23 de outubro de 2013

Um perfil (breve e interessante) do Papa Francisco

Livro escrito por jesuíta que conviveu com o novo Pontífice
traz ótima biografia resumida.
A Católica adorou e divide com você excertos!

(Archbishop of Buenos Aires Jorge Mario Bergoglio on April 18, 2012.
Image is cropped from the original -
Gobierno de la Ciudad de Buenos Aires, photo of Sandra Hernandez)


Ele está na moda. De cara, ao entrar nas livrarias aqui no Brasil, um desfile onipresente de rostos sorridentes de Jorge Mario Bergoglio dispostos sobre mesas e prateleiras. Fica difícil considerar: qual o melhor livro pra levar pra casa? Eu titubeei todos esses primeiros meses de pontificado do simpático argentino até finalmente ceder ao apelo de O Novo Rosto da Igreja - Papa Francisco (Edições Loyola, 2013).

O que me seduziu nesse título, pra que finalmente me dispusesse a comprar uma das obras que ostentam, na capa, a face boa e serena do Papa?

Resposta: o autor. Luís González-Quevedo, SJ ("Padre Quevedinho") conheceu de perto Jorge Mario Bergoglio, agora chamado simplesmente de Francisco. Outra coisa: o livro é finíssimo. Não que livros grossos me assustem. Mas é que, como já observei no Post Nº 200 do Blog: Uma Via-Sacra Especial!, é vero que "nos menores frascos estão os melhores perfumes". São apenas 94 páginas repletas de informações, depoimentos e uma ótima bibliografia no final.

Enfim: terminei a leitura "mais sábia" (cof. cof. cof) e com a certeza de que, mais uma vez, o Espírito Santo caprichou na escolha do novo guardião das chaves do Céu!

Este novo Post d'A Católica traz um aperitivo que, nem de longe, faz jus a tudo de bom que O Novo Rosto da Igreja - Papa Francisco contém. Mesmo assim, espero que você se delicie com alguns trechos que selecionei e que reproduzo a seguir. Se puder, adquira já um exemplar para chamar de SEU. Saúde e Paz!!

Fotografia de Ana Paula (acatolica.blogspot.com)

18 de outubro de 2013

Gemidos de Menos, Dores de Mais

Um Post sobre sons e ruídos de amor e de violência doméstica,
que ultrapassam janelas, portas e paredes dos vizinhos

(Fotografia de George Hodan)

Morei num lugar onde, vez em quando, dava pra ouvir uma mulher gemer de prazer. Sério. Eu acordava por volta da 1h da madrugada, ouvindo aquele som... No dia seguinte, comentava com uma conhecida, que me dizia: "Pode ter a certeza de que, gritar daquele jeito, só pode ser pra aparecer". Numa vez, houve gritos de socorro. Eu não os ouvi bem. Não sei de onde vinham. O dia estava quase amanhecendo e acordei com meu pai "pendurado" na janela: "Larga ela, senão chamo a polícia!". Alguém já havia chamado. A PM (Polícia Militar) chegou e deve ter feito a ocorrência.

Ter vizinhos - quem não os tem? - é assim. Mesmo um tanto de longe, cercados por paredes, protegidos por portas e atrás de janelas, dá pra acompanhar alguma eventualidade, quando ela se sobressai, quando os ruídos vazam. Sobretudo, se isso ocorre na calada da noite ou no alvorecer.

Acontece, porém, que nem sempre a violência doméstica (ao contrário dos gemidos de prazer) se dá quando a maioria das pessoas está dormindo. Quando se torna comum, parte da rotina de um casal, como se levantar da cama, montar a mesa do café, recolher toalhas do varal, esticar o pano que recobre o sofá, ela ocorre a qualquer hora. Sempre é hora de apanhar. Sempre é hora de "ser enforcada", levar um chute ou ouvir palavras como: "Você é irresponsável!"; "Você não presta!"; "Você é velha!".

Como católica, o que fazer quando você nota que o marido da vizinha é um boçal?

Tocar a campainha e aconselhar essa pessoa a chamar a polícia? A desabafar com "algum parente de confiança"? A sair de casa correndo? A se separar? Qual das opções é a melhor? Qual é a mais sensata?

Quando alguém na família é alcoólatra ou drogado, geralmente procura-se instituições especializadas para orientação e ajuda. E quando alguém é violento? Maltrata uma mulher com as mãos, os pés e as palavras? O que fazer? Artistas, políticos... Vão todos pra TV dizer que a esposa NÃO deve tolerar a violência doméstica, e SIM denunciar o marido. Ora, se Santa Rita de Cássia tivesse feito isso, não teria se tornado o que é. Afinal: quem permanece numa relação assim é uma anta completa ou uma santa?

Sei que dentro dos caixotinhos chamados apartamentos e das amplidões de casas que ainda resistem à verticalização dos bairros, acontecem coisas de entristecer Nosso Senhor. Coisas que esposos como São José jamais seriam capazes de fazer. Existem homens perturbados, boçais desequilibrados, que são leões sob pele de ovelhas, gente que colegas de trabalho, irmãos e pais duvidariam de que seria capaz de pisar numa formiga ou assustar um gato de rua, que dirá encostar a mão na esposa.

Pensa-se e fala-se muito na "solução": xadrez. Divórcio. A raiz ou a causa primeira do problema, ninguém quer abordar, ninguém debate. Onde nasce a violência? Onde ela começa? Onde o marido espancador aprendeu a humilhar, a agredir? Eu tenho a teoria (não verificada, puro "achismo") de que aprendeu em casa, vendo a violência dos próprios pais. Vai ser difícil alguém me provar o contrário. Marido que maltrata a esposa viu na infância, de cadeira V.I.P., o próprio pai fazer isso - inúmeras vezes - com a mãe.

Quanto a mim, quem me dera ouvir gemidos de mais e dores de menos.

A propósito, e para tornar mais leve este Post pesado, numa vez, quando tinha um programa na Rádio Itatiaia (muito ouvida aqui em Belo Horizonte), o político e consultor de comportamento Antônio Roberto respondeu assim a uma ouvinte que lhe escreveu indignada sobre a vizinha que, todas as vezes em que "fazia amor" com o marido, fazia muito "barulho": "Você está é com inveja! Deixe a sua vizinha ser feliz e trate de ser feliz também, que eu duvido que os gemidos dela vão te incomodar!...".

Fotografia de George Hodan


10 de outubro de 2013

Feliz Aniversário, Barbarella!

(Fotografia de alex grichenko)

(Fotografia de Petr Kratochvil)

Bárbara Kelly Querida,

Vou começar dizendo o que você já sabe: o significado do seu nome. Bárbara é "estrangeira". E estou certa de que em muitos momentos da sua vida você já se sentiu... Meio fora de lugar, inadequada, como se pertencesse a outra civilização, a outro tempo e espaço. Como eu sei disso? Ora, porque você gosta de escrever e quem tem essa sina, tal como herdada do Vovô Raul, sente-se assim. Não tem jeito!...

Porém, conforme o dicionário, bárbaro, aqui no Brasil, também é uma "exclamação usada para indicar admiração, aprovação ou entusiasmo"; um adjetivo "que revela qualidades positivas". Ou seja: seus pais capricharam quando escolheram o seu 1º nome e selaram o seu destino!

Fotografia de Anna Langova

Quanto ao seu 2º nome, Kelly, descobri que significa "filha da guerra" e também "guerra" ou "conflito". Não se apoquente. Estamos aqui para fazer o que São Paulo nos recomenda no capítulo 6 da Carta aos Efésios:

"Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares.

Tomai, portanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever. Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça, e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz. Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno.

Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus. Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos" (Ef 6, 11-18).

29 de setembro de 2013

A CATÓLICA no show do Fábio Jr. em BH

Junto ao meu colar TAO, de São Francisco, e à imagem de Teresa de Ávila,
os ingressos do show de um artista que admiro tanto...
Sou católica inserida no mundo! E viva a Música Popular Brasileira (MPB)!

(Imagem: Site oficial do Fábio Jr.)

(Fotografia de Ana Paula - acatolica.blogspot.com)

Nesta semana o programa infanto-juvenil Bem da Hora, da TV Canção Nova, terminou falando sobre o cuidado que os pré-adolescentes devem ter com a música que escolhem para ouvir. Que a gente pensa que as canções que escutamos não nos fazem mal, são coisa "à toa", mas na verdade, de algum modo, acabam influenciando a nossa vida, nosso bem-estar, nosso jeito de ser.

Vira e mexe, na Blogosfera católica, há bloggueiros ou internautas que se dispõem a assumir as suas preferências musicais, como O Catequista, que escreveu sobre a sua experiência na mais recente edição do festival Rock in Rio, que ocorreu há pouco na cidade do Rio de Janeiro, aqui no Brasil. Não é fácil.

Porque há blogueiros e internautas católicos que acreditam que blogueiros, internautas e fiéis católicos não podem ouvir todo tipo de música. Eu mesma, aqui n'A Católica, fui criticada por um internauta anônimo que me assegurou que uma "católica e cristã" não pode gostar de carnaval - vide o Post Eu amo o carnaval: I LOVE carnival.

Fica a dúvida: um católico apostólico romano só pode ouvir canções "de Igreja"? Só é permitido colocar na vitrola os discos do Padre Marcelo Rossi; do Padre Zezinho, scj; do Dunga; do Márcio Todeschini; da Eliana Ribeiro; da Salette Ferreira, enfim, de artistas que só falam de Deus, de Nossa Senhora, do Espírito Santo, dos anjos e, claro, de Jesus?

Quem é que definiu isso? Que católico de verdade só pode ouvir canto gregoriano e demais cantigas litúrgicas?

Repito uma frase que li certa vez no Blog de uma católica, que é casada: "Estou morta para o mundo..." (!!). Eu, não. SE eu quisesse "morrer" para o mundo (e nem assim seria uma morte), estaria em um convento ou em um mosteiro. SE eu optei por ser leiga, por viver fora de um monastério, isso me dá o direito de usufruir das coisas do mundo. De me inserir nele. Ei: não foi isso que Jesus Cristo fez?

Por isso, caro internauta d'A Católica, é que aceitei o convite do meu marido de irmos juntos ao show do cantor brasileiro Fábio Jr., que ocorreu no finalzinho da noite desse sábado, 28 de setembro, aqui na cidade onde vivemos, em Belo Horizonte (BRASIL).

23 de setembro de 2013

Desprezo e abuso sexual

Um trauma "bobo" da minha infância me marcou.
Imagine com o quê têm que lidar os adultos que sofreram
abusos sexuais de pessoas da sua confiança, quando eram crianças

(Fotografia de Jiri Hodan)

Como de costume nos reunimos na metade da mesa da sala de jantar para almoçar: mamãe, Andréa Cristina e eu. Éramos adolescentes e havíamos acabado de chegar do colégio. Conversa vem, conversa vai, do nada, do nada mesmo, veio a minha lembrança um fato longínquo, de quando eu tinha cerca de 3 anos de idade. Após contá-lo, tintim por tintim, mamãe o confirmou - tamanha a vividez da minha recordação.

Meus pais e alguns conhecidos tinham ido acampar para pescar no interior das Minas Gerais (estado onde nasci e vivo aqui no Brasil).

À noite, nós, crianças, deveríamos ficar dormindo em uma das barracas que montaram sobre a grama, no meio do mato. A certa altura, mamãe, que estava me fazendo dormir dando "tapinhas" nas minhas costas e cantando uma canção de ninar, teve que sair da barraca e pediu a uma conhecida, que também fazia a filha dormir, pra continuar a me embalar: "Pode deixar, Magali, eu canto pra Ana Paula...", a tal mulher falou.

Pois bem.

Eu me lembro vividamente, caro internauta d'A Católica, como se tivesse sido ontem, que essa conhecida deu "tapinhas" em mim até a minha mãe atravessar a barraca. Assim que a viu sair, a tal conhecida simplesmente me ignorou. Parou de me embalar, de tocar carinhosamente nas minhas costas e de cantar para mim, voltando-se apenas para a própria filha, que era da minha idade. Até hoje me recordo do choque que senti: ela tinha acabado de garantir a minha mãe que "me daria carinho", mas me deixou só.

Foi a 1ª vez na minha vida em que experimentei o desprezo. E essa lembrança voltou do nada, de repente, em plena adolescência, no meio de um almoço casual com minha mãe e minha única irmã, depois de uma manhã de aulas no colégio.

Essa recordação dolorosa, que me causou perplexidade ante o comportamento de uma mulher que já era mãe (e uma mãe católica apostólica romana) não é NADA, porém, perto do que vi recentemente no Post de um Blog que visito com frequência: o Hypeness.

O blogueiro Vicente Carvalho escreveu a respeito do documentário os Monstros da minha Casa (los Monstruos de mi Casa). Segundo ele, trata-se de um vídeo que "mostra a realidade de crianças vítimas de abuso físico e emocional, na Espanha". A protagonista é a super-mãe Carmen Artero, que "acolhe essas crianças que estão com o emocional absolutamente abalado e com muito medo de voltar para seu próprio lar". O intento dela é abrir uma fundação para que todos tenham direito a uma infância feliz.

Em algumas passagens do documentário, que dura não mais do que 60 minutos, aparecem desenhos de meninos e meninas entre os 5 e os 15 anos de idade, que foram interpretados por especialistas. Neles, eles expressam a violência sexual e outras negligências que ocorriam dentro de suas casas. Conforme outro blogueiro, Lucas Mombaque, as ilustrações estiveram em exposição na Espanha em outubro de 2010.

Neste Post do Blog A Católica, você confere 5 desses desenhos, com as interpretações que recolhi dos Posts de Vicente Carvalho e de Lucas Mombaque.

4 de setembro de 2013

Socorro, gente: eu "não tenho" ambição!

Sob os critérios do mundão, não passo de uma acomodada.
Deixe estar...
O que eu desejo veementemente, ninguém pode ver nem tocar

(Ilustração de Frits Ahlefeldt)

Tive um entrevero dia desses com alguém - OK: há sangue quente e vermelho correndo em minhas veias, e não azul nem muito menos frio - e esse alguém me disse aos berros: "Você é pobre, feia e sem ambição!!!". Pobre, sou mesmo. Feia, bem, é um adjetivo que não me ofende: questão de gosto. Meu pai, por exemplo, acha a Gisele Bündchen "feia" (não entende o que todo mundo vê nela).

Agora, sem ambição...

... Nunca parei pra pensar que sou assim. Comentei com minha mãe, que concordou: "Você é mesmo, Ana Paula". Nossa. Eu sou sem ambição. Claro que corri ao dicionário pra entender o que é isso. E encontrei a seguinte definição: Ambição é o "desejo veemente (do que dá superioridade)". Veemente é forte; intenso; fervoroso. Êpa. Êpa. Êpa. Êpa. Eu tenho ambição SIM. Então, por que me afirmam o contrário?

Vamos entender por que muita gente acha que não tenho e por que eu, a sem ambição, me vejo ambiciosa SIM.

O que a maioria das pessoas imagina como "ter ambição" é, em 1º lugar, a avidez por adquirir bens materiais (básicos ou nem tanto). Em outros termos, poupar, financiar ou pedir empréstimo para obter a casa ou apartamento próprios, o automóvel próprio, o sítio próprio, a casa de praia própria... E, depois, o quanto antes ou assim que puder, trocar tudo por um apê maior, um carro mais novo e por aí vai... Isso, segundo o mundão, significa ter ambição.

Fotografia de Marina Fuzaro

Fotografia de George Hodan

Em 2º lugar, o que a maioria das pessoas considera como "ter ambição" é investir na carreira. Faculdade, outra faculdade, especialização, mestrado, doutorado, pós-doutorado, pós-pós-pós-doutorado. E ainda: encontrar um emprego numa megaempresa. Se notar que o "plano de carreira" lá não é bom, fácil: basta trocar de megaempresa, não importa a que custo emocional (companheiro(a) ou filhos que ficam pra trás), e... Recomeçar a subida rumo ao topo: Para o alto e avante!, como diria algum super-herói.

(Conheci uma moça que começou como estagiária numa mega-construtora aqui no Brasil e que me disse: "Minha meta era chegar à sala da presidência e consegui!". De fato, ela foi a secretária pessoal do presidente da tal mega-construtora por anos, até - não sei bem o porquê - ser demitida. Ambiciosa, hum?)

Fotografia de Vera Kratochvil

É.

Sob esses 2 pontos de vista, não sou mesmo ambiciosa. Não tenho casa nem apartamento próprios. Nem planos de adquirir um imóvel tão cedo. Não tenho um automóvel. Quando digo às pessoas que um carro "pra chamar de meu" não me faz falta, que me dou bem com caronas, ônibus e táxis, vejo sobrancelhas franzidas e pupilas comprimidas. "Plano de carreira"? Obrigada, não. Passo adiante por ora.

Por que me vejo como ambiciosa então?

Porque, se ambição, conforme o dicionário, é o "desejo veemente (do que dá superioridade)", então, como todo bom católico...

... Sonho com os Céus. Almejo coisas simples - e tão difíceis! - que agradariam a Nosso Senhor Jesus Cristo: amar os meus inimigos; perdoar os que me ofendem (incluindo a pessoa que me chamou de "pobre, feia e sem ambição"); ser dócil aos desígnios de Deus; cumprir o meu papel de mãe e de esposa com humildade e sabedoria; oferecer a outra face; dar sem esperar receber; amar sem medida; não faltar à Santa Missa; rezar o santo Terço diariamente; não descuidar do meu estudo bíblico...

... Como vê, caro internauta d'A Católica, tudo muito singelo. Tratam-se de tesouros invisíveis, que ninguém pode enxergar pra me enaltecer ("Nossa, que apartamento bacana!"; "Nossa, que carrão, hein?"; "Nossa, parabéns, você foi promovida na sua megaempresa! Que salário bom, hã?"). Eu desejo o que dá superioridade, mas é insondável: provém da Graça de Deus. Está escondido no coração Dele...

"Jesus chama as criancinhas a Si" (Mc 10, 13-16)

Fonte: Google Images


26 de agosto de 2013

Balada da Noite Escura

(Imagem de Ronald Carlson)

A noite tem um silêncio que me comove. Havia cachorros latindo há pouco. Mas eles se calaram. Um barulho pequeno e persistente prossegue como se viesse de dentro da minha cabeça - sei, porém, que é o motor da geladeira trabalhando lá na cozinha. Afora isso, mais nada. Nem um carro escorregando no asfalto no outro lado da rua, pra lá do buraco fundo. Nada.

O breu da noite convida à introspecção. A debates gostosos e intensos dos 2 lados de nós mesmos: aquele que quer prosseguir, aquele que quer refletir. De noite, inebriados pelo sono, prometemos fazer e acontecer: recomeçar um projeto, retomar uma meta, recobrar um caminho. Amanhece, porém, e somos fracos - como naquele poema de Fernando Pessoa, travestido de Álvaro de Campos: Tabacaria.

(Não vou falar do amanhecer. Está de noite. E está tão bom.)

Protegida pelo cobertor negro, onde pequenos holofotes que avisto pela janela pontilham, começo a perceber que nem tudo é tão ruim quanto parece, nem tão irrevogável quanto acredito. A calma e a segurança, que esse cobertor noturno me confere, levam-me a ponderar que sim: na minha serenidade pode residir uma chave para atravessar a pedra bruta, crua e espessa chamada cotidiano.

Somos tão impacientes por mudanças drásticas! Queremos o Niágara para revolver o que nos incomoda, o que nos aborrece, quando o dito popular tem a resposta: "Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura". Falta a sabedoria que insistentemente minha mãe querida tenta me passar "por osmose", mas que só este professor velho, sisudo e barbudo nos dá depois de muitos anos: o Sr. Tempo.

O barulho diurno não me deixa entrever esta luz que, paradoxalmente, a escuridão da noite me traz: com zelo, cautela e muita paciência, apesar de alguma tristeza, é possível passar pelas 24 horas do dia com muita dignidade e certa alegria. E - por que não? - até mesmo uma sensação de liberdade.

Isso mesmo: não digitei errado. Você não leu enviesado.

Quando se assume o próprio destino, quando se abraça a própria sina, aquele passarinho de asas molhadas e fechadas que habita dentro de nós começa a estendê-las, a secar as suas penas, a esticar as perninhas para alçar um voo alto, bem alto, lá no alto, rumo a não sei onde. Não sei. Juro que não sei.

Só sei que muitas vezes na minha vida os lugares mais tocantes em que estive foram justamente aqueles como este agora: simples, sem nada de especial. Apenas uma cadeira, uma mesa, eu mesma, esta janela com a persiana cor de creme aberta e esta vista da noite escura a me envolver, enquanto penso que viver é bom. Apesar do medo, apesar do nada. Apesar de tudo.

Fotografia de Ronald Carlson


17 de agosto de 2013

1, 2, 3 e... Já: A CATÓLICA faz 3 anos!


Blog celebra a data refletindo sobre o emblemático número 3
e (imagine só) um programa de TV de sucesso no Brasil: A Fazenda

Imagem de Alvaro-SJC

O Blog A Católica faz aniversário. Três aninhos singelos. Só o começo. (Eu espero.) E, para brincar de pensar - coisa que adoro -, comecei a trazer à tona tudo o que me remete ao número 3. Vejamos...

... Aos 3 anos de idade, pela 1ª vez, segurei um bebê nos braços - é só conferir o Post Para o Menino de Sampa: Tio Dut. Aos 3 anos de idade, aquela que viria a se tornar a minha melhor amiga - vide outro Post do Blog: Minha melhor amiga ficou mais velha - impediu a mim e a minha irmã, Andréa Cristina, então com 9 e 8 anos de idade, de brincar com os brinquedos que ela havia acabado de ganhar de aniversário! Uma pirralha dizendo "Não" a duas crianças maiores!...

Mais números 3: quando se acha "uma lâmpada mágica" e se esfrega a danada bem, bem mesmo, surge "um Gênio" e temos direito a 3 pedidos. Os porquinhos da historinha são 3: o primeiro fez uma casa de palha; o segundo, uma de gravetos e o terceiro, mais trabalhador, uma de tijolos. As fadas da Bela Adormecida, que tentaram reverter o feitiço da fada malvada, eram 3. Você se lembra de mais alguns números 3?

Quando São Longuinho nos ajuda a encontrar algo, temos que dar 3 pulinhos. (Há quem dê 3 gritinhos.) Quando apostamos corrida, dizemos: "É 1, é 2, é 3 e é... Já!". Uma refeição completa é feita de 3 partes: entrada, almoço (ou jantar) e sobremesa. E não posso me esquecer do que me remete ao 3 e de que diariamente me lembro ao fazer o Sinal da Cruz, qual seja, a Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.

Há também Os 3 tenores: Plácido Domingo, José Carreras e Luciano Pavarotti. E Os 3 Patetas do cinema. No pódio olímpico, na Fórmula 1, em qualquer modalidade esportiva, só há lugar para 3 lugares: O primeiro, o segundo e o terceiro. Os demais só recebem pontos ou medalhas de participação. Três, portanto, é um número emblemático. Não digo que melhor do que os outros, porém, especial.

Agora, uma alusão bem atual. Tola, fútil, mas que está "na boca do povo" aqui no Brasil.

Nos anos 1980, havia no meu país 3 supermodelos: Luíza Brunet, Xuxa e Monique Evans. Até hoje elas "estão na mídia", ou seja, são notícia, frequentemente aparecem lindas e bem-vestidas nos noticiários. As 3 tiveram 3 filhas que estão entre a adolescência e a faixa dos 20 e poucos anos de idade. Luíza é mãe de Yasmin Brunet; Xuxa, de Sasha Meneghel e Monique, de Bárbara Evans.

Yasmin e Bárbara são modelos e Sasha, além de posar para fotos e desfilar como elas, também joga vôlei.

Justo Bárbara, na minha opinião a mais bonita e simpática dentre as 3 jovens, acabou por escolher participar de um reality show chamado A Fazenda, que reúne celebridades que estão desempregadas e desesperadas por dinheiro. Nota: sua mãe Monique Evans já havia participado de duas edições anteriores do programa.

A modelo Bárbara Evans - Fotografia de Barbara Evans

29 de julho de 2013

O Papa VERSUS will.i.am e outros artistas Pop


Papa Francisco veio ao Brasil falar de valores que batem de frente com o que
os jovens do mundo são expostos todos os dias nos videoclipes e nas rádios


Imagem: Papa Francisco participa de inauguração do Polo de Atendimento
a Dependentes Químicos do Hospital São Francisco (Rio de Janeiro, BRASIL) -
24-7-2013 - Fotografia de Tomaz Silva/ Agência Brasil


Acabei de assistir ao trechinho de um videoclipe do cantor norte-americano will.i.am com o canadense Justin Bieber. A letra de That Power fala sobre ter dinheiro, roupas caras e poder. Enfim, sobre ser o Nº 1:

will.i.am performs at Vivid Sydney -
Sydney 2012 -
Fotografia de Eva Rinaldi
Me chamam de Will-A
Fico tão tranquilo, estou relaxado
Já ganhei aquele milhão
Estou a caminho daquele bilhão
Eu tinha um cofrinho
Mas agora tenho um banco maior
Quem, quem se importa com o que os invejosos pensam?
Eles me odeiam porque fazemos o que eles não podem

(...)

Fiz isso por causa da minha mãe
Disse a ela quando era mais jovem
Que eu seria aquele número
Um, sim, serei aquele número um
Vou subir mais alto
E alto, alto e mais alto
Fico e compro aquela roupa
Continuo queimando como aquele fogo...

Ultimamente, os canais de TV a cabo também exibem o videoclipe do norte-americano Pitbull que, junto a Christina Aguilera, canta sobre um "castelo dourado", que um dia ele há de conquistar. Até lá, já vive confortavelmente e, assim como will.i.am, veste-se com roupas caras. Eis trechos da letra de Feel This Moment:

International Planet Pit Tour -
Sydney via AllPhones Arena
at Homebush in Sydney's west -
September 2012 -
Fotografia de Eva Rinaldi
Peça dinheiro e ganhe um conselho
Peça um conselho, ganhe dinheiro em dobro...

(...)

Falando ao vivo dos prédios mais altos de Tóquio
Muito longe das coisas difíceis
(...)
Eu a prendi
Pois ela me viu de terno com a gravata vermelha
Christian Gris, prazer em conhecê-la
Mas tempo é dinheiro
A única diferença é que eu sou o dono
Agora vamos parar o tempo e aproveitar este momento

(...)

Eu vejo o futuro, mas vivo o momento
Faz sentido, não?
Agora ganhe dinheiro; quero dizer, bilhões
Sou um gênio; quero dizer, brilhante
As ruas é que lhe ensinaram
E o tornaram o mais esperto, Rick é o rei
Perdi muita coisa, e aprendi muito
Mas ainda não fui vencido, como Shula
Estou longe de ser barato
Quebro empresas com minhas piscadas
Baby, podemos viajar pelo mundo
E posso lhe dar tudo o que você pode ver
Tempo é dinheiro
A única diferença é que eu sou o dono
Como um cronômetro, vamos parar o tempo
E aproveitar este momento, manda ver...

Desde que Madonna entoou Material Girl em 1985, alguns artistas, sobretudo os norte-americanos, em vez de cantar sobre as dores de amor, preferem fazer rimas com tudo o que os dólares podem comprar. E são esses artistas que são admirados e seguidos pela juventude em todo o mundo, a mesma a que o Papa Francisco se dirigiu na última semana aqui no Brasil, ao longo da 28ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Dinheiro.

Na parte final da entrevista exclusiva que o sucessor de São Pedro deu ao repórter Gerson Camarotti da Globo News durante a sua visita ao Brasil, que foi ao ar na noite desse domingo, 28 de julho, no programa Fantástico da Rede Globo de Televisão, ele frisou o que as 3 canções mencionadas acima (That Power, Feel This Moment e Material Girl) indicam: que o mundo inteirinho, infelizmente, está rendido ao dinheiro. Aqui, o trecho que destaquei:

16 de julho de 2013

16 de Julho

Pai

Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
E pedir pra você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar

Pai

Jaime Augusto e o avô, Tuti Camargo - Junho de 2013
Fotografia de Ana Paula (acatolica.blogspot.com)

Pai

Você foi meu herói, meu bandido
Hoje é mais, muito mais que um amigo
Nem você, nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz

Jaime Augusto e o avô, Tuti Camargo - Maio de 2013
Fotografia de Ana Paula (acatolica.blogspot.com)

Pai

Paz

Papai Tuti:

FELIZ ANIVERSÁRIO!

Obrigada pelo Pai e o Avô que você É!...

Saúde e Paz!! Fique com Deus!!

Jaime Augusto e o avô, Tuti Camargo - SuperAgro 2013
Fotografia de Ana Paula (acatolica.blogspot.com)





5 de julho de 2013

Valeu pela HONESTIDADE, São Tomé!


Conhecido (injustamente) como o apóstolo do ver pra crer,

Tomé é exemplo de cristão que NÃO usa máscaras e
NÃO tem medo de assumir as suas dúvidas

(Imagem de George Hodan)

São Tomé é daquele tipo de gente que não usa máscaras. Ele é o que é. Fala o que pensa. Não tem medo de se passar por ridículo, de ser desmentido pelos fatos nem de (aparentemente) morrer. E pensar que, desde os tempos de catecismo, "aprendemos" que ele é apenas aquele apóstolo que duvidou da ressurreição de Jesus. Que disse que só acreditaria que Nosso Senhor ressurgiu da mansão dos mortos vendo, tocando, sentindo:

Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Os outros discípulos disseram-lhe: "Vimos o Senhor". Mas ele replicou-lhes: "Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!".

Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco!". Depois disse a Tomé: "Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé".

Respondeu-lhe Tomé: "Meu Senhor e meu Deus!". Disse-lhe Jesus: "Creste, porque me viste. Felizes aqueles que creem sem ter visto!" (Jo 20, 24-29).

Pois bem.

Tomé me representa. E pode representar você também.

Todos nós, de um jeito ou de outro, queremos e pedimos provas que reaqueçam a nossa fé. Sem elas, esmorecemos, vacilamos, abandonamos. Podemos não ter tido o privilégio do santo "incrédulo" de ver, tocar e sentir as feridas causadas pela crucificação de Jesus Cristo. Porém, em muitos momentos da nossa vida, também solicitamos confirmações de que o Filho de Deus é real. De que Ele existe.

É ou não é?

The Incredulity of St Thomas (1634), Rembrandt

Tem gente que reza assim:
- "Meu Senhor, se Você existe, mande chuva pra regar minha hortinha...";
- "Deus, se Você é Pai mesmo, salve a vida do meu tio, que está na UTI";
- "Faça o meu time ganhar, então vou acreditar 'mais' em Você..."; e por aí vai.

Muitos de nós, quando oramos, colocamos a condição de os Céus atenderem a nossas preces como A PROVA de que Jesus esteve por aqui há mais de 2.000 anos, caminhou entre os nossos, ressuscitou e está "sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso" - como recitamos no Credo, também chamado de Símbolo dos Apóstolos.

São Tomé é gente como a gente...

... Ou como alguns de nós.

25 de junho de 2013

Milhares de "João Batista" pelo Brasil afora

Como o primo de Cristo há 2.000 anos,
brasileiros vão às ruas clamar pelo fim da corrupção.
Devem só tomar o cuidado de não passarem de "caniços ao vento"

Imagem: Biblical illustration of Gospel of Mark Chapter 1 (1984),
Biblical illustrations by Jim Padgett

Manifestação contra aumento da tarifa de ônibus SP (BRASIL) -
7 de junho de 2013 - Fonte: https://secure.flickr.com/photos/mariaobjetiva

O que me marca na história do primo de Jesus, cuja natividade a Igreja celebrou nesse 24 de junho?

Duas coisas: a sua capacidade de ascese, ou seja, de mortificar-se, de viver sozinho no deserto a pão e água (ou melhor, a gafanhoto e mel) e a sua impetuosidade, ousadia, atrevimento mesmo de escancarar para os hipócritas e poderosos os seus pecados. Ele é "aquele que grita no deserto". Não é que me lembra os brasileiros "que gritam" nas ruas nas últimas semanas? Que gritam, como há 2.000 anos, contra a devassidão de alguns políticos (os poderosos) do Brasil?

João Batista não é uma figura simpática. Tomava mel, mas não tinha nada de doce. Era duro. Exigia muito de si mesmo e exigia dos outros. Não sei como conseguiu ter seguidores. Não dançava, mal comia; enquanto Jesus é muitas vezes retratado na Bíblia participando de festas (como as Bodas de Caná) e de banquetes (na casa de Mateus e na de Zaqueu, por exemplo). À 1ª vista - ou à 1ª lida -, parece mais fácil seguir a Cristo do que a João Batista. (Sim, eu sei: é uma besteira o que acabei de escrever...)