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7 de maio de 2026

O Cavaleiro

Imagem: Mais antigo retrato
de Francisco de Assis (1228-29) -
Foto de Parzi

São Francisco já teve uma armadura.
Indo pra guerra atrás de fama e fortuna
regressou doente em busca da cura.
Caindo em si, suas metas reajusta:
viu que é interna a genuína luta
a qual dispensa a metálica estrutura.
Desse duelo, tem até quem fuja
mas pra Francisco é uma perda a recusa
porque nesse embate a alma se acura.

3 de maio de 2026

Um Papo sobre Conversão

Tela: Coroado com Espinhos,
Carl Bloch (1834–1890)

"Cada um sabe onde o calo dói." O meu é na cabeça, pois há anos sofro de enxaqueca. Eu e o poeta João Cabral de Melo Neto. Eu e a filósofa Simone Weil. Por isso, quando nas leituras bíblicas no tempo da Quaresma menciona-se que puseram em Jesus uma coroa de espinhos e que batiam na cabeça Dele com uma vara, fico sensibilizada. A Bíblia não entra em detalhes. O Evangelho Segundo Marcos diz apenas isso. O resto fica para nossa imaginação. Teresa de Ávila usou a dela.

Num dia, dentro do convento, passou por um corredor e topou com uma imagem posta na parede que representa (até hoje ela existe) Cristo na coluna, atado com cordas, no momento em que é flagelado pelos algozes. O ensaísta Walter Nigg, no livro "Teresa de Ávila" (Edições Loyola, 1995), conta que Teresa "parou diante da estátua, descobriu como o sangue escorria em torrentes pelo corpo de Cristo e os tormentos que o homem das dores tinha de suportar. Subjugada pela contemplação da cena, dobrou os joelhos e caiu banhada em lágrimas". 

5 de julho de 2013

Valeu pela HONESTIDADE, São Tomé!


Conhecido (injustamente) como o apóstolo do ver pra crer,

Tomé é exemplo de cristão que NÃO usa máscaras e
NÃO tem medo de assumir as suas dúvidas

(Imagem de George Hodan)

São Tomé é daquele tipo de gente que não usa máscaras. Ele é o que é. Fala o que pensa. Não tem medo de se passar por ridículo, de ser desmentido pelos fatos nem de (aparentemente) morrer. E pensar que, desde os tempos de catecismo, "aprendemos" que ele é apenas aquele apóstolo que duvidou da ressurreição de Jesus. Que disse que só acreditaria que Nosso Senhor ressurgiu da mansão dos mortos vendo, tocando, sentindo:

Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Os outros discípulos disseram-lhe: "Vimos o Senhor". Mas ele replicou-lhes: "Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!".

Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco!". Depois disse a Tomé: "Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé".

Respondeu-lhe Tomé: "Meu Senhor e meu Deus!". Disse-lhe Jesus: "Creste, porque me viste. Felizes aqueles que creem sem ter visto!" (Jo 20, 24-29).

Pois bem.

Tomé me representa. E pode representar você também.

Todos nós, de um jeito ou de outro, queremos e pedimos provas que reaqueçam a nossa fé. Sem elas, esmorecemos, vacilamos, abandonamos. Podemos não ter tido o privilégio do santo "incrédulo" de ver, tocar e sentir as feridas causadas pela crucificação de Jesus Cristo. Porém, em muitos momentos da nossa vida, também solicitamos confirmações de que o Filho de Deus é real. De que Ele existe.

É ou não é?

The Incredulity of St Thomas (1634), Rembrandt

Tem gente que reza assim:
- "Meu Senhor, se Você existe, mande chuva pra regar minha hortinha...";
- "Deus, se Você é Pai mesmo, salve a vida do meu tio, que está na UTI";
- "Faça o meu time ganhar, então vou acreditar 'mais' em Você..."; e por aí vai.

Muitos de nós, quando oramos, colocamos a condição de os Céus atenderem a nossas preces como A PROVA de que Jesus esteve por aqui há mais de 2.000 anos, caminhou entre os nossos, ressuscitou e está "sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso" - como recitamos no Credo, também chamado de Símbolo dos Apóstolos.

São Tomé é gente como a gente...

... Ou como alguns de nós.

25 de junho de 2013

Milhares de "João Batista" pelo Brasil afora

Como o primo de Cristo há 2.000 anos,
brasileiros vão às ruas clamar pelo fim da corrupção.
Devem só tomar o cuidado de não passarem de "caniços ao vento"

Imagem: Biblical illustration of Gospel of Mark Chapter 1 (1984),
Biblical illustrations by Jim Padgett

Manifestação contra aumento da tarifa de ônibus SP (BRASIL) -
7 de junho de 2013 - Fonte: https://secure.flickr.com/photos/mariaobjetiva

O que me marca na história do primo de Jesus, cuja natividade a Igreja celebrou nesse 24 de junho?

Duas coisas: a sua capacidade de ascese, ou seja, de mortificar-se, de viver sozinho no deserto a pão e água (ou melhor, a gafanhoto e mel) e a sua impetuosidade, ousadia, atrevimento mesmo de escancarar para os hipócritas e poderosos os seus pecados. Ele é "aquele que grita no deserto". Não é que me lembra os brasileiros "que gritam" nas ruas nas últimas semanas? Que gritam, como há 2.000 anos, contra a devassidão de alguns políticos (os poderosos) do Brasil?

João Batista não é uma figura simpática. Tomava mel, mas não tinha nada de doce. Era duro. Exigia muito de si mesmo e exigia dos outros. Não sei como conseguiu ter seguidores. Não dançava, mal comia; enquanto Jesus é muitas vezes retratado na Bíblia participando de festas (como as Bodas de Caná) e de banquetes (na casa de Mateus e na de Zaqueu, por exemplo). À 1ª vista - ou à 1ª lida -, parece mais fácil seguir a Cristo do que a João Batista. (Sim, eu sei: é uma besteira o que acabei de escrever...)

17 de junho de 2013

8 Conselhos (ou Ordens?) de Teresa de Calcutá


O homem é irracional, egocêntrico:
não importa, ame-o!

Fotografia de George Hodan



















Salvezza - Imagem de Roberto Ferrari
from Campogalliano (Modena), Italy
Se você fizer o bem
dirão que tem
intenções egoístas:
não importa, faça o bem!



















Na busca da realização dos seus objetivos,
encontrará falsos amigos e verdadeiros inimigos,
não importa: busque-a!

Le baiser de Judas (Sem Data), Haut-Rhin Alsace



















O bem que você faz poderá ser esquecido amanhã:
não importa, faça o bem!

ISAF soldier helping an Afghan kid -
Fotografia de TKnoxB from Chemainus, BC, Canada




















23 de março de 2013

Fratello, hermano: o novo Papa e Francisco de Assis

Conheça a vida do italiano São Francisco de Assis
que, com a ajuda de um cardeal brasileiro,
inspirou o nome (e revela o perfil) do Pontífice argentino

Imagem: Papa Francisco - 18 March 2013 - Fotografia: Casa Rosada


Este Post do Blog A Católica é dedicado a minha irmã Andréa Cristina.

Graças ao telefonema dela, pude acompanhar ao vivo,
pela TV Canção Nova, a primeira aparição do Papa Francisco.
(O que me custou chegar bastante atrasada ao médico...)


Li uma vez que a mãe da cantora Simony adorava o nome Simone. Mas, como já havia uma cantora de sucesso aqui no Brasil com esse nome, decidiu trocar o E pelo Y, pois tinha a certeza, em seu coração, de que sua filha também seria famosa. Assim, optou por Simony, com Y. E não é que a filhota brilhou mesmo nos palcos e programas de TV brasileiros nos anos 1980? Coração de mãe não erra - é o que dizem.

Quando foi a minha vez de escolher um nome para o meu rebento, católica que sou, já determinei para mim mesma que ele teria nome de santo ou um nome bíblico. Porém, eu também queria homenagear algum parente querido, que se foi. Pesquisando, descobri que o nome do meu primeiro avô materno - isto mesmo: primeiro, porque tive dois -, bem, descobri que o nome do Vovô Jaime era JACÓ em espanhol.

Jacó, como sabemos, é um personagem bíblico: neto de Abraão e filho de Isaac.

Conforme o Guia Visual da História da Bíblia (National Geographic, 2008): "Com a ajuda da mãe [Rebeca], Jacó conseguiu ser abençoado pelo pai, Isaac, no lugar do seu irmão, Esaú. A bênção lhe prometia prosperidade e bem-estar, assim como dominação sobre o irmão. Qualquer pessoa que Jacó abençoasse receberia a bênção, e qualquer um que ele amaldiçoasse ficaria amaldiçoado".

Também homenageei outro avô, o paterno: Raul Augusto - que tem uma categoria dedicada a ele aqui no Blog A Católica. O nome do meu menino, então, ficou assim: Jaime Augusto.

Jaime (Jacó, em espanhol) significa "aquele que vem no calcanhar"; "o que suplanta"; "vencedor". Quanto ao segundo nome, Augusto, é uma variação do latim Augustus e significa "dignidade majestática; sagrado, sublime". No nome escolhido está impressa a expectativa de que meu filho seja um vencedor sublime de si mesmo. Que ele se suplante e conquiste o Céu.

Papas também têm que escolher o nome por que deverão ser chamados - basta conferir a pergunta de número 11 do Post d'A Católica Habemus papam! Ops. O que é um Papa?. O primeiro deles, São Pedro, chamava-se Simão.

Szene: Der Hl. Petrus empfängt die Schlüssel - Early 11th century -
Meister des Perikopenbuches Heinrichs II -
Fonte: The Yorck Project 10.000 Meisterwerke der Malerei, 2002

De acordo com Padre Léo, em uma de sua maravilhosas pregações, o nome Simão evocava algo "movediço", "instável". Cristo o trocou por Cefas, que é pedra em grego: "Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: 'Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas' (que quer dizer pedra)" (Jo 1, 42). Pedras são firmes. Estáveis. Dessa forma, Simão, o "inconstante", iria se tornar Pedro, o "inabalável".

Nosso novo Papa, eleito em 13 de março de 2013 e conhecido como Jorge Mario, também mudou de nome: agora é simplesmente Francisco ou Franciscum (na forma latinizada). Por que Francisco?

6 de março de 2013

Valentim: o santo sem vergonha

Em vários países, o Dia dos Namorados se chama Valentine's Day
(ou Dia de São Valentim). De fato, o testemunho desse santo
é uma prova iluminada do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo


(Imagem: Valentine's Day - Prang's Valentine cards. Advertisement for
Prang's greeting cards, showing a woman holding a group of tethered cherubs,
who float like a bunch of balloons above her - 1883 - Boston L. Prang & Co.)


Este Post do Blog A Católica foi escrito por sugestão
do internauta Fabricio Biela Vassoler,
coordenador da equipe de liturgia em sua paróquia


Hoje em dia está dureza reconhecer um católico. Um cristão. Há muito tempo não vejo um católico fazer o Sinal da Cruz ao passar diante de uma igreja. Seja quando estou a pé, caminhando pelo centro de Belo Horizonte (onde nasci e vivo), seja quando viajo de ônibus. O coletivo passa na Avenida Afonso Pena, em frente à Igreja São José, e dificilmente alguém se arrisca a exibir sua devoção às dezenas de passageiros.

Nos shoppings centers é a mesma coisa. Nas "Praças de Alimentação", diante da bandeja com hambúrgueres, massas ou comida japonesa, pessoa alguma faz o Sinal da Cruz para abençoar a refeição.

Eu era assim, envergonhada em mostrar a minha fé.

Levava a ferro e fogo (como dizemos aqui no Brasil) aquela passagem da Bíblia na qual Jesus Cristo diz que o melhor é orar dentro do quarto, com a porta fechada, "em segredo", sem que ninguém nos veja (Mt 6, 5-6). Contudo, reconhecer que uma igreja é a Casa de Deus, que lá está o Corpo de Cristo, e abençoar a comida antes de degustá-la não é exibicionismo barato nem hipocrisia - aquilo que Nosso Senhor condenava nos fariseus (ver página ABCatólica) -, e sim demonstração de fé.

Pois o dia em que ouvi Padre Léo contar em uma de suas maravilhosas pregações que os muçulmanos, não importam onde estejam, deu determinado horário, se ajoelham voltados para Meca, a fim de orar, fiquei chocada. Quero dizer: admirada. Padre Léo disse que testemunhou alguns muçulmanos tomarem essa atitude ali, no saguão de um aeroporto, na frente de um monte de gente. Eles se ajoelham. Nós temos vergonha do Sinal da Cruz.

Para mim, a ausência desse gesto simples com a mão direita e das palavras Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo - gesto simples e carregado de bênçãos - sinaliza uma fé fria, prestes a se apagar, como a chama trêmula de uma vela derretida, no fim. E foi justamente o contrário disso, a robustez da fé, a falta de pudor em testemunhar a filiação à Igreja, a Nosso Senhor Jesus Cristo, o que me tocou ao conhecer a vida de São Valentim. Ou melhor: a vida de dois São Valentim.

Isto mesmo: há dois São Valentim na Igreja Católica. E ambos são celebrados no mesmo dia: para alguns autores, dia 13 de fevereiro; para outros, no dia 14. Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini, no livro Um Santo para Cada Dia (Paulus, 1996), afirmam:

De nome Valentim são dois os santos canonizados. Ambos viveram no século III. Uma simpática tradição dos países saxônicos diz que a festa de são Valentim assinalava a época dos pássaros fazerem ninhos, o despertar da natureza e do amor. São Valentim tornou-se por isso o patrono dos noivos. Qual dos Valentim? O sacerdote romano que foi martirizado em 268 ou o bispo de Terni [Itália], que foi também martirizado cinco anos depois?

15 de junho de 2011

Três ORAÇÕES ao Coração de Jesus

Neste Post d'A Católica, conheça as preces criadas por:
Santa Gertrudes, São João Eudes e Santa Margarida Maria Alacoque.

Imagem: Sacred Heart of Jesus (1848), Published by N. Currier

O Papa Pio XII (Sumo Pontífice de 1939 a 1958) elucida na encíclica Haurietis aquas (1956), onde fundamenta teologicamente o culto ao Coração de Jesus, que vários santos distinguiram-se no desenvolvimento dessa devoção.

A seguir, você acompanha os resumos da vida de três deles, escritos pel'A Católica, e as orações que criaram para o Coração Eucarístico. Ah: não deixe de conferir também o Post do Blog: TUDO sobre o Sagrado Coração de Jesus. Saúde e Paz!!

10 de junho de 2011

TUDO sobre o Sagrado Coração de Jesus

Confira TUDO o que você sempre quis saber sobre o culto
à fonte de todo o amor de Deus por cada um de nós:
o Coração de Seu Filho! Adore-O sem receio!

(Fotografia de GFreihalter)

Internauta d'A Católica, Saudações!!

Estamos no mês do Sagrado Coração de Jesus e o Blog traz para você um texto que pesquisei, redigi e publiquei no informativo de uma das paróquias da Arquidiocese de Belo Horizonte, em Junho de 2010. Se não me engano, a celebração mesmo só ocorre no final deste mês. Contudo, a intenção é dividir informações com você, a fim de que a nossa participação no mistério dessa devoção seja mais fecunda! Afinal, só se AMA bem, aquilo que se conhece de verdade. Leia! Aproveite! Saúde e Paz!!

Viva o Coração de Jesus!

A devoção ao Coração de Jesus é tão antiga quanto a Igreja e teria começado quando um dos soldados traspassou o lado de Cristo crucificado com a lança, fazendo com que saísse imediatamente “sangue e água” (Jo 19,33) – sinais de dois sacramentos: a Eucaristia e o Batismo. Na encíclica Haurietis aquas, Pio XII (papa de 1939 a 1958) frisa que o culto ao “Coração transfixado do Redentor nunca esteve completamente ausente da piedade dos fiéis”. Mas, reconhece que “a sua manifestação clara e a sua admirável difusão em toda a Igreja” deu-se gradualmente e apenas em séculos recentes tornou-se “objeto de culto especial”.

Kreuzigung Christi (1400), Oberrheinischer Meister -
Fonte: The Yorck Project: 10.000 Meisterwerke der Malere

1 de junho de 2011

Crônica sobre café e falsidade

Amo café, mas preciso "fugir" dele de vez em quando.
Assim como corro de pessoas que, com seus comentários maliciosos,
despertam o que há de pior em mim. Levando-me a pecar

Affiche: Van Nelle's pakjes koffie (1936), Autor Desconhecido

Era uma bebida preta. Ficava numa garafa comprida com tampa de rosca. A mim, só restava sentir o aroma. Às vezes, eu podia mais: apertar a tampa de rosca, pra não deixar a fumaça escapar com a temperatura quente. E só. Estou falando de café. A bebida do Papai Tuti. Eu não podia tomar. A mim, era reservado o leite com Nescau. Até que cresci. Agora, eu podia provar café. E adivinhe: era mesmo uma delícia!...

O café desbancou a Coca-Cola gelada, o caldo de cana e até o Nescau. Ao longo dos anos, chegou ao topo, ao posto de "Minha Bebida Preferida".

E não é que arranjei uma profissão que "combinava" com ela? Ou você não sabe que todo jornalista que se preze toma N xícaras de café por hora? Veja bem: por hora, e não por dia. Porém, ao contrário de meus colegas, eu não gostava de amiudar o meu contato com o café. Nem de tê-lo "sozinho", sem um um pedaço de broa de fubá ou um pão novo com manteiga junto. Para mim, café pede acompanhamento.

Além disso, tudo na vida em abundância enjoa. E eu não quero me enjoar de café. Nunca. Por isso, provo-o apenas duas vezes ao dia: durante o café da manhã e o lanche da tarde. Afinal, coisas gostosas ficam ainda mais gostosas a conta-gotas. Como o Vinho do Porto, que me ensinaram que se bebe numa taça pequena.

Sofro de enxaqueca (ou sofria, Se Deus Quiser!...). E resolvi, depois de chegar à conclusão de que poderia ajudar no tratamento desse mal, reduzir ainda mais o contato com a Minha Bebida Favorita: agora, ele ocorre ou no café da manhã ou no lanche da tarde. E não nos dois, nem no mesmo dia. Como era de se esperar, a decisão tornou o meu encontro com o café pra lá de emocionante: "Enfim, vou tomá-lo!".

O afastamento do café (pelo visto) acaba sendo um sacrifício para mim. Porque estou abrindo mão de algo realmente saboroso. Contudo, é para o meu bem. Digo, para o benefício da minha saúde. Então, sou (serei) forte. Aguentarei firme.

Queria ser assim em outras áreas da minha vida.

27 de maio de 2011

Pippo Buono: o santo que dava risadas

Filipe Néri ria de quem se achava "um cristão exemplar"
e ria muito de si mesmo também. É dele a frase:
"O servo de Deus deve estar sempre alegre". Um apelo para todos nós

(Fotografia de zitona qatar from doha, qatar)

Maio de 1954 - Fotografia de Roger e Renate Rössing - Fonte: Deutsche Fotothek‎

"Quem exibe a sua religiosidade não é religioso."
(São Filipe Néri)

Não sei quanto a você. De vez em quando, eu trombo na vida - e isso inclui a Blogosfera ou Efigênia, o mundo dos Blogs - com gente que acha que ser "um bom católico" consiste em assistir à Santa Missa em latim (verdade, não estou inventando), encobrir as pernas, falar mal do carnaval, assegurar que as outras religiões cristãs não prestam e atacar o movimento da Renovação Carismática Católica... Só não me estendo mais, porque o restante da lista é realmente triste.

Por isso, é tão bom saber que alguém que era cético em relação a pessoas "religiosamente exageradas", que exibem e defendem uma "ascese rigorosa", ou seja, que querem fazer todo mundo crer que levam uma "vida irrepreensível"... Tornou-se santo. Trata-se do italiano São Filipe Néri, conhecido entre os romanos como o Pippo Buono, devido a sua bondade alegre e otimista, conforme Enzo Lodi em Os Santos do Calendário Romano - Rezar com os santos na liturgia (Paulus, 2007).

O monge beneditino alemão Anselm Grün, em seu maravilhoso livro 50 Santos (Edições Loyola, 2005), que já mereceu uma Resenha do Blog A Católica, explica:

Ele [Filipe Néri] desmascara o pathos pomposo como expressão de falsa religiosidade e desarma com seu sorriso todos os severos moralizadores, que muitas vezes apenas projetam suas necessidades reprimidas nos outros e a partir disso desenvolvem a sua teologia.

Filipe, em suma, foi um sacerdote que renunciou a toda fama, pompa e circunstância, que desconfiou de quem se acreditava "um cristão exemplar" e que, especialmente, riu de si mesmo. E fez os outros rirem. Segundo Anselm Grün, o escritor Reinhard Raffalt afirmou que esse santo - cuja memória a Igreja celebrou neste 26 de maio - incorporou "um novo elemento na tradição, que até então era considerado quase blasfemo: o humor".

Afinal, qual é a história de São Filipe Néri, tão amado pelos romanos?

21 de maio de 2011

Impossível? Não, para Rita de Cássia

Fazer videira dar frutos, rosa florir no inverno
e marido grosso ficar dócil.

Esses são alguns dos prodígios da santa italiana
a quem você e eu podemos recorrer,

sempre que julgarmos que um problema
é tão difícil, que não existe solução


Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.blogspot.com)

Imagine uma mulher que nasceu não com uma, mas com várias vocações. Imaginou? Não? Acha difícil? Pois ela existiu. Chamava-se Rita e viveu na Itália entre os anos de 1381 e 1457. É conhecida como A Santa das Causas Impossíveis. E o "impossível" na sua vida começa pelo seu dom espantoso de viver intensamente todas estas vocações: filha atenciosa, esposa fiel, mãe dedicada e religiosa fervorosa. Vejamos a de filha.

Desde cedo a menina Rita sabia o que queria ser quando crescesse: uma religiosa, fechada em um convento. Porém, acatando os planos de seus pais idosos - que tinham o sonho de ter netos, conforme Frei Jorge E. Hartmann OFM (Ordem dos Frades Menores) -, casou-se com o "violento e irriquieto" Paolo de Ferdinando. O matrimônio, ao menos nos primeiros tempos, foi uma provação. Segundo Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini em Um Santo para Cada Dia (Paulus, 1996):

As biografias da santa nos pintam uma cena familiar não incomum: uma mulher doce, atenta a não ferir a suscetibilidade do marido, de cujas maldades está consciente, e sofre e reza em silêncio.

Frei Jorge E. Hartmann OFM nos conta que, além de brigão, Paolo era "bebedor, mulherengo e pouco chegado à religião". Contudo, com amor, paciência e oração, Rita conseguiu tocar o coração do esposo, convertendo-o. Juntos, tiveram dois filhos.

Não obstante o marido da santa mudasse de vida e de costumes, seus inimigos não esqueceram "os velhos rancores acumulados", de acordo com Sgarbossa e Giovannini. Assim, num dia, Paolo de Ferdinando "foi encontrado morto na beira de uma estrada". Os filhos, que saíram ao pai, ou seja: tinham o mesmo temperamento "violento e irriquieto", decidiram vingar a sua morte. Conforme Frei Jorge E. Hartmann OFM:

20 de maio de 2011

Meu avô tinha nome de santo

Como João Câncio, o santo, João Câncio, o avô,
era pacato, magnânimo e bem-humorado.
Dois bons exemplos para eu (e quem sabe para você?)
me espelhar e mudar como pessoa

Tomb of Saint John Cantius in St Anna Church (Cracóvia - Polônia),
por Ludwig Schneider/ Wikimedia Commons

Ver meu avô deitado no caixão foi estranho. Uma das minhas lembranças de infância é a Mãe-Ita (sua mulher) nos enfileirando no corredor com piso de tacos cor de caramelo, dizendo: "Acordem o Vovô João. Não gritem, apenas façam cosquinhas nos pés dele...". Era divertidíssimo. Ele tinha pés enormes. Andréa Cristina, minha irmã, Flávio Augusto, meu primo quase irmão, e eu colocávamos as nossas seis mãozinhas juntas e não dava uma sola de pé do Vovô João!...

Naquele 29 de abril de 2009, porém, mesmo com as nossas mãos crescidas, não haveria cócegas suficientes para erguer o meu avô e tirá-lo dali. Ele estava deitado e dormia profundamente. Era o seu sono eterno. Foi para Os Braços do Pai.

Reparei no seu rosto. Diferentemente de alguns defuntos, que inspiram comentários do tipo: "Descansou, né?"; meu avô estava com as feições rijas, parecia um idoso mal-humorado (coisa que nunca foi), como se me dissesse: "Estou indo. Fui. Mas não gostei". Deitado no caixão, ele me parecia visivelmente contrariado. "Você não é o único, Vovô. Muita gente gosta demais da bagunça deste mundo, desta beleza chamada Vida. Mas, ela acaba aqui. E continua em um outro lugar...".

Desde que meu avô materno morreu - um dos meus avós maternos, porque tive o privilégio de ter dois por parte de mãe: Vovô Jaime havia morrido antes, em 1980 -, bem, desde que ele se foi, resolveu (vez ou outra) povoar os meus sonhos. Que eu contei, já foram mais ou menos quinze. Não estou exagerando. Os oito primeiros sonhos que tive com o Vovô João estão devidamente documentados.

20 de abril de 2011

Vestir-se com as armas de São Jorge

Conheça a história do santo turco, cuja oração
nos faz sentir capazes de humilhar qualquer inimigo -
até mesmo o dragão (como narra a lenda)
que ele valentemente abateu.
No final do Post, uma canção de Jorge Ben Jor


Heiliger Georg (1912), August Macke

Todos temos aquele gesto especial que consegue nos tranquilizar nas horas mais incertas. Alguém supersticioso, por exemplo, faz figa com a mão: punhos fechados e o polegar apertado entre os dedos médio e indicador. Outra pessoa passa a mão no terço que traz na bolsa e o segura firme. Um terceiro olha para o céu e respira fundo. Eu, a Bloggueira que lhe escreve, sempre recito a Oração a São Jorge que minha mãe, Magali, me deu. Ela me dá força. Me faz me sentir imbatível.

Por isso, vou logo começando este Post d'A Católica, em plena Semana Santa, dividindo com você essa prece. Quero que, como eu, você também vá experimentando a intrepidez de Jorge. De São Jorge, cuja memória toda a Igreja celebra nesta semana, no dia 23 de abril.

Chagas abertas, Sagrado Coração. Todo amor e bondade, o sangue do meu Senhor Jesus Cristo no meu corpo se derrame, hoje e sempre.

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge. Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem e nem pensamentos eles possam ter para me fazerem mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrarem.

Jesus Cristo me proteja e me defenda com o poder da Sua santa e divina Graça, a Virgem Maria de Nazaré me cubra com seu sagrado e divino manto, me protegendo em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com a Sua Divina Misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos e o glorioso São Jorge, em nome de Deus, em nome de Maria de Nazaré, em nome da falange do Divino Espírito Santo, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza do poder dos meus inimigos carnais e espirituais e de todas as suas más influências e que, debaixo das patas do seu fiel ginete, meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós, sem se atreverem a ter um olhar sequer, que me possa prejudicar.

Assim seja, com o poder de Deus e de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo. Amém.

19 de abril de 2011

Expedito: um santo pra quem tem pressa

Confira uma seleção de orações para rogar a intercessão
do padroeiro das causas urgentes. 19 de abril é o seu dia:
junte-se ao coro da Igreja. Qual é a sua premência?

Fotografia de Poussin jean

A praying Polish woman in besieged Warsaw - September of 1939 - Julien Bryan

19 de março de 2011

Olhe só: o meu Bom José!

Com um bebê num braço e uma flor na mão, a imagem quase feminina
de São José (segundo Padre Léo) evoca o seu Dom Amoroso de Pai de Família
e patrono da Igreja (desde 1870). Meu conselho: torne-o seu protetor!

Fotografia de Anna Cervova

Fotografia de Père Igor

Internauta d'A Católica:
esta é a minha homenagem a um dos meus 21 santos de devoção: São José, que a Igreja recorda e celebra como o esposo de Nossa Senhora no dia 19 de março.

A partir da letra da canção José (Joseph), de Georges Moustaki, traduzida pela cantora Nara Leão e conhecida no Brasil na voz de Rita Lee, selecionei imagens que ilustram a beleza, a delicadeza e a pujança da missão de São José no mundo.

Como sua mulher, Maria, ele também disse SIM.

São José, Rogai por Nós!

P.S. Após o vídeo do You Tube com a versão de Georges Moustaki, há 2 lindas preces ao Pai adotivo de Jesus. Saúde e Paz!!

4 de fevereiro de 2011

Contra o medo... Dá-lhe São Brás!

Seu milagre mais marcante foi tirar uma espinha de peixe que "trancava"
a garganta de um menino. A espinha simboliza o medo que nos sufoca e estreita.

Schlamm-Assel-Fisch (1940), Paul Klee

Tornei-me devota do santo armênio, que viveu no século IV, há menos de um ano. Quando soube que era o "protetor da garganta contra qualquer mal", apeguei-me a ele com todo o fervor. É que meu Vovô Raul teve que se submeter a uma traqueostomia enquanto esteve internado em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), aqui em Belo Horizonte. Eu rogava a São Brás para que nenhuma infecção entrasse pelo seu pescoço.

Não adiantou.

Não. Não é que a traqueostomia agravasse o seu caso. Simplesmente, meu avô partiu. Fiquei para trás, enquanto ele seguia para o Céu. Para trás e com mais um santo a quem pedir intercessão: o 21º da minha longa lista de devoção (para entender a veneração dos católicos aos santos, leia aqui). Esse homem, São Brás, mártir que testemunhou com o sangue a fé em Cristo, foi lembrado e celebrado pela Igreja nessa quinta-feira, dia 3 de fevereiro.

31 de janeiro de 2011

Dom Bosco, o santo que só queria as almas jovens

Depois que identificou o plano de Deus para a sua vida, o santo italiano
foi fiel a sua missão de ser todo para seus pobres jovens. Até o último suspiro.

"O que somos é um presente de Deus;
no que nos transformamos é o nosso presente a Ele."

Anos e anos da minha vida, estudei em uma escola Salesiana. Assim, você pode supor por que 31 de janeiro é uma data especial para mim... Senão, é que nesse dia a Igreja recorda e celebra a vida de São João Bosco ou simplesmente Dom Bosco. Foi ele o fundador da Pia Sociedade de São Francisco de Sales (os salesianos) - conforme mencionei no Post O patrono dos bloggueiros: São Francisco de Sales.

Por haver estudado "anos e anos da minha vida" em uma instituição salesiana, aprendi a devotar a ele uma atenção e um amor especiais. E não apenas por isso: sabia que o santo italiano é padroeiro da capital do Brasil, Brasília? Isso, porque ele sonhou com a cidade antes de ela existir. Aliás, profetizar pelos sonhos era um dom particular seu. Segundo o site do Senado Federal:

Em agosto de 1883, Dom Bosco, como é mais conhecido, sonhou que fazia uma viagem à América do Sul - continente que jamais visitou. No sonho, ele passou por várias terras entre a Colômbia e o sul da Argentina, vislumbrando povos e riquezas. Ao chegar à região entre os paralelos 15° e 20°, viu um local especial, onde, nas palavras de um anjo que o acompanhava em sua visão, apareceria “a terra prometida” e que seria “uma riqueza inconcebível”.

Setenta e sete anos depois do sonho, era inaugurada no Planalto Central brasileiro a cidade de Brasília, exatamente dentro do intervalo de coordenadas geográficas mencionado na visão de Dom Bosco e emoldurada pelo Lago Paranoá.

A vinculação com o sonho do santo existiu desde o começo da construção da capital, tanto que a primeira obra de alvenaria a ser erguida [em 1957] foi a Ermida Dom Bosco, uma pequena capela em forma piramidal, projetada por Oscar Niemeyer e localizada às margens do Lago Paranoá.

Quer conhecer um pouquinho melhor esse santo que profetizou sobre a nova capital do Brasil? E que também revolucionou a pedagogia, criando o método ou sistema preventivo de educação, "fundado na razão, na religião e na amabilidade" (Os Santos do Calendário Romano, Paulus, 2007)? Convido você a degustar as linhas a seguir... Seja Muito Bem-Vindo ao Blog A Católica!

28 de janeiro de 2011

Tomás de Aquino: manso e mudo

"Tomás acreditava que 'para conhecer qualquer verdade a humanidade
precisa do auxílio divino, a fim de que o intelecto seja movido por Deus'."
(Os Cristãos - Um História Ilustrada, 2009)

Ouvi falar de São Tomás de Aquino desde sempre. Ele é o autor da notória Suma Teológica (referida mais à frente) e sempre me inspirou temor e respeito. Mais temor do que respeito. Tipo: "Ah, Tomás de Aquino, o gênio intelectual, dotado de uma sabedoria inalcansável". Difícil rezar para alguém assim, né?

É que nós, católicos, gostamos de tratar os santos como nossos amigos íntimos (dê uma olhada no Post Não deixe para amanhã: grite HODIE!) e pedir a intercessão de um santo tão sério, aparentemente tão distante quanto São Tomás de Aquino, me parecia inconcebível. Melhor procurar Santo Antônio de Pádua ou São Francisco de Assis - mais singelos, mais perto da gente, mais "pés no chão", não é mesmo?

Ocorre que... Mudei de ideia. Dois anos atrás, adquiri o excelente livrinho São Tomás de Aquino (Artpress, 2005) e terminei a leitura devotíssima do santo italiano. Descobri que ele foi um homem de intensa oração e muito afeito à Nossa Senhora. E que sua humildade era tal, que atribuía ao Espírito Santo todos os frutos do seu trabalho intelectual. Apaixonei-me pela passagem a seguir, que quase virou epígrafe da minha monografia.

25 de janeiro de 2011

E Saulo virou... Paulo

Cavalo? Que cavalo? A Bíblia não menciona nenhum quando
o perseguidor de cristãos foi ao chão. E mudou de vida e de nome.

Dia 25 de janeiro, a Igreja Católica recorda e celebra a Conversão de São Paulo. Chamado de 13º Apóstolo ou Apóstolo dos Gentios. Ao ler as 13 cartas que ele escreveu (ou ditou), e que estão elencadas no Novo Testamento da Bíblia Sagrada, temos a impressão de que se trata de uma pessoa severa e determinada, certíssima daquilo que quer e daquilo que precisa ser feito.

Mas, também, de alguém muito amoroso e que se esforça para demonstrar a sua amabilidade e compaixão pelos seus semelhantes - basta ver os beijos que distribui logo no início de algumas epístolas e a preocupação com o bem-estar das pessoas que conheceu e das comunidades que fundou ou visitou.

Analisar o conteúdo das suas cartas, que estão organizadas na Sagrada Escritura das maiores até as menores (Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Filêmon), nos enche de motivação para lutar, a fim de nos aproximarmos o máximo possível do seu exemplo de destemor, alegria, entrega e, sobretudo, do tamanho e firmeza da sua fé.