12 de abril de 2026

Maus modos

Foto de Rheo Gauthier

Tem ar de malcriação o fruto
que chega à maturação:
dá as costas à copa com tudo
sem demonstrar gratidão!

Esperança

Imagem de Mick Lissone

Porque é de carne no fundo
e não de pedra (nem de leve)
podes crer que existe sumo
dentro de um coração agreste.

Relógio

Imagem de Dawn Hudson

Seus ponteiros desnutridos
(bracinhos raquíticos)
vão garfando sem prurido
nosso frescor típico!

11 de abril de 2026

Bem-nutridos

Foto: 000000000SH111111111
(CC BY-SA 4.0)

Cá embaixo, as almas ávidas,
é o firmamento quem as sustenta.
A Lua, ainda que árida,
boêmios e poetas, alimenta.

Lua

Foto de Luisalvaz (CC BY-SA 4.0)

Todo o infinito à mão, e ela resiste:
na circunvizinhança é sempre avistada.
Paira ao redor de si uma aura triste
de quem não vaga pois seria domada...

Modus operandi

Foto de Ludovic Hirlimann
from Grisolles, France (CC BY 2.0)

Porque tem um olhar agudo desde cedo
o alvor torna o amanhecer algo certo:
acha um sulco no breu e perfura o cerco
levando seu frescor ao céu austero.

10 de abril de 2026

Em claro

Foto de Andrea Stöckel

Pra quem apagou, a noite é tranquila
embora no céu aconteça um alvoroço.
Para aqueles que estão com a insônia em dia
astros acesos são carne de pescoço!...

Extravagância

Foto: Virginia State Parks (CC BY 2.0)

O Sol desconhece a reserva:
chega e parte de modo suntuoso.
Porta-se assim, entra e sai era,
em respeito a seu estilo barroco.

Habilidosa

Foto: NASA

Apesar de todo o breu lá fora
onde não se enxerga nada
a Lua navega e chega à costa
sem a ajuda de uma carta.

9 de abril de 2026

Tardinha

Foto de Shawn Hinsey (CC BY 2.0)

Mesmo com a doçura da alcunha
pela morte todo o seu proceder prima:
contra o Sol uma arma empunha
e oculta o cadáver ainda por cima.

Quimera

Foto de John D. from Pasadena, USA (CC BY 2.0)

Quem aprecia a Lua é poeta:
o insone quer outra contraparte.
Já que toda uma noite o exaspera
- afinal, com custo, ela parte -
costuma dizer: "Ó quem me dera
que qualquer ser, o Sol, ancorasse!".

Arrebol

Foto: U.S. National Archives and
Records Administration

A Tardinha morre de pressa
e mete as esporas no Dia.
O céu sangra, mas logo cessa,
pois vem a Noite e o cicatriza.