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16 de agosto de 2025

Laudemir Fernandes, o benquisto

Tela: A Adoração dos Pastores (entre 1650 e 1700) -
Autor Desconhecido

Um programa de televisão exibiu, décadas atrás, uma matéria sobre a invisibilidade urbana. Tratava-se da constatação de um pesquisador (ou pesquisadora?) de que as pessoas que trabalham uniformizadas - como o pessoal da limpeza - são invisíveis para os demais. Ou seja: há quem passe por elas sem cumprimentar, sem dizer "Bom Dia". É como se não existissem.

Na Palestina do século I, onde e quando Jesus viveu, havia um fenômeno semelhante. Só que os invisíveis, ou seja, aqueles que eram ou deviam ser ignorados, não vestiam uniformes. Eram simplesmente os "impuros". Nessa categoria, cabiam alguns profissionais, como os pastores; os doentes, como os leprosos; e as mulheres sob certas condições, como estarem menstruadas. Essa gente "impura" tinha de ficar à margem, longe das vistas.

Na manhã da última segunda-feira, dia 11 de agosto, o gari Laudemir de Souza Fernandes, o Lau, estava uniformizado. E ele ousou ficar visível. Ousou sair da margem do olhar do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior e vir para o centro.

30 de novembro de 2024

Vale a pena Ir Fundo!

Foto de Petr Kratochvil

Li um texto hoje sobre uma criatura nunca vista antes. O animal, um tipo de verme marinho, foi identificado por pesquisadores do Schmit Ocean Institute durante uma expedição nas águas profundas do oceano Pacífico, na costa do Chile. A espécie, que desliza através de cerdas reluzentes, vive numa região cuja profundidade chega a mil metros, sendo alcançada por um robô submarino. Fiquei pensando nas grandes descobertas reservadas a quem se dispõe a ir fundo...

A questão é que um bom mergulho dá trabalho! Haja tempo, disposição, insumos. Tão mais fácil ficar na superfície, aonde muitos já foram e que não deixa lugar pra surpresas.

Com a Bíblia acontece o mesmo. As Escrituras são um oceano. Alguns, por praticidade ou comodismo, preferem nadar no raso. Outros providenciam materiais de apoio (como dicionários e comentários), senso crítico e bastante humildade pra descobrir novos sentidos. Todo desbravador deve partir do princípio de que no fundo habita o que é raro e merece ser conhecido e divulgado.

5 de abril de 2014

José Wilker foi embora

Foto: José Wilker em 2006 - Autor: Wilson Dias/ ABr

Eu não sabia que considerava o Zé Wilker uma pessoa tão próxima. Foi hoje, quase agora, com a notícia de que partiu. Acho a coisa mais esquisita: eu pus o Zé na categoria Imortal. Personalidade marcante, conversa agradável, cheio de vida. Estava ali. No Recife, no Rio de Janeiro, numa rua em Nova York, mas aqui.

Primeiro (e antes de tudo), o Zé era atraente. Aquelas sobrancelhas, aquele sorriso, aquele porte, aquela voz. A quantos e quantos documentários brasileiros eu assisti, tendo como condutora a sua narração. O seu falar tinha mãos, que nos pegavam delicadamente, pra nos levar aonde deveríamos chegar. E eu chegava.

Neste momento, pela Globo News, atores dizem tanto sobre a sua trajetória - Paulo Betti, Tony Ramos, Ary Fontoura e José de Abreu especialmente.

A TV não vai me ligar, porque não o conheci cara a cara. Então, uso este espaço pra registrar que acreditei em tudo o que o Zé falou pelas suas personagens. Pra dizer que quando ele entrava em cena, nas séries (JK) e nas novelas (Roque Santeiro; Senhora do Destino; Amor à Vida), eu não me levantava pra tomar água nem pra ir ao banheiro. Eu ficava.

Porque, para mim, deleite maior não há do que um homem bonito, interessante e inteligente falar de corpo e de alma coisas que queremos saber. (Ouvi dizer que não gostava do Doutor Herbert, porém me convenceu. E foi o meu ator favorito naquela trama insossa e polêmica.)

Encerro este texto breve me lembrando da mamãe (que não gosta de novelas), contando às pessoas que começou a ver Roque Santeiro justo quando o Zé Wilker chega de carro, sob chuva torrencial, à cidade de Asa Branca: Estou de volta pro meu aconchego.... Um príncipe de chapéu Panamá num carrão conversível branco, que roubaria o coração da Viúva Porcina, a ponto do autor Dias Gomes pensar em mudar o final da história.

Ator brilhante, diretor e cinéfilo, ele chega ao outro lado no susto - aposto. Por isso, Zé, meu conselho: recorde quando chegou ao Rio vindo do Nordeste. Seus amigos "em cana", você sozinho, dormindo dentro de ônibus, na praia. E achou um barato. Faça como fez: ache a felicidade aí onde está. Nesse novo Rio de Janeiro: a Vida Eterna. Saudades.


P.S. Morre no Rio ator José Wilker - ESTADÃO/ Cultura

14 de novembro de 2013

Carta ao menino Joaquim Ponte Marques

Menino de 3 anos é encontrado morto em SP

(Fotografia: UOL Notícias)


Belo Horizonte, 14 de novembro de 2013.

Menino Joaquim,

Não cuidaram bem de você, não é mesmo? Não sei se deixaram a porta da sala de estar aberta, em seguida a grade que dá para a rua também, e você saiu ou se o conduziram, carregando-o inerte, nos braços, até o rio. Você deixou aquela casa amarela. Estava com o seu pijaminha. Na segurança (que segurança?) do seu lar.

Vi sua foto na Internet. Suas imagens na TV. Que menino bonito você era. Que menino esperto. Mesmo com agulhas espetadas em seus bracinhos, num leito de hospital, cuidando da sua recém diagnosticada diabetes tipo 1. Cabelinho preto. Sorriso lindo.

Que jeito triste de terminar a noite, não? Num córrego gelado, boiando, boiando, sendo conduzido pelas águas até parar em outra cidade. Graças a Deus o seu corpinho foi encontrado: assim, seu papai pôde lhe providenciar uma última caminha, um caixão branquinho, onde você pudesse repousar. Para sempre.

Criança nenhuma no mundo merece terminar seus dias breves desse jeito. Você tinha a idade do Blog A Católica: 3 anos. Três anos não são nada. O começo de toda uma história. O prefácio, a introdução, a apresentação de um livro. De toda uma vida.

Eu sinto muito que você tenha nascido e vivido numa casa tão grande, tão cheia de portas e de janelas, numa cidade pequena, da qual eu nunca tinha ouvido falar, e aparentemente tranquila, mas que foi palco de uma cena tão lastimável, Joaquim. Foi palco da sua partida prematura para o Céu.

A verdade é, meu menino, que eu nunca queria ter ouvido falar de você. Eu nunca queria ter escrito esta carta. Eu nunca queria ter assistido na TV a você brincando montado naquele brinquedo (seria uma tartaruga? Um dinossauro?). Nunca ter percebido como estava feliz naquela cama de hospital, espetado de agulhas, desenhando numa revista.

Se eu nunca o tivesse visto, significaria que você estaria VIVO. Anônimo. Tomando as suas doses diárias de insulina. Na sua casa grande, amarela e segura. Segura, como deveria ter sido. Mas agora você está nos braços de Deus. Nada de ruim vai acontecer.


*********************

Mãe e padrasto do menino Joaquim são presos em Ribeirão Preto (revista VEJA)
Promotor diz que menino Joaquim pode ter morrido por excesso de insulina (ISTOÉ)
Justiça concede quebra de sigilo telefônico da família de Joaquim (portal G1)



10 de novembro de 2013

Eu vivo CHEIA de vaidade

Autorretrato no espelho com camisa do Cruzeiro (oficial de 1993)
- 15-10-2013 - Fotografia de Ana Paula (acatolica.blogspot.com)

Suzana, a Dindinha, com a camisa oficial do Cruzeiro -
09-11-2013 - Johannesburg (África do Sul) - Arquivo de Família


(Tricampeão Brasileiro de Futebol* - 2013)

Existe um grande clube na cidade,
Que mora dentro do meu coração.
Eu vivo cheio de vaidade,
Pois na realidade é um grande campeão.

Nos gramados de Minas Gerais,
Temos páginas heroicas imortais,

Cruzeiro, Cruzeiro querido,
Tão combatido, jamais vencido!


Antônio, o Padinho, com a camisa oficial do Cruzeiro -
13-10-2013 - Johannesburg (África do Sul) - Arquivo de Família

Andréa Cristina com a camisa oficial do Cruzeiro de 1993 -
10-11-2013 - São Paulo (BRASIL) - Fotografia de Luis Guilherme


Caro Internauta:

Você é cruzeirense como A Católica, os meus padrinhos, Suzana e Antônio, e a minha irmã, Andréa Cristina? Então, parabéns pra você também! Visite e SAIBA + sobre essa Grande Conquista, prestes a acontecer*: site oficial do Cruzeiro Esporte Clube. IUHUUU!

Saúde e Paz!!



1 de novembro de 2013

Afastem de mim este CALE-SE (a polêmica das biografias)

Não pode haver censura prévia a esse gênero literário tão importante
para a história, como defendem alguns artistas no Brasil

Imagem: "Quieto! Conversa fiada pode custar vidas" (em inglês) -
1941-1945 - Fonte: U.S. National Archives and Records Administration


Ponto nº 1 – Amo a 7ª Arte e sou fã de carteirinha das criações de Billy Wilder, Woody Allen e Walter Salles. Porém, o que eu curto mesmo são os filmes dirigidos por cineastas chamados de “documentaristas”, como João Moreira Salles. Uma de suas criações, O Vale, me marcou muito, ao contar a história dos herdeiros dos grandes produtores de café do século XIX, aqui no Brasil. Todos eles muito distantes da riqueza e da fartura que circundaram seus ancestrais.

Ponto nº 2 – NÃO GOSTO de romances. À exceção de Machado de Assis, que acho mordaz e divertidíssimo, da Virginia Woolf e do Ignácio de Loyola Brandão contistas, Jorge Amado e Cia. Limitada não têm vez comigo. Sinto muito. A seção de Literatura nas livrarias não recebe a minha visita, a não ser a parte dedicada à poesia e às crônicas. Não tenho paciência para histórias “inventadas”, para personagens que nunca existiram. Para reinos encantados. Sou assim (defeito de fábrica...).

Ponto nº 3 – Quando estudei Letras, numa das primeiras aulas, uma professora (cujo nome infelizmente não me recordo agora) deixou bem claro para nós que a distinção entre as palavras estória com E e história com H estava extinta. Explico.

Usava-se “estória”, começando com a letra E, para designar narrativas ideadas, totalmente criadas, como os romances e os contos de fadas. E “história”, iniciando com a letra H, para especificar as narrativas de fatos que teriam realmente acontecido, num tempo e num lugar determinados, reais, verdadeiros.

Entretanto, com o avançar da história, aprendeu-se que toda história não deixa de ser uma versão. Por mais que o historiador ou o jornalista ou um pesquisador tenham se dedicado a coletar dados e ser o mais fidedigno possível ao que aconteceu naquele tempo e naquele lugar com aquela pessoa ou aquele grupo social, no fim, o resultado não deixa de ser a versão daquele profissional: trata-se do OLHAR DELE.

Em resumo: toda história – agora, sempre com H – vai variar dependendo de quem a conta. Por isso, ela pertence a quem a escreveu. Não interessa se é sobre Jesus Cristo ou sobre o Vale do Paraíba (como no caso do documentário O Vale e tomando emprestada a comparação do biógrafo Paulo Cesar de Araújo). Mas, o que isso tem a ver com o título deste Post do Blog A Católica?

29 de julho de 2013

O Papa VERSUS will.i.am e outros artistas Pop


Papa Francisco veio ao Brasil falar de valores que batem de frente com o que
os jovens do mundo são expostos todos os dias nos videoclipes e nas rádios


Imagem: Papa Francisco participa de inauguração do Polo de Atendimento
a Dependentes Químicos do Hospital São Francisco (Rio de Janeiro, BRASIL) -
24-7-2013 - Fotografia de Tomaz Silva/ Agência Brasil


Acabei de assistir ao trechinho de um videoclipe do cantor norte-americano will.i.am com o canadense Justin Bieber. A letra de That Power fala sobre ter dinheiro, roupas caras e poder. Enfim, sobre ser o Nº 1:

will.i.am performs at Vivid Sydney -
Sydney 2012 -
Fotografia de Eva Rinaldi
Me chamam de Will-A
Fico tão tranquilo, estou relaxado
Já ganhei aquele milhão
Estou a caminho daquele bilhão
Eu tinha um cofrinho
Mas agora tenho um banco maior
Quem, quem se importa com o que os invejosos pensam?
Eles me odeiam porque fazemos o que eles não podem

(...)

Fiz isso por causa da minha mãe
Disse a ela quando era mais jovem
Que eu seria aquele número
Um, sim, serei aquele número um
Vou subir mais alto
E alto, alto e mais alto
Fico e compro aquela roupa
Continuo queimando como aquele fogo...

Ultimamente, os canais de TV a cabo também exibem o videoclipe do norte-americano Pitbull que, junto a Christina Aguilera, canta sobre um "castelo dourado", que um dia ele há de conquistar. Até lá, já vive confortavelmente e, assim como will.i.am, veste-se com roupas caras. Eis trechos da letra de Feel This Moment:

International Planet Pit Tour -
Sydney via AllPhones Arena
at Homebush in Sydney's west -
September 2012 -
Fotografia de Eva Rinaldi
Peça dinheiro e ganhe um conselho
Peça um conselho, ganhe dinheiro em dobro...

(...)

Falando ao vivo dos prédios mais altos de Tóquio
Muito longe das coisas difíceis
(...)
Eu a prendi
Pois ela me viu de terno com a gravata vermelha
Christian Gris, prazer em conhecê-la
Mas tempo é dinheiro
A única diferença é que eu sou o dono
Agora vamos parar o tempo e aproveitar este momento

(...)

Eu vejo o futuro, mas vivo o momento
Faz sentido, não?
Agora ganhe dinheiro; quero dizer, bilhões
Sou um gênio; quero dizer, brilhante
As ruas é que lhe ensinaram
E o tornaram o mais esperto, Rick é o rei
Perdi muita coisa, e aprendi muito
Mas ainda não fui vencido, como Shula
Estou longe de ser barato
Quebro empresas com minhas piscadas
Baby, podemos viajar pelo mundo
E posso lhe dar tudo o que você pode ver
Tempo é dinheiro
A única diferença é que eu sou o dono
Como um cronômetro, vamos parar o tempo
E aproveitar este momento, manda ver...

Desde que Madonna entoou Material Girl em 1985, alguns artistas, sobretudo os norte-americanos, em vez de cantar sobre as dores de amor, preferem fazer rimas com tudo o que os dólares podem comprar. E são esses artistas que são admirados e seguidos pela juventude em todo o mundo, a mesma a que o Papa Francisco se dirigiu na última semana aqui no Brasil, ao longo da 28ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Dinheiro.

Na parte final da entrevista exclusiva que o sucessor de São Pedro deu ao repórter Gerson Camarotti da Globo News durante a sua visita ao Brasil, que foi ao ar na noite desse domingo, 28 de julho, no programa Fantástico da Rede Globo de Televisão, ele frisou o que as 3 canções mencionadas acima (That Power, Feel This Moment e Material Girl) indicam: que o mundo inteirinho, infelizmente, está rendido ao dinheiro. Aqui, o trecho que destaquei:

25 de junho de 2013

Milhares de "João Batista" pelo Brasil afora

Como o primo de Cristo há 2.000 anos,
brasileiros vão às ruas clamar pelo fim da corrupção.
Devem só tomar o cuidado de não passarem de "caniços ao vento"

Imagem: Biblical illustration of Gospel of Mark Chapter 1 (1984),
Biblical illustrations by Jim Padgett

Manifestação contra aumento da tarifa de ônibus SP (BRASIL) -
7 de junho de 2013 - Fonte: https://secure.flickr.com/photos/mariaobjetiva

O que me marca na história do primo de Jesus, cuja natividade a Igreja celebrou nesse 24 de junho?

Duas coisas: a sua capacidade de ascese, ou seja, de mortificar-se, de viver sozinho no deserto a pão e água (ou melhor, a gafanhoto e mel) e a sua impetuosidade, ousadia, atrevimento mesmo de escancarar para os hipócritas e poderosos os seus pecados. Ele é "aquele que grita no deserto". Não é que me lembra os brasileiros "que gritam" nas ruas nas últimas semanas? Que gritam, como há 2.000 anos, contra a devassidão de alguns políticos (os poderosos) do Brasil?

João Batista não é uma figura simpática. Tomava mel, mas não tinha nada de doce. Era duro. Exigia muito de si mesmo e exigia dos outros. Não sei como conseguiu ter seguidores. Não dançava, mal comia; enquanto Jesus é muitas vezes retratado na Bíblia participando de festas (como as Bodas de Caná) e de banquetes (na casa de Mateus e na de Zaqueu, por exemplo). À 1ª vista - ou à 1ª lida -, parece mais fácil seguir a Cristo do que a João Batista. (Sim, eu sei: é uma besteira o que acabei de escrever...)

23 de março de 2013

Fratello, hermano: o novo Papa e Francisco de Assis

Conheça a vida do italiano São Francisco de Assis
que, com a ajuda de um cardeal brasileiro,
inspirou o nome (e revela o perfil) do Pontífice argentino

Imagem: Papa Francisco - 18 March 2013 - Fotografia: Casa Rosada


Este Post do Blog A Católica é dedicado a minha irmã Andréa Cristina.

Graças ao telefonema dela, pude acompanhar ao vivo,
pela TV Canção Nova, a primeira aparição do Papa Francisco.
(O que me custou chegar bastante atrasada ao médico...)


Li uma vez que a mãe da cantora Simony adorava o nome Simone. Mas, como já havia uma cantora de sucesso aqui no Brasil com esse nome, decidiu trocar o E pelo Y, pois tinha a certeza, em seu coração, de que sua filha também seria famosa. Assim, optou por Simony, com Y. E não é que a filhota brilhou mesmo nos palcos e programas de TV brasileiros nos anos 1980? Coração de mãe não erra - é o que dizem.

Quando foi a minha vez de escolher um nome para o meu rebento, católica que sou, já determinei para mim mesma que ele teria nome de santo ou um nome bíblico. Porém, eu também queria homenagear algum parente querido, que se foi. Pesquisando, descobri que o nome do meu primeiro avô materno - isto mesmo: primeiro, porque tive dois -, bem, descobri que o nome do Vovô Jaime era JACÓ em espanhol.

Jacó, como sabemos, é um personagem bíblico: neto de Abraão e filho de Isaac.

Conforme o Guia Visual da História da Bíblia (National Geographic, 2008): "Com a ajuda da mãe [Rebeca], Jacó conseguiu ser abençoado pelo pai, Isaac, no lugar do seu irmão, Esaú. A bênção lhe prometia prosperidade e bem-estar, assim como dominação sobre o irmão. Qualquer pessoa que Jacó abençoasse receberia a bênção, e qualquer um que ele amaldiçoasse ficaria amaldiçoado".

Também homenageei outro avô, o paterno: Raul Augusto - que tem uma categoria dedicada a ele aqui no Blog A Católica. O nome do meu menino, então, ficou assim: Jaime Augusto.

Jaime (Jacó, em espanhol) significa "aquele que vem no calcanhar"; "o que suplanta"; "vencedor". Quanto ao segundo nome, Augusto, é uma variação do latim Augustus e significa "dignidade majestática; sagrado, sublime". No nome escolhido está impressa a expectativa de que meu filho seja um vencedor sublime de si mesmo. Que ele se suplante e conquiste o Céu.

Papas também têm que escolher o nome por que deverão ser chamados - basta conferir a pergunta de número 11 do Post d'A Católica Habemus papam! Ops. O que é um Papa?. O primeiro deles, São Pedro, chamava-se Simão.

Szene: Der Hl. Petrus empfängt die Schlüssel - Early 11th century -
Meister des Perikopenbuches Heinrichs II -
Fonte: The Yorck Project 10.000 Meisterwerke der Malerei, 2002

De acordo com Padre Léo, em uma de sua maravilhosas pregações, o nome Simão evocava algo "movediço", "instável". Cristo o trocou por Cefas, que é pedra em grego: "Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: 'Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas' (que quer dizer pedra)" (Jo 1, 42). Pedras são firmes. Estáveis. Dessa forma, Simão, o "inconstante", iria se tornar Pedro, o "inabalável".

Nosso novo Papa, eleito em 13 de março de 2013 e conhecido como Jorge Mario, também mudou de nome: agora é simplesmente Francisco ou Franciscum (na forma latinizada). Por que Francisco?

11 de fevereiro de 2013

O Papa não quer mais ser Papa

Para choque, confusão e comiseração minha,
Joseph Ratzinger se sobressaiu a Bento XVI.
A propósito: quantos Papas renunciaram antes dele?

(Imagem: Pope Benedict XVI in a crowd in Saint Peter's square, By dgodin)

O ano mal começou e a maior notícia do ano já aconteceu: o bispo de Roma renunciará no próximo dia 28. Minha irmã, Andréa Cristina, me telefonou cedo de São Paulo: "Põe na Globo News, que o Papa não vai ser mais Papa". Desliguei na sua cara. E fiquei. Fiquei. Fiquei assentada no sofá branco da sala repetindo quieta, porém desnorteada: "Puxaram o meu tapete... Puxaram o meu tapete...". Não há tapete na sala. É apenas uma expressão que usamos aqui no Brasil quando algo completamente inesperado ocorreu.

Semanas atrás, terminei de ler duas biografias: Bento XVI - O Guardião da Fé e Itinerário Teológico de Bento XVI. Falei delas no Post anterior do Blog A Católica: Os santos, Bento XVI e o amor à Igreja. Senti-me mais próxima do Papa ao me familiarizar com sua trajetória, suas lutas, suas ideias, seu comprometimento com a Verdade. Por isso, não paro de me perguntar: "Por quê?". Por que ele não quer mais ficar à frente do barco da Igreja como João Paulo II, que vimos se apagar sem abandoná-lo?

La Vague Verte (after 1865), Claude Monet

Não julgo. Mesmo porque é coisa rara de se ver alguém assumir a própria pequenez. Ele não consegue mais manter as mãos no timão. Admitiu a fraqueza. Não quer que o barco se desoriente, se perca, se choque nas pedras. Então se retira e cabe à parte da tripulação - aos cardeais - reunirem-se e escolherem outra pessoa apta, sobretudo fisicamente. (Vi um especialista dizer na TV que não é fácil ser Sumo Pontífice nos dias que correm, devido ao volume de compromissos e à atividade intensa.)

28 de janeiro de 2013

Dona Zé e os 231 jovens que morreram no Sul do Brasil

Ao contrário da senhora de 72 anos, 4 meses e 15 dias,
os estudantes que partiram devido à tragédia em boate no Brasil
não aprenderão as lições que só o passar dos anos nos traz

(Imagem: fotografia de George Hodan)

Achei que eu iria embora pra casa tão logo a missa terminasse. Não foi bem assim. O padre (cujo nome não sei) pediu que nos assentássemos, porque seria feita uma homenagem. Lá na frente uma mulher, que me pareceu nova, começou a ler um texto tão bem redigido, tão cheio de palavras precisas, que até mesmo as crianças ficaram quietinhas, esperando que ela terminasse. Não reclamaram.

O texto era sobre a sogra dela, que havia falecido aos 72 anos, quatro meses e 15 dias de vida. Tinha um monte de apelidos. Memorizei um: "Dona Zé". Assim mesmo, no masculino.

A nora, cujo nome também não sei, descreveu a personalidade de Dona Zé: "Para ela, era oito e oitenta. Em todas as áreas de sua vida, detestava o 'mais ou menos'"; contou que a lasanha da sogra era "deliciosa" e que se desentendiam em alguns aspectos, sobretudo na pontualidade: "Eu chegava a um compromisso uma hora e dez; ela queria que eu chegasse [faltando] dez pra hora...". Gostei desse jogo de palavras.

Emocionada, continuou: "Ela pedia pra não ser importunada depois das 20 horas, mas estava a postos pra todo mundo, a hora que fosse; gostava de sua casa, porém arrumava qualquer pretexto pra dar uma saída; estava idosa, contudo se sentia com energia suficiente para se inscrever no coral da igreja e cantar no meio dos jovens, dos adolescentes. Eu a respeitava pelo simples fato de ser a mãe do meu marido e avó dos meus três filhos, mas passei a amá-la: foi uma sogra e tanto, que me defendia como uma tigresa".

Ao final da leitura, muitos na igreja choraram e a nora foi aplaudida de pé. Eu fui uma dos que se levantaram entusiasmados e cantaram junto ao coral: "Nossa Senhora, me dê a mão... Cuida do meu coração. Da minha vida... Do meu destino... Do meu caminho... Cuida de mim" - melodia famosa na voz do ídolo Roberto Carlos.

Na madrugada desse domingo, cerca de 230 jovens*, a maioria na faixa dos 20 anos de idade, foram fazer companhia à "Dona Zé".

18 de abril de 2012

A Sessão da Tarde e o aborto de anencéfalos

Um filme exibido na Rede Globo tem muito a ver
com as mulheres que optam por abortar
um feto sem partes do cérebro


(Imagem de Raoli)


Sou do tempo em que a Sessão da Tarde da Rede Globo de Televisão passava filmes decentes. Digo: dignos de serem vistos. Pela minha mente perfilam-se os longas do maravilhoso comediante Jerry Lewis; dos Três Patetas; aqueles dos anos 1970 sobre acampamentos juvenis e relação pais e filhos; aqueles dos anos 1980 sobre cursos de verão e temáticas mais dramáticas como Só Resta uma Esperança (título que ganhou no Brasil), com o então jovem e gatíssimo Mark Harmon.

Pois um desses filmes de drama, do tempo em que a Rede Globo não tinha medo de pôr qualidade no conteúdo que nos oferecia à tarde, me veio hoje assim... Meio do nada. (Será?)

Não me lembro do título, nem dos atores. Só guardei o roteiro e - talvez - o nome da personagem principal: Izobel. Tratava-se da história de uma mulher de cerca de 40 anos de idade, divorciada, que reencontra o amor num homem cerca de dez anos mais moço. No final do filme - cena que mais me marcou -, o rapaz pichava no muro que dava para um túnel: "Izobel, eu te amo". Em letras pretas e garrafais.

O longa não discorria sobre uma história de amor água com açúcar (como dizemos aqui no Brasil). O cerne do roteiro abordava um drama (eu falei de "temática dramática", lembra?).

Izobel era uma mulher bonita, interessante, culta... Porém, não acreditava em si. Padecia - embora de jeito algum aparentasse isto - de falta de autoestima. Costumava pintar quadros, mas os anos de casada levaram-na, pouco a pouco, a abandonar a vocação. Há um momento no filme - e disto me recordo bem - em que ela resolve mostrar suas obras antigas para o novo namorado. Ele se surpreende, se entusiasma e a elogia: "Izobel, você é boa! Você é muito boa! Você é ótima! Você tem que voltar a pintar! Você tem que retomar!".

Izobel apela, xinga o namorado, diz que ele está "mentindo". Eles brigam. Até se separam.

Procurando entender a reação irada da amada, o jovem acaba descobrindo que seu ex-marido, na época em que ainda era casada, acabou com toda a confiança que ela tinha no próprio talento. Também se não me falha a memória, há uma cena na qual Izobel, em prantos, diz: "Eu sou ruim. Eu sou ruim. Ele [seu ex-marido] tinha razão. Eu não pinto bem...".

15 de dezembro de 2011

E as águas estão rolando em BH (e como)

Chove sem parar há cerca de 4 dias na cidade que amo, aqui no Brasil.
Neste Post d'A Católica, uma síntese do que ocorre e
um reflexo do meu estado de espírito

(Fotografia de Ana Paula~A Católica - acatolica.blogspot.com)

Nasci e vivo numa cidade que há poucos dias completou 114 anos de criação. Eu amo Belo Horizonte - ou Belô, ou BH, como carinhosamente a chamamos. Amo.

Tenho orgulho de aqui ser o berço do Clube da Esquina (cuja estrela mais reluzente é o cantor e compositor Milton Nascimento); da banda pop Skank; do grupo de dança contemporânea Corpo e do grupo de teatro Galpão. Estamos cercados pela Serra do Curral, comemos pão de queijo, bolo de fubá, feijão tropeiro e couve picadinha e jogamos conversa fora no boteco. Adoro tudo isso.

Acontece que, de quatro dias para cá, a cidade que avisto da minha janela lateral e que vejo nos noticiários na televisão está um tanto irreconhecível: não para de chover. Com isso, a paisagem azul, iluminada e verde está branca e cinza; as pistas onde os automóveis, caminhões, ônibus e micro-ônibus transitam estão alagadas; os canteiros e passeios, amarronzados ou cor de caramelo - é a lama, é a lama, é a lama.

Aqui no Brasil, tem um hino do folclore popular que o povo nordestino costuma entoar, pedindo chuva a São José:

Glorioso São José
Glorioso São José
Dai-nos chuva em abundância
Glorioso São José.

Hoje, posso afirmar: nada em abundância é legal. E isso inclui a chuva.

A água que cai do céu nesses últimos dias aqui em BH é tanta, é tamanha, que confesso a você: estou profundamente irritada. As enchentes que se formaram, alagando vias como as avenidas Antônio Carlos e Cristiano Machado; asfaltos que afundaram e se romperam, ameaçando prédios, como no Bairro Gutierrez; encostas que deslizaram e interditaram túneis, como na BR 356, em frente ao Ponteio Lar Shopping...

... Assistir pela TV ao desespero dos belo-horizontinos é angustiante.

30 de novembro de 2011

Vivemos a cultura do divórcio

IBGE divulga número de casamentos desfeitos no Brasil.
Vaticano celebra 10 anos do Primeiro Casal Beatificado na Igreja.
O que temos a aprender com tudo isso?


(A photograph of a wedding license from 1883, por David W. Crider)

Há três anos, quando pessoas próximas (parentes, amigos) ficaram sabendo que Farney e eu nos casaríamos após 8 anos juntos - seis de namoro e dois de noivado -, ele e eu ouvimos comentários "interessantes". O primeiro foi em 25 de maio de 2008 - guardei a data, porque ocorreu em uma feira de livros aqui em Belo Horizonte, quando adquiri a obra Teresa de Ávila, de Walter Nigg (Edições Loyola).

Naquele dia, uma conhecida do meu marido me perguntou se eu colocaria o sobrenome dele. Respondi que não, que o meu nome completo seguiria o mesmo. Ante a minha resposta, eis "a pérola" que ela soltou: "Melhor assim. Quando tiver que se separar será mais fácil...". Juro, internauta d'A Católica. Não estou brincando. Eu ouvi isso às vésperas do meu casamento.

Alguns meses depois, quando os convites já estavam distribuídos, recebi um telefonema no qual um conhecido meu me desejava Tudo de Bom... Teria sido uma ligação maravilhosa, se ele não tivesse feito questão de acrescentar aos seus votos de Felicidades esta observação: "Mas não se esqueça, Ana Paula. Casamento não tem que ser para sempre. Se tiver que se separar, separe!".

As lembranças desses comentários vieram à tona neste 30 de novembro, porque me deparei com as notícias sobre a nova pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Os títulos dos artigos na Internet variavam entre Taxa de divórcios atinge seu maior valor em 2010 no Brasil e Taxa de divórcio sobe a 1,8 para cada mil brasileiros.

Fotografia de Frank Vincentz

Achei curiosa a coincidência, pois em 22 de novembro a agência de notícias Zenit publicou o seguinte artigo: Uma Segunda Chance Para o Matrimônio, cujo subtítulo é "Dicas de como reduzir os divórcios". Reduzir? Segundo o texto do site Exame.com, para Cláudio Crespo, gerente de estatísticas vitais do IBGE, "os números [da pesquisa do instituto] confirmam a consolidação da aceitação do divórcio pela sociedade brasileira".

É verdade: os comentários que Farney e eu tivemos que escutar ao anunciarmos o nosso matrimônio em 2008 demonstram que Crespo está com a razão.

O divórcio não somente é aceito aqui no Brasil, como já é esperado por alguns parentes e amigos. Parece que junto com o convite bonito, guardado com carinho em um envelope duro, com os nomes dos noivos e de seus pais em alto relevo e o endereço da paróquia onde se dará a cerimônia, aquelas pessoas conseguem "ver", embora em nenhum lugar esteja legível, a data da separação...

Eu não as culpo.

29 de novembro de 2011

Por que os jovens abandonam a Igreja?

Lembro por que uma vez abandonei a Igreja Católica
e sei muito bem por que eu voltei:
graças aos trabalhos de Padre Marcelo Rossi e da TV Canção Nova

(Padre Marcelo em 2006 - Fotografia de Sérgio (Savaman) Savarese)

Acabei de ler uma notícia recém-publicada no site de notícias Zenit, cujo título é o mesmo que dei a este Post d'A Católica. Ao terminar a leitura do artigo, que gira em torno do lançamento do livro You Lost Me: Why Young Christians are Leaving the Church... and Rethinking Faith (Você me perdeu: por que jovens cristãos estão deixando a Igreja... E repensando a fé), comecei a refletir por que eu, Ana Paula, no início dos anos 1990, com cerca de 15 anos de idade, deixei a Igreja...

... Mas, principalmente por que, já na casa dos 30, voltei. Decidi voltar.

Pelo que apreendi do texto da Zenit, são inúmeros os motivos pelos quais os jovens de cerca de 20 anos de idade abandonam a participação institucional, ou seja, deixam de comparecer às missas: "Ao analisar as causas do afastamento dos jovens das igrejas, Kinnaman [um dos autores do livro] admite que esperava encontrar uma ou duas razões principais, mas descobriu uma grande variedade de frustrações que levam as pessoas a esse abandono".

Uma dessas razões me chamou a atenção:

Em muitos casos, as igrejas não conseguem educar os jovens em profundidade suficiente. Uma fé superficial deixa adolescentes e jovens adultos com uma lista de crenças vagas e uma desconexão entre a fé e a vida diária. Como resultado, muitos jovens consideram o cristianismo chato e irrelevante.

No início da adolescência, comecei a achar a Santa Missa a "coisa mais chata do mundo". Tediosa, repetitiva, sem nexo. Também não entendia por que a gente tinha que levantar, sentar, ajoelhar, levantar de novo, sentar... Não via sentido nessa movimentação toda: morrendo de preguiça, eu só queria saber de ficar assentada até o padre dizer: "Vamos em paz e que o Senhor nos acompanhe". Ao que respondemos: "Graças a Deus". Para a jovenzinha que fui, era "Graças a Deus" mesmo. Literalmente: "Ufa! Acabou!".

Coincidentemente, desolada pela morte da minha avó inesquecível, a Nelita ou Mãe-Ita (sobre quem já publiquei um Post aqui n'A Católica), minha mãe se tornou espírita kardecista. Segundo suas próprias palavras, essa doutrina oferecia um consolo que ela não encontrou na Igreja Católica. Curiosa, aberta ao que é novo e motivada pelo entusiasmo da minha mãe e da minha madrinha, acompanhei-as nessa escolha e também passei a crer em "outras vidas", etc., etc., etc.

Surpreendentemente porém, com o passar dos anos, o espiritismo kardecista não me preencheu. Comecei a sentir falta do Santo Terço, das preces aos santos, dos rituais e de outros elementos que só a Igreja Católica tem.

A questão é: como essa espécie de "saudade do Catolicismo" foi tomando conta de mim? Resposta: foi me dominando, porque no final dos anos 1990 a Renovação Carismática Católica ganhou força no Brasil, sobretudo personificada na figura de um padre alto, de olhos azuis e extremamente animado: Padre Marcelo Rossi.

29 de agosto de 2011

Duas reportagens que me chocaram

Duas jornalistas trazem à tona discussões sobre a ÉTICA:
na primeira, mães decidem matar um dos filhos;
na segunda,
um engenheiro vende trabalhos plagiados a terceiros

(Fotografia de Petr Kratochvil)

Sempre tive dificuldade de escolher. Quando meus pais me diziam "Só tem dinheiro para um. Decida-se", eu entrava em pânico. Queria os dois ou os três. Queria tudo. Quando comecei a trabalhar e a ter o meu dinheiro, se gostava de um artista, não queria apenas o seu mais recente CD, mas todos os que ele lançou. Eu dava cheque pré-datado, dividia de mil vezes e levava tudo o que houvesse. Porque era impossível (para mim) ficar com um só. Porque para coisas bonitas, como a arte, sou partidária do "quanto mais, melhor".

Ontem, folheando a revista Época desta semana (29 de agosto de 2011 - Nº 693), descobri algo que me desconcertou. Há pessoas neste mundo bem diferentes de mim: elas têm habilidade e precisão para escolher. Para elas, ainda que se diga respeito não a objetos, e sim a algo valioso e bonito como A Vida, "quanto menos, melhor".

O que quero dizer é: de acordo com a reportagem Destruição assistida, da jornalista Cristiane Segatto, há pessoas neste mundo que optam por qual dos dois fetos, dentro de uma barriga, durante uma gravidez, deve sobreviver. Isso mesmo que você leu. Por razões sobretudo econômicas, a mãe dá cabo do outro, esteja ele se desenvolvendo saudavelmente ou não, através de um processo denominado "meio aborto".

É difícil nos dias de hoje sabermos de algo que realmente nos choque. É que a banalização da violência, da corrupção, da impunidade, da vulgaridade, da falta de respeito e da imoralidade é tanta, que temos a sensação de "já ter visto de tudo". É raro conhecer algo e chegar à conclusão: "Nossa. Agora fiquei sem chão". Pois foi essa a reação que tive, internauta d'A Católica, ao terminar de ler a matéria da revista.

Dois trechos, particularmente, me abalaram. Em um, a jornalista descreve o procedimento do "meio aborto" (atenção, as linhas a seguir são fortes):

A redução embrionária é feita na 12ª semana de gestação. Quando os dois embriões* parecem saudáveis, a escolha é aleatória. Com a ajuda do ultrassom, o médico localiza o embrião de mais fácil acesso e injeta cloreto de potássio na região que parece pulsar. O objetivo é atingir o coração. A morte é instantânea.

4 de maio de 2011

Blogueiros no Vaticano: algumas notas sobre o encontro

CONFIRA o que foi discutido no Vatican Meeting Blog,
a reunião de blogueiros no Vaticano, que tratou de evangelização
através dos Blogs e da relação entre Igreja e Blogosfera!


Fotografia de Petr Kratochvil

Internauta d'A Católica:

Como muita gente na Blogosfera ou "Efigênia" (o mundo dos Blogs) sabe, nesta semana ocorreu o Vatican Meeting Blog - que pode ser traduzido para algo como: "Encontro vaticano de Blogs". O Pontifício Conselho para a Cultura e o Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais organizaram e promoveram, em nome da Santa Sé, uma reunião com blogueiros de todo o mundo.

Não foi um congresso, e sim apenas algumas horas de "de discussões sobre o papel da Igreja no contexto das novas mídias", conforme a Rádio Vaticano sintetizou. Padre Djalma Lúcio Magalhães Tuniz, scj, um dos seis blogueiros do Brasil escolhidos para integrar o debate, escreveu em um de seus Posts:

Logo no início já ficamos sabendo que este encontro não tinha grandes pretensões, não queria ser um seminário, não queria falar sobre como fazer um blog e muito menos as característica [sic] de um blogueiro católico, mas o objetivo principal era promover um diálogo entre blogs e a Igreja. A Igreja estava pronta para escutar.

Wagner Moura, que estava entre os seis brasileiros selecionados, avaliou: "Não foi uma reunião sobre 'como e o que blogar', nem sequer um evento católico – havia não-católicos na reunião que não teve temática religiosa especificamente, apesar do tratamento à Igreja como fonte de informação. Foi um momento de diálogo cultural, como, aliás, é percebida a internet, seus blogs, suas redes sociais...".

Segundo o site Catholic News Service, Richard Rouse, funcionário do Pontifício Conselho para a Cultura, explicou que a reunião do Vaticano "não foi concebida como um seminário sobre 'como fazer', nem foi destinada a desenvolver um 'código de conduta', mas em vez disso reconhecer o papel dos blogs nas comunicações modernas e iniciar um diálogo entre os blogueiros e o Vaticano".

Os organizadores, de acordo com a agência de notícias internacional Zenit, expuseram assim os objetivos:

Permitir um diálogo entre os blogueiros e representantes da Igreja, compartilhar experiências dos que trabalham diretamente neste campo e compreender melhor as necessidades desta comunidade. Também, apresentar algumas das iniciativas que a Igreja está empreendendo para entrar em contato com o mundo dos novos meios de comunicação, tanto em Roma como em outros lugares.

Cento e cinquenta blogueiros de todo o mundo foram pinçados para o evento, que ocorreu em 2 de maio (um dia após o Papa João Paulo II tornar-se Beato João de Deus, como carinhosamente o chamamos aqui no Brasil), no Auditório São Pio X, na Via da Conciliação, em Roma (Itália). Conforme o site da Arquidiocese de Campinas, entre os escolhidos

Há alguns blogueiros iniciantes e outros famosos; alguns blogs são institucionais, outros pessoais; existem aqueles que contam histórias pessoais e outros que narram fatos e acontecimentos locais e internacionais. Alguns são profissionais e têm um bom financiamento e outros funcionam como um trabalho de voluntariado.

Segundo a agência Zenit, 750 blogueiros inscreveram-se e só não puderam participar in loco, "por falta de espaço". O site da Arquidiocese de Campinas elucidou:

Foi feita uma pré-seleção buscando garantir uma presença diversificada, e, em seguida, uma seleção final por sorteio. Os organizadores pediram que aqueles que não foram escolhidos não se sintam excluídos e esclarecem que ser selecionado não implica qualquer aprovação do conteúdo dos blogs pelo Vaticano, nem o contrário: não ter sido selecionado não significa uma desaprovação.

Como visto, seis blogueiros brasileiros foram selecionados - e não apenas cinco, como muitos divulgaram: Pe. Djalma Lúcio Magalhães Tuniz, scj (inscrição número 119); Wagner Moura (número 149); Jovens Sem Fronteiras (número 67); Vittorio Saraceno (número 148); Rodrigo Gurgel (número 127) e Edmar Araújo (número 32).

Até o final da tarde desta quarta-feira, 4 de maio, três deles blogaram a respeito do encontro - o que me fez supor que apenas três Blogs do Brasil inscritos e escolhidos estiveram representados em Roma. Eis aqueles com Posts sobre o Vatican Meeting Blog: Blogueiro 119 (Djalma Tuniz,scj), do Padre Djalma Tuniz, scj; Vida sim, aborto não!, de Wagner Moura, e Jovens Sem Fronteiras.

2 de maio de 2011

Obama pega Osama

Depois de quase uma década, o criminoso mais procurado no mundo
é encontrado... E morto. A euforia nas ruas nos EUA é compreensível, mas
destoa dos enormes desafios que nos aguardam (a todos) na luta contra o terror

Imagem de J. Howard Miller - Artist employed by Westinghouse,
poster used by the War Production Co-ordinating Committee (1942)

Me lembro bem daquele 11 de setembro de 2001. Eu havia acordado (eram cerca de 9h30 da manhã) e colocado na bandeja de alumínio colorida: pão, broa de fubá, talvez alguns biscoitos recheados e leite com Nescau - ou seria café com leite? Sentei no sofá do quarto de televisão, peguei o controle e liguei a TV. Parei na Rede Globo. A imagem estava "congelada" em um enorme edifício escuro, de onde saía fumaça preta. Atrás, o céu muito claro, quase branco.

Mordi o pão. Tomei o leite. "Que lugar é esse?"; "Por que a Rede Globo está mostrando isso?". Ouvi a voz simpática do excelente jornalista Carlos Nascimento (que atualmente trabalha em outra emissora, o SBT). Ele explicava que aquele edifício, de onde a fumaça preta saía, ficava em Nova York, nos Estados Unidos. Não recordo o que mais ele falou. Segui acompanhando a transmissão. E comendo.

Olhei para a bandeja, a fim de pegar um pedaço de broa. Ou um biscoito. Então, rapidamente, meus olhos se desviaram de novo para a TV, quando ouvi a voz um tanto aflita de Carlos Nascimento: "Outro avião. Olhem lá, outro avião! O que é isso??... Ele está muito baixo! Vai bater no outro prédio, vai bater...".

Foi assim, internauta d'A Católica, que assisti ao vivo ao segundo avião sequestrado por terroristas ligados à rede Al-Qaeda chocar-se contra a segunda das Torres Gêmeas do World Trade Center - até então, os maiores arranha-céus da cidade de Nova York: teriam 110 andares e cerca de 415 metros de altura cada um.

Naquela mesma manhã, um terceiro avião, também tomado por terroristas, atingiu o Pentágono - que abriga o Departamento de Defesa do governo norte-americano -, no Condado de Arlington. No total, conforme o portal de notícias G1, 2.973 pessoas morreram nos ataques naquele dia inesquecível - três delas eram brasileiros. Nos dias que decorreram, um nome seria pronunciado à exaustão: o de Osama Bin Laden.

29 de abril de 2011

Lembrando Diana - a rosa da Inglaterra

O Casamento de William e Kate me fez pensar na Grande Ausência
da mãe do herdeiro do trono britânico: Princesa Diana.
Relembre as circunstâncias de sua morte e confira um editorial

Fotografia de Vojko Kalan

Dizem que cerca de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo se postaram em frente à TV, a fim de assistir, nesta sexta-feira, ao casamento do Príncipe William - que (conforme a imprensa) recebeu da avó, a Rainha Elizabeth II do Reino Unido da Grã-Bretanha, o título de Duque de Cambridge - com Kate, que se tornou Duquesa Catherine. Eu fui uma delas. Uma dos 2 bilhões de telespectadores.

A cerimônia na Abadia de Westminster, da Igreja Anglicana, que fica em Londres (Inglaterra), foi belíssima. Destaco duas coisas: as tomadas de câmera, que começavam lá do alto e sobrevoavam os chapéus coloridos das elegantes convidadas (nobres ou não), e também o coral de meninos, que entoou várias canções as quais, mesmo sem entender nadinha dos versos, me emocionaram. O irmão da noiva, James Middleton, leu trechos de uma das epístolas de São Paulo, a Carta aos Romanos. Alguns versículos:

"Que vossa caridade não seja fingida. Aborrecei o mal, apegai-vos solidamente ao bem. Amai-vos mutuamente com afeição terna e fraternal. Adiantai-vos em honrar uns aos outros. Não relaxeis o vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor. Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração. Socorrei às necessidades dos fiéis. Esmerai-vos na prática da hospitalidade.

Abençoai os que vos perseguem; abençoai-os, e não os praguejeis. Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram. Vivei em boa harmonia uns com os outros. Não vos deixeis levar pelo gosto das grandezas; afeiçoai-vos com as coisas modestas. Não sejais sábios aos vossos próprios olhos.

Não pagueis a ninguém o mal com o mal. Aplicai-vos a fazer o bem diante de todos os homens. Se for possível, quanto depender de vós, vivei em paz com todos os homens. Não vos vingueis uns aos outros, caríssimos, mas deixai agir a ira de Deus, porque está escrito: A mim a vingança; a mim exercer a justiça, diz o Senhor.

Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber. Procedendo assim, amontoarás carvões em brasa sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem" (Rm 12, 9-21).

Analistas disseram na TV que se trata de um texto religioso com forte mensagem política, adequada para um mundo globalizado e multiculturalista, urgentemente necessitado de respeito mútuo, entendimento e tolerância quanto o que vivemos.

Porém, este Post d'A Católica é para "chorar", digamos assim, uma ausência sentida no evento desta sexta-feira: a da Princesa Diana, mãe do Príncipe William, recém-convertido em Duque de Cambridge. Revirando anotações antigas, encontrei um editorial que escrevi para o Jornal Mural exibido na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich-UFMG), onde estudei Comunicação Social-Jornalismo.

Diana morreu aos 36 anos de idade na madrugada de 31 de agosto de 1997. Sua agonia, que durou cerca de três horas, começou em um túnel próximo ao rio Sena, em Paris (França).