um barulho pequeno e persistente prossegue como se viesse de dentro da minha cabeça - sei, porém, que é o motor da geladeira trabalhando lá na cozinha. Afora isso, mais nada. Nem um carro escorregando no asfalto no outro lado da rua, pra lá do buraco fundo. Nada.

O breu da noite convida à introspecção. A debates gostosos e intensos dos 2 lados de nós mesmos: aquele que quer prosseguir, aquele que quer refletir. De noite, inebriados pelo sono, prometemos fazer e acontecer: recomeçar um projeto, retomar uma meta, recobrar um caminho. Amanhece, porém, e somos fracos - como naquele poema de Fernando Pessoa, travestido de Álvaro de Campos: Tabacaria.

(Não vou falar do amanhecer. Está de noite. E está tão bom.)

Protegida pelo cobertor negro, onde pequenos holofotes que avisto pela janela pontilham, começo a perceber que nem tudo é tão ruim quanto parece, nem tão irrevogável quanto acredito. A calma e a segurança, que esse cobertor noturno me confere, levam-me a ponderar que sim: na minha serenidade pode residir uma chave para atravessar a pedra bruta, crua e espessa chamada cotidiano.

Somos tão impacientes por mudanças drásticas! Queremos o Niágara para revolver o que nos incomoda, o que nos aborrece, quando o dito popular tem a resposta: "Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura". Falta a sabedoria que insistentemente minha mãe querida tenta me passar "por osmose", mas que só este professor velho, sisudo e barbudo nos dá depois de muitos anos: o Sr. Tempo.

O barulho diurno não me deixa entrever esta luz que, paradoxalmente, a escuridão da noite me traz: com zelo, cautela e muita paciência, apesar de alguma tristeza, é possível passar pelas 24 horas do dia com muita dignidade e certa alegria. E - por que não? - até mesmo uma sensação de liberdade.

Isso mesmo: não digitei errado. Você não leu enviesado.

Quando se assume o próprio destino, quando se abraça a própria sina, aquele passarinho de asas molhadas e fechadas que habita dentro de nós começa a estendê-las, a secar as suas penas, a esticar as perninhas para alçar um voo alto, bem alto, lá no alto, rumo a não sei onde. Não sei. Juro que não sei.

Só sei que muitas vezes na minha vida os lugares mais tocantes em que estive foram justamente aqueles como este agora: simples, sem nada de especial. Apenas uma cadeira, uma mesa, eu mesma, esta janela com a persiana cor de creme aberta e esta vista da noite escura a me envolver, enquanto penso que viver é bom. Apesar do medo, apesar do nada. Apesar de tudo.

Fotografia de Ronald Carlson


16 de maio de 2013

Exposição em Sampa sobre os Jogos Olímpicos

Na exata medida em que as mascotes olímpicas ficaram feias,
as tochas se tornaram cada vez mais leves e "estilosas"...
Confira + de 30 fotos e outros destaques da mostra em São Paulo

Imagem: Misha, o fofinho e inesquecível ursinho mascote
das Olimpíadas de Moscou (1980) - Fotografia de Ana Paula (acatolica.com)

- Raquel.
- Ana Luísa.
- Cristiane.
- Waleska.
- Michele.
- Daniela.
- Micheline.
- Professora, acabamos de escolher os times.
- Ei, falta eu!
- Ah, é a Ana Paula...
- Escolha o time em que você quer ficar. Qualquer um.
- Ai... Tomara que ela não escolha o nosso!...

Era sempre assim nas aulas de Educação Física, nos meus tempos de colégio. Dentro da sala de aula, (quase) todo mundo queria ser do meu grupo, mas nas quadras... Ninguém me queria! Claro, eu era uma negação nos esportes. Pequena e magra, alvo fácil das jogadoras do time adversário. Além disso, não tinha força nenhuma para compensar o phisique du rôle mignon. Era a primeira a ser "queimada" e a prejudicar meu time.

Talvez por isso, não seja uma boa telespectadora de competições. Não tenho a mínima paciência para futebol, por exemplo. Acho uma chatice sem fim aqueles homens trocando passes rumo a um gol que custa a sair. Sem falar que é um tal de cair no chão a toda hora, só para "cavar" falta.

Porém, tanto despreparo e inaptidão para jogar ou ao menos para assistir a algumas modalidades esportivas não me impediram de, desde criancinha, AMAR as Olimpíadas. A esperar com ansiedade, de quatro em quatro anos, pela cerimônia de abertura dos Jogos e a me emocionar nos encerramentos. Para mim, as Olimpíadas são mil vezes melhores do que as Copas do Mundo de Futebol.

Com isso em mente é que fui levada pela minha irmã Andréa Cristina, que vive com o marido Luis Guilherme na maior cidade do Brasil, São Paulo, a visitar a incrível exposição Jogos Olímpicos.

Duas coisas me chamaram a atenção: 1) a mostra é coloridíssima. Super-atraente e 2) ela é curtinha. Em uma hora - até menos - você contempla tudo. E se diverte.

Se está em São Paulo e tem filhos a partir dos 7 anos de idade, pode levá-los sem medo e estimulá-los a ler os painéis verdes, vermelhos, laranjas e azuis, ricos em informações relevantes sobre a história da coroa de louros que os campeões recebem, da tocha olímpica que atravessa países e continentes para chegar ao local dos Jogos, da trégua durante as competições e... Das cobiçadas medalhas. Televisores espalhados também exibem imagens históricas e mais recentes.

Há vários pontos altos.

Adorei saber que o basquete foi inventado a partir de um cesto simples de pêssegos; AMEI ver de perto o vestido deslumbrante que a cantora Marisa Monte usou na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012 (puxa: como ela é magrinha!...); emocionei-me com a camisa da líbero Fabi, bicampeã olímpica de vôlei pelo Brasil, e surpreendi-me com um bônus (e que bônus!): uma bola de futebol com a assinatura do rei Pelé.

Destaco ainda a longa fila de medalhas - do ano de 1896 a 2012 - e as mascotes de cada edição das Olimpíadas. Aqui, faço uma observação: por que, meu Deus, elas deixaram de ser tão fofinhas, lindinhas e carismáticas como os inesquecíveis Sam, a águia (Los Angeles - 1984), e Misha, o urso (Moscou - 1980), para se tornarem grotescas, feias mesmo, como as das Olimpíadas de Atenas (2004) e Londres (2012)?

Deus me livre de algumas criações da Arte Contemporânea. Parece que alguns artistas pós-modernos querem encher o mundo de feiura!...

Bem, fico por aqui.

Na esperança de que meu rebento Jaime Augusto, que é louco pela Jabulani da Copa do Mundo de 2010 da África do Sul, se dê tão bem nas quadras como dentro da sala de aula. Senão, que a dedicação e o heroísmo dos atletas olímpicos de todos os tempos e países sirvam para inspirá-lo a superar seus próprios obstáculos. Como me inspiram. Desde criancinha. As Olimpíadas são uma metáfora da vida. Com o bônus das medalhas de ouro, prata e bronze. E das mascotes de pelúcia, claro.

Saúde e Paz!!

Serviço: Exposição Jogos Olímpicos
Centro Cultural Fiesp . Ruth Cardoso
Avenida Paulista, nº 1.313, Bela Vista, São Paulo (BRASIL)

Até 30 de junho de 2013
Segunda-Feira, das 11h às 20h
Terça-Feira a Sábado, das 10h às 20h
Domingo, das 10h às 19h

Entrada de GRAÇA
**É permitido fotografar, desde que não se utilize flashs.**
**Bolsas e sacolas devem ser deixadas em um guarda-volumes no local.**

Confira algumas imagens exclusivas que o Blog A Católica traz da exposição:

2 de fevereiro de 2013

As unhas dos meus pés estão grandes

Nas mãos, têm função estética. Nos pés, elas servem pra nada.
(Quem me dera tivessem a habilidade que conferem aos felinos.)

Imagem: fotografia de Malia Autio

As unhas dos meus pés estão grandes. Sempre reparei as do meu marido (quando é nos outros é mais fácil notar). Estou me acostumando com elas - nem dá vontade de cortar. Mas, fica feio nas sandálias. Não demora, vou ter que eliminá-las.

Unhas grandes nos bichos são úteis e admiráveis. (Creio que) graças a elas, os felinos escalam árvores nas savanas africanas pra poderem descansar. Com elas também unham os inimigos e retalham as presas. Nos humanos, não. Unhas compridas só têm função estética.

Fotografia de Broc

Fotografia de Bohuna Mikulicová

17 de janeiro de 2013

Paixão por lápis e livros

Remexer numa caixa antiga, cheia de lápis de cor,
a fim de distrair o meu filho,
me fez pensar na infância e na brevidade da vida de todos nós...

(Imagem: fotografia de George Hodan)

Costumo pegar uma série de objetos durante as refeições do Jaime Augusto. Desde brinquedos até porta-copos, rolos de fita crepe, controles remotos de DVD... Tudo para distrair o meu filho, de modo que ele coma tudo. Hoje, passando o dia na casa dos meus pais, abri uma das gavetas do quarto de TV e encontrei uma caixa, a qual já tinha visto antes, porém não havia reparado bem.

Ela está repleta de lápis de cor. Antigos: quase todos sem ponta. Retirei-a da gaveta e dei-a ao Jaime Augusto - o qual, para a minha surpresa, não deu muita bola. Eu dei. E em vez de ele curtir o "brinquedo improvisado", fui eu quem me encantei com todos aqueles lápis (deve haver uns 50), de cores mil. Alguns mordidos, outros descascados. Todos, como eu disse, sem ponta.

Jaime Augusto terminou de almoçar e eu fiquei remexendo a caixa, me lembrando de quando mamãe os adquiriu. Fui me lembrando dela ensinando a mim e a minha irmã, Andréa Cristina, que havia outras cores além do rosa, do azul e do vermelho: existiam o ocre, o bonina, o verde-água... Ocre. Bonina. Verde-água. Achei chiquérrimo saber essas cores. Os nomes "sofisticados" delas.

Lápis na cor Ocre

Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.com)

Lápis Bonina e, à frente, o Verde-água

Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.com)

Contudo, mais do que recordá-las, foi gostoso verificar, em alguns daqueles lápis de cor, o meu nome e o de minha irmã cuidadosamente escritos pela Mamãe Gali. Ela pegava a Gillette, retirava uma lasca do lápis e escrevia de caneta BIC azul: "Ana Paula". Ou "Andréa Cristina". Desse modo, não haveria como nossos lápis se misturarem com os dos outros colegas. Cada um poderia levar de volta pra casa o que era seu.

22 de dezembro de 2011

Esperar: um verbo cheio de atitude

Ao contrário do que muitos imaginam,
o verbo esperar não tem nada de "passivo":
implica movimento e mudança (não é isso o que queremos?)


Imagem: Warten auf den Liebsten (1923), Carl Mücke

Em Samba da Bênção, o Poetinha Vinícius de Moraes afirma que "A Vida é arte do encontro/ Embora haja tanto desencontro pela vida/ Há sempre uma mulher a sua espera/ Com os olhos cheios de carinho/ E as mãos cheias de perdão...". Eu penso que a Vida é arte da espera. Você lasca a forma no forno e espera a massa crescer, o bolo ficar pronto. Você investe em seus estudos e espera pelas oportunidades. Você fala e fala e fala com alguém e espera as suas palavras frutificarem. E por aí vai...

Há quatro significados do verbo esperar que me tocam: 1) Ter esperança; 2) Contar com; 3) Aguardar e 4) Armar emboscada a. Todos eles me mostram que um ditado popular aqui no Brasil faz todo o sentido: Quem espera sempre alcança. Por quê? Porque esperar, ao contrário do que o verbo nos levaria a supor, não implica imobilidade, acomodação, e sim, conforme os significados vistos acima, movimento, atitude, ação.

Vejamos: aguardar, entre outros sentidos, é vigiar. Isso é uma ação.

Senior Chief Photographer's Mate Mitchell -
Fonte: U.S. Department of Defense's Defense Visual Information Center

À espera de algo acontecer em minha vida, eu necessariamente não estou assentada num banco de praça ou parada em frente à janela "vendo a banda passar". Estou em alerta. Vigio. Ouço, penso, considero e reconsidero posições, opiniões e comportamentos. Se algo diferente ocorre, fujo, grito, mudo de direção, porque estou em alerta, já que eu espero, ou seja, aguardo, ou seja, vigio.

Esperar também significa contar com. Entre outros sentidos, contar quer dizer ter confiança.

Eis algo dificílimo, que aprendemos muitas vezes graças ao apoio e aos conselhos de pessoas importantes na nossa trajetória, como nossa mãe: "Tenha confiança, meu filho. Vai dar tudo certo". Assim, ao longo dos anos, de confiança em confiança, aprendemos a caminhar, a andar da bicicleta, a dar um mergulho na piscina ou no mar, a falar em público diante dos colegas e a pedir aquela menina linda em namoro (certo?).

Sem a atitude de ter confiança, até mesmo o ato de nos pormos de pé, todos os dias pela manhã, se torna um desafio que nos impõe medo e... Inação. (É só perguntarmos às pessoas que sofrem de depressão como elas se sentem tão sem confiança nelas mesmas, nos outros, na vida.)

Isso nos leva a outro significado de esperar, qual seja, ter esperança.

Lembro, ainda no colégio, um poema que aprendi atribuído ao poeta gaúcho Mário Quintana (1906-1994), o qual me impressiona bastante. Até hoje.

21 de junho de 2011

Lidando com as Minhas Limitações

Esta bloggueira AQUI encara: falta de tempo, tarefas do lar
e também um probleminha de saúde. Devido a tudo isso, A Católica
deu uma "ajustada" nas suas ambições... Averigue por si!

(Fotografia de Petr Kratochvil)

Meu Querido Internauta,

Quando comecei este projeto ambicioso, prazeroso e maravilhoso de criar, alimentar e manter um Blog pessoal, minha meta (veja só!) era escrever pelo menos um novo Post por dia ou, no mínimo, dia sim/dia não. No inicinho, meses atrás, consegui manter uma média de publicação que variou de 15 a 30 Posts por mês.

Acontece, internauta d'A Católica, que ultimamente fui "caindo na real" e vendo que, mesmo sendo uma jornalista que optou por ficar em casa, tornar-se uma dona-de-casa NÃO significa ter mais tempo livre para ler e escrever!... As tarefas do lar avolumam-se e manter uma casa limpa e em ordem demanda um esforço e uma entrega, os quais eu não esperava! Mesmo.

Além disso, como já comentei em crônicas do Blog (confira, por exemplo, duas delas: Espinho na carne e Dindinha, je suis malade...), sofro de enxaqueca. Sou acompanhada por uma neurologista e, apesar do tratamento que faço, meu cérebro ainda está, digamos, "programado para doer". Desse modo, de duas a três vezes por mês tenho crises terríveis, que literalmente me jogam na cama.

Ei: não escrevo isso para açular a sua piedade - a qual, certamente, merece alvos mais nobres, como a pobreza e a injustiça que muitos brasileiros, latino-americanos e africanos enfrentam. Escrevo apenas, a fim de justificar a você, que acompanha A Católica há mais tempo, por que a frequência da publicação de Posts diminuiu.

6 de junho de 2011

Conversa sobre a celebração do matrimônio

Os divórcios são tantos, que há gente que torce o nariz
para um novo casal que se forma.
Até padres (que tristeza!) fazem isso, alarmados pelas estatísticas

(Fotografia de Paata Vardanashvili from Tbilisi, Georgia)

(Fotografia de Joe Mabel)

Poucas vezes na vida vi um padre tão mal-humorado. Frio e seco. Mais seco do que um mandacaru. Ele ministrava a celebração de um casamento. Um pouco de alegria e um sorriso fariam bem. Mas, nada. Semanas depois, vi o mesmo sacerdote, que pertence à Arquidiocese de Belo Horizonte. Desta vez, ele estava à frente de uma missa de Bodas de Prata: os 25 anos de matrimônio de um casal da paróquia. Que diferença!

O mesmo padre, que era seco feito mandacaru, agora tornara-se um homem sorridente. Solícito. Até gracejos fez, durante a celebração. Na hora, pensei: "Será que tanta educação e simpatia é porque o casal é dizimista?". Como alguns de nós católicos sabemos, alguns padres dão tratamento diferenciado àqueles paroquianos que são dizimistas fiéis. (Não escrevo como crítica, e sim como constatação. Pura e simples.)

Certamente, aqueles dois diante do tal sacerdote eram dizimistas. Porém, a euforia do pároco não se devia apenas a isso. Como ele mesmo afirmou: "Sempre fico muito mais feliz em celebrar as Bodas de Prata, do que um casamento, porque os casamentos hoje em dia não duram nada!...". (!!!) Por mais próxima da verdade que a fala daquele padre estivesse, achei um absurdo. Um absurdo. Fiquei estupefacta.

25 de maio de 2011

Viver é aprender a dizer Adeus

Tenho uma coleção de acenos que deixei no ar,
ao longo da minha vida. Minha irmã Andréa Cristina partiu,
como há muito tempo tanta gente querida anda fazendo

Goodbye, on the Mersey (1881), James Joseph Jacques Tissot

Acabei de assistir a um vídeo postado no Facebook. Um vídeo de despedida. Minha irmã, Andréa Cristina, deixou o seu emprego de Terapeuta Ocupacional da Prefeitura de Contagem, na Grande BH (Brasil), para morar na cidade de São Paulo com o marido, o engenheiro Luis Guilherme. Já falei sobre ela, e o trabalho incrível que desenvolve, aqui no Blog A Católica, no Post Homenagem aos Católicos Não-Praticantes.

Só para retomar (e em síntese).

A especialidade da minha irmã - que tem uma Pós-Graduação nisto - é promover a participação dos Deficientes Mentais na sociedade. Tratam-se de pessoas que sofrem de doenças como a esquizofrenia. E ela era uma funcionária pública exemplar. Começou a carreira na cidade de Divinópolis, no Oeste do estado brasileiro de Minas Gerais, depois passou em um outro concurso público, a fim de trabalhar mais perto da capital de Minas, Belo Horizonte.

Andréa Cristina foi a pioneira, se não me engano tanto em Divinópolis quanto em Contagem, em literalmente "correr atrás" de espaços culturais aonde ela pudesse levar os seus pacientes. Locais, como: museus, galerias de arte, cinemas e teatros. Minha irmã telefonava, explicava a importância de eles receberem os doentes mentais e conseguia ingressos gratuitos. Por isso, ela tem um compêndio de histórias hilárias, envolvendo seus pacientes. E outras emocionantes.

11 de maio de 2011

Às vezes, a gente esquece o exemplo de Cristo

Jesus se dirige à samaritana: rejeitada pelos judeus.
Nós fazemos o mesmo? Ou vivemos um catolicismo acomodado,
que nos afasta, em vez de nos aproximar dos que estão à margem?

Jesus and Samaritan Woman - century XVII - Jacinto de Espinosa

Meses atrás, esta questão me importunava. Daí, simplesmente, me esqueci dela. Acontece que duas leituras trouxeram-na, de novo, de volta a minha mente. É uma questão sem solução - até segunda ordem. Contudo, ela existe. E me tira o sossego. Como uma meia mal colocada que nos atrapalha o andar e nos faz recordar: "Preciso tirar o sapato e arrumar esta meia, senão não vou ter paz o resto do dia!".

Eis a questão: os pobres. Isto mesmo: os pobres, os marginalizados, os excluídos, os desfavorecidos, os miseráveis, os mais sofredores dos sofredores, porque não têm nem mesmo um sofá macio ou uma cama quente onde se recostar para lamentar seus "ais".

Algumas vezes, ao longo da nossa vida e do nosso itinerário de cristãos, contentamo-nos em rezar o Terço Mariano (isso, quando o rezamos), recitar o Pai Nosso e a Ave, Maria, dar o dinheiro ou o dízimo durante o ofertório na Santa Missa ou levar um quilo de arroz ou de feijão à "coleta para as famílias carentes". E só.

Fico cismando se, afora isso, seguimos mesmo, de verdade, os passos do Nosso Messias, o Nosso Salvador, o Nosso Mestre: Jesus Cristo, que fez uma opção evidente e declarada pelos pobres.

Eu me pergunto: "O quem em sua vida, Ana Paula, mostra para si e para os outros que você está no rasto de Jesus?". Porque dizer: "Senhor, Senhor" no conforto da sala de estar, com a TV ligada e um suco de maracujá ou de laranja geladinho na mão, com todas as contas pagas e telefonemas dados... É fácil.

22 de março de 2011

Eu me sinto BEM em mim?

A doença nos obriga a ficar sozinhos com nossos pensamentos
e com o essencial: aquilo que estamos nos tornando.
Você gosta do que vê ou encontra em você?

Making Her Toilet (1889), William Merritt Chase

Fotografia de Ibrahim Iujaz from Rep. Of Maldives.
Edited for enwiki upload by Daniel Case

8 de março de 2011

Dia da Mulher? Prefiro Dia da Pessoa.

As conquistas femininas ao longo dos anos mostraram
que homens e mulheres são iguaizinhos em capacidade e
também se equiparam nas metas de Ser Feliz e Fazer Alguém Feliz

Imagem: Portrait of A Lady (1911), Vittorio Matteo Corcos

Cada uma de nós sente e se coloca no mundo de maneira muito particular, embora todas pertençamos a grandes grupos. Sim: sou brasileira como outros 191 milhões de pessoas; católica apostólica romana como 1 bilhão e 200 milhões de outros indivíduos no mundo; mineira (ou seja, nascida no estado de Minas Gerais) como 19 milhões e 600 mil cidadãos e mulher como alguns bilhões dos 7 bilhões de seres humanos na face da Terra. Contudo, sou única. E percebo a vida do panorama único no qual me situo.

26 de janeiro de 2011

O bem (já) vence(u) o mal

Esteja alerta: gritar mais é apenas sinal de desespero e de desequilíbrio,
e não de força ou de poder nem muito menos de "vitória"

Aprendi com Padre Léo que o mal é histérico. Ele parece predominar no planeta, simplesmente porque sabe que já perdeu. A vitória de Cristo, na cruz, sobre o pecado e a morte, é definitiva. Não tem volta. Jesus venceu e vencemos juntos com Ele. Esse é o fato e a verdade.

Já assistiu naqueles canais da TV a cabo (com programas sobre a vida animal) a um bicho morrer? Ele se debate e brada - brada muito - para, no final da luta vã, render-se à fera que o deteve e que irá comê-lo. Devorá-lo.

Essa é a dinâmica do mal no nosso mundo. Como sabe que vai morrer, então debate-se e brada. Brada com tanto alarde, que ilude a muitos de nós, a quase todos nós, que "venceu", que "não tem jeito", que a violência, a corrupção, a falsidade, a arbitrariedade e a indiferença "reinam para sempre".

18 de janeiro de 2011

O cartão da Tia Lia chegou

O que chega pelos Correios com amor
merece lugar de destaque no coração e na casa

Cartas me fascinam desde sempre. Imagine: seu nome escrito no envelope: PARA FULANA DE TAL. Aquela palpitação: "O que será?". Aquele gesto (que eu adoro) de escolher um cantinho para rasgar: tzzzssss... Enfim, o conteúdo nas mãos: um papel branco para ser desdobrado ou um cartão. E o principal: o que vem escrito no conteúdo. De próprio punho. Numa caligrafia única, que ninguém mais tem.

Esse costume está escasseando.

Na caixa do correio na entrada da nossa casa ou do nosso condomínio, encontramos envelopes de empresas com cobranças: água, luz, TV a cabo, aluguel. Todos com etiquetas digitadas no computador. Será o fim da caligrafia? Ninguém mais chega à caixa com a expectativa de notícias que vêm de longe ou de perto. De alguém querido. Vamos à caixa do correio com apreensão: contas...

Pois ontem colocaram sob a minha porta um cartão da Tia Lia - minha tia-avó. Irmã da inesquecível Mãe-Ita, a Nelita, que já homenageei no Blog. Todos os anos, tem um cartão da Tia Lia. Um dos raros que meu marido e eu recebemos. E o valor que dou é tão grande, que (todos os anos) ele tem lugar certo: a porta da geladeira. Para eu relembrar várias vezes ao dia a sensação boa que tive ao recebê-lo.

Prolongar boas sensações...

Algumas vezes, alguns de nós (entre os quais eu me incluo) agimos como tolos: em vez de procurarmos prolongar as sensações boas que tivemos, alimentamos as ruins.

19 de novembro de 2010

"Vou jogar fora no lixo!... Jogar fora no liiiiixo!..."

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Seria bom lançar fora tudo o que não gostamos em nós ou que fizemos de feio...
... A psicologia do "Ano Novo" serve para isso. MAS, temos que tomar cuidado
para não nos livrarmos de aspectos importantes para a nossa saúde mental!

O Natal e o fim de ano se aproximam e por mais que o meu Amado e Saudoso Padre Léo tenha dito em várias palestras suas que nada de novo acontece entre o dia 31 do Ano Velho e o 1º do Ano Novo - árvores continuam sendo árvores, paradas no mesmo lugar -, não consigo escapar desta sensação de renovação, de que uma nova oportunidade me será dada. "Ano Novo, Vida Nova" - não é o que os outros dizem?

Então, navegando pela Web, vi a foto desses cestos de vime esturricando num sol que me parece tão gostoso... Fiquei entre querer estar à frente dos cestos, esquetando as mãos e a pele na luz quente, ou abri-los todos para poder lançar neles tanta sujeira que há em mim!...

12 de novembro de 2010

Só me interessa isto: como AMAR o meu próximo?

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Este é um Buraco Negro a partir da ilustração da NASA.
Parece que tudo - até os confins do universo - já foi desbravado.
(Falta mesmo é pôr em prática o que já conhecemos há mais de 2.000 anos)

Achei bonitinho uma vez, quando conversava com minha prima Larissa Cristina e perguntei-lhe: "O que você vai fazer [quando tentar o vestibular]?". Uma explicação: aqui no Brasil, majoritariamente, o aluno só tem acesso ao Ensino Superior, ou seja, a uma universidade, depois de passar por vários testes chamados de vestibular. "Ah, vou estudar Física." "E por que, Larissa?" Ela respondeu: "Porque tem um campo na Física que ninguém descobriu ainda e eu quero ser a primeira...".

Não tive a curiosidade, na hora, de perguntar-lhe que coisa era aquela que ninguém explorou na Física e ela iria desbravar. Aliás, Lari: se estiver lendo estas linhas, o que era? O que você queria tanto saber? A danadinha não só prestou o tal vestibular, como (me disseram) passou em 3º lugar e entrou para a notória Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG, ou "Federal", como carinhosamente a chamamos. Cof. Cof. Cof. Também me formei lá - ora, pois!

Achei bonitinha e digna de nota a ambição da minha prima. É que, às vezes (não sei se isto ocorre com você também), tenho a impressão de que TUDO O que tinha para ser descoberto... Já foi.

Tenho inúmeros livros, cujo tema é a Bíblia Sagrada, e, invariavelmente, seus autores iniciam o prefácio com a frase: "Sei, caro leitor, que muito já tem sido escrito sobre a Bíblia, mas este estudo...". SE muito já tem sido escrito, para quê escrever ainda mais? Será que já não chega?

29 de outubro de 2010

Quando ateus tentam perturbar a nossa Fé em Deus

Meus pais me prepararam para nunca duvidar desta Verdade:
Deus existe. E Ele pôs um Anjo da Guarda na vida de cada um de nós...
... A fim de nos acompanhar "Pela estrada afora..."
(só Chapeuzinho ia "bem sozinha levar doces para a vovozinha". Nós, não)

Uma das lições mais preciosas da minha vida foi saber que tenho um Anjo da Guarda e preciso rezar para ele:

Anjinho da Guarda,
Meu Bom amiguinho,
Me leve sempre
Para o Bom Caminho. Amém.

Antes de saber de Deus, de Jesus, de Nossa Senhora e dos tantos e tantas santos e santas maravilhosos da Igreja Católica, eu aprendi que existe um anjo lindo, de longas asas brancas e fios compridos, ondulados e amarelos na cabeça me acompanhando, como diria Chapeuzinho Vermelho, "Pela estrada afora...". Era (e ainda é) um conforto saber que, aconteça o que acontecer, eu não estou sozinha.

A fé nisso e, um pouco mais tarde, a fé em Jesus (que conheci e passei a amar montando presépios no Natal) misturaram-se no meu DNA desde cedo. Para mim, é tão fácil saber que Deus existe, que Ele, Jesus Cristo e o Espírito Santo são um só, que Nossa Senhora é a Mãe de Deus e nossa, que depois de morrermos podemos nos juntar à Glória Celeste... Que não dá para conceber uma vida aqui, neste mundo, sem crer em tudo isso.

Mais do que escola, comida, remédios e brinquedos, a fé em Deus é a maior herança, o maior tesouro que os pais podem dar a seus filhos. Por quê?

21 de outubro de 2010

Presos na Roda Gigante da vida

Somos como este bebê: atados à rotina e perplexos por não sairmos desse lugar.
Contudo, algumas vezes, tudo parece tão novo:
são as surpresas - surpresinhas - que a vida reserva à gente!

Nota: Estou revendo textos antigos, escondidos em um envelope no armário. Alguns (creio) são interessantes e vou dando-os à luz aqui n'A Católica. Este, por exemplo, escrevi em 10 de dezembro de 2006. Parece sem esperança, mas, no fundo, expõe uma verdade. Boa leitura!


Minha palavra preferida


Nota: Este texto foi escrito poucos anos atrás - não registrei a data, mas certamente entre 2005 e 2007. Transcrevo-o hoje, porque foi mais um dia de "sofrer" uma nova crise de enxaqueca (o meu Espinho na carne). Aprendi com tanta dor a valorizar o nosso Maior Bem - ou o segundo maior, logo depois da Fé.


15 de outubro de 2010

Você se alimenta do que é ruim?

Padre Léo alertava: "A salvação entra pelo ouvido".
Acompanhar telejornais e novelas pode nos "ajudar" a imergir,
cada vez mais, em uma cultura da violência

Vivemos uma cultura da violência. Parece que para conseguirmos nos impor, para nos fazermos notados, para exigir respeito, só há uma forma: vociferar ou tocar no corpo do outro com brutalidade. Uma vez, uma colega de jornal (no tempo em que eu trabalhava como jornalista), recém-promovida a Redatora - pessoa que, entre outras funções, reescreve os textos dos repórteres -, desabafou comigo: "Ninguém me leva a sério". E por quê? Porque essa ex-colega minha era demasiado "doce", "educada".

Estou um pouco cansada dessa cultura. Uma cultura em que, para conseguirmos nos assentar dentro do ônibus, temos que "brigar", ainda no ponto, para embarcar primeiro. Cultura em que, para sermos atendidos na nossa vez, em um restaurante, só se for no grito. Cultura em que pais, maridos, chefes, professores só se fazem obedecer e ser tratados com reverência se... Ameaçarem, infudirem medo. E até cometerem "assédio moral".

Foi feito um altar para a violência. Ele se chama "tela". Tela da TV; tela do cinema; tela do vídeo game.

6 de outubro de 2010

Graças a Deus: nós temos memória!!

Perfumes, canções, fotografias...
Tudo desculpa para acionar um grande, imenso presente de Nosso Senhor para nós:
a habilidade de Relembrar e Ser Feliz Alguns Instantes Mais!

Não sei se é assim com você também. Quando a coisa fica feia para o meu lado, recorro à memória. Se discuto com o meu marido, lembro daquele instante em que nos conhecemos, nossa primeira conversa, os jantares que dividimos num dos "bandejões" do campus da Federal (Universidade Federal de Minas Gerais). Está tudo tão vivo em mim. Minha memória é tão "brilhante" - não no sentido de excelente, mas no sentido de viva -, que chego a sentir o cheiro do perfume que ele usava.

Enquanto essas lembranças de quando nos conhecemos forem brilhantes para mim, sempre o amarei, porque recorro à fonte, à causa primeira e me apaixono de novo por aquele rapazinho de 22 anos - hoje, ele tem 32.