Mostrando postagens com marcador Comportamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comportamento. Mostrar todas as postagens

29 de março de 2015

Feminismo

Tela: Yes or No (1893), John William Godward

Não é certo,
mas minha gana de beijar
também é profunda.

Não é justo:
se o beijo acontecer
você será o garanhão
e eu, a vagabunda.


21 de setembro de 2014

It Girl

Foto de Nina Matthews

Comprei um sapato
de sola vermelha.
Me senti importante
e fui dar uma volta.
"Quando eu cruzar
a minha perna,
vão pensar:
'Ela pode'."
Cruzei. Olharam.
E muito satisfeita
circulei até cansar.
Escureceu. Fui embora.
Pus na caixa
a minha farsa;
na bacia,
pés inchados
e voltei minha mente
estreita
pra singela realidade.


3 de março de 2014

"Lavou as mãos diante do povo..."

Fotografia de George Hodan

Escutei o grito
da moça
e supus
perigo iminente.
Na minha boca,
um gosto estranho:
o grito "Pare" apodreceu.

A fraqueza é minha (bem sei).
Ao rimar palavra e gesto,
dei fora: semitonei.

Eis o fardo da omissão:
pela vida afora arrastando
o souvenir dos fatos
que não mudei.


22 de fevereiro de 2014

Memorando Não-Consumista

Modegeschäft - Loja de Roupa (1914), August Macke

Mall Hallway - Fotografia de MALIZ ONG

Não gosto de coisas de mulherzinha: creminhos, perfumes importados, batons variados. Os vestidos nas vitrines do shopping, cautelosamente escolhidos, sedutoramente armados não me balançam. Passo por tudo, passo por todos, indiferente.

Como passei pela adolescência dando de ombros a tudo o que existia pra (supostamente) me fazer feliz. Acho a perdição ficar diante do espelho: "Essa calça; esta blusa; aquele cinto...". Gostoso é pegar a calça, top, largar o cinto, tropicar o pé ressecado com o tamanco coxo e ir. Ir. Em 10, 20 minutos: pronta pra ir.

Luxo não é ter paleta de cores do Boticário no armário. Luxo é ter todo o tempo do mundo pra ignorar vitrines e admirar o resto de tudo.

Zwei Frauen vor dem Hutladen -
Duas Mulheres em frente à Loja de Chapéus (1913-14), August Macke


30 de janeiro de 2014

Super-Molengas, desativar!


Há rapazes que, ao contrário do Papa, não querem NADA

com a dureza: são "super-herois" do comodismo

Foto: grafite anônimo de Francisco como super-herói,
feito em uma rua de Roma (Itália)
próxima ao Vaticano. Fonte: em.com.br

Como mãe de um rapazinho, o tópico me diz respeito diretamente: acerta em cheio como a seta no centro do alvo. Podem ser apenas casos isolados ou uma amostra verificada e autêntica de um fenômeno maior. "O que é, Ana Paula?" É isto: floresce toda uma geração de homens-molenga. O quê? Que p... é essa?

Explico: aqui e ali, pululam exemplos de rapazes sem ambição. E nem falo do famoso sonho de ser "o maior jogador de futebol do mundo, de todos os séculos e séculos". Falo de ambições comezinhas: instalar um chuveiro elétrico; providenciar o conserto de um teto que ameaça verter água no próximo pé d'água ou procurar - e conseguir! - um 2º emprego (já que tem meia hora do dia vaga), a fim de incrementar a renda.

Nossos rapazes - ou alguns deles - preferem "coçar" (sim, fui vulgar) e esperar que tudo se resolva - lê-se: probleminhas cotidianos ou bem mais sérios - por si só. Eles não têm motivação nem força física nem moral suficientes pra tirar o traseiro (xi... Vulgar de novo) do sofá e fazer como muita gente: ir à luta!

Character co-created by Will Eisner.
Image from Wonderworld Comics #3 (1939)

Quando um Super-Molenga, que pode ter canudo ou nem haver passado na porta da universidade, encontra uma mulher financeiramente (friso: financeiramente) bem-sucedida, a mãe dele sai logo com esta: "Até que enfim meu filho achou a 'pessoa certa'! Boa, que vai dar um 'jeito' na vida dele!". Não dá. Não dá mesmo. Um Super-Molenga se contenta em ser sustentado. Ele finge que trabalha e a sua "eleita", a mulher que "conquistou", finge que acredita.

Aliás, os Super-Molengas - que podem até ter emprego, mas que geralmente saltam de bico em bico - costumam estar com um destes 2 tipos de companheira: OU a que depende do (parco) dinheiro dele OU a autossuficiente que, por beirar ou ultrapassar os 50 anos de idade, pensa que não vai "conseguir coisa melhor". Então, todo mundo sai ganhando nesse tipo de relação. Ou perdendo.

8 de dezembro de 2013

Cuidar do corpo sim. Mas... SEM esquecer a ALMA

No empenho de nos tornarmos pessoas bonitas por fora,
negligenciamos o esforço de vencer nossas piores inclinações

Depiction of a soul being carried to heaven by two angels
(Representação de uma alma sendo levada para o céu por dois anjos),
William-Adolphe Bouguereau (1825–1905)

Eu já fui espírita kardecista. Nasci num lar católico, mas lá pela minha adolescência nos tornamos kardecistas. Aí, caiu nas minhas mãos a famosa obra "psicografada" pelo "médium" Chico Xavier: Nosso Lar. Não li. Ou melhor: li. As primeiras páginas. E só.

O que me marcou (e nunca mais esqueci) foi que a personagem principal, um homem chamado André Luís, ao chegar ao outro lado, foi chamado de "suicida" e discordou: - Suicida, eu? Vocês estão loucos! Eu morri em um hospital, durante uma cirurgia!

Mais à frente, explicaram a ele que "suicídio" não é só quem pega uma arma e atira contra o peito ou a cabeça; nem somente quem amarra uma corda no pescoço e salta de um banco ou uma árvore; nem apenas quem enche os bolsos de pedras e se afoga num rio - como a escritora Virgínia Woolf. Para a doutrina espírita, suicida é todo aquele que não cuidou do próprio corpo em todos os sentidos.

Por exemplo: um alcoólatra (caso de André Luís); quem come demais; quem é negligente com a própria saúde e não procura o médico quando deveria fazê-lo; fumantes inveterados; consumidores de anabolizantes ou de qualquer outra droga, caso morram devido a isso, são todos considerados suicidas de acordo com o kardecismo. Por quê? Porque não se cuidaram, provocando, de algum modo, a própria morte.

Fotografia de George Hodan

7 de novembro de 2013

Vovô Jaime: nós não sabemos envelhecer

A 3ª e a Meia Idades se portam PIOR do que os jovens -
é o que desabafo com o meu avô materno.
(P.S. Ele está no Céu.)

Fotografia de Martinhampl

Belo Horizonte, 5 de novembro de 2013.

Querido Vovô,

Já é tarde. Enquanto lhe escrevo esta cartinha, assisto ao filme A Jovem Rainha Vitória, que passa agora na TV (estou sempre fazendo duas coisas ao mesmo tempo!). Que saudade de você!... Convivemos tão pouco e tudo o que tenho é um cachorrinho (Abelhudo, da Estrela), que você me deu e que guardo no meu armário, com a caixinha e tudo e com todo o carinho. Tem a sua letrinha: "Ana Paula". Eu queria me lembrar do seu sorriso de satisfação ao me ver abrir esse presente.

Cachorro Abelhudo da Estrela (início dos anos 1980) -
Letrinha do Vovô Jaime - Foto de Ana Paula (acatolica.blogspot.com)

Cachorro Abelhudo da Estrela (início dos anos 1980) -
Fotografia de Ana Paula (acatolica.blogspot.com)

Cachorro Abelhudo da Estrela (início dos anos 1980) -
Fotografia de Ana Paula (acatolica.blogspot.com)

Por aqui, Vovô, vamos bem. Quero dizer, eu cresci e a vida não é nada daquilo que eu esperava. Foi assim com você também? Está tudo tão diferente! E temo pelo pior, porque, à medida que "crescemos", nos damos conta da maldade que há em nós e nas pessoas ao redor. Vejo gente com quase 45, 55, 65 anos de idade sendo capaz de gestos tão desprezíveis, de comportamentos que vão da crueldade à bizarrice, que eu - aos 37 - fico com as esperanças de melhorar com o passar do tempo abaladas.

Veja se eu não tenho razão: se as pessoas mais velhas do que eu, que até se dizem "religiosas", continuam infantis, isso indica que a probabilidade de eu prosseguir deste mesmo jeito em que estou (sem evoluir) é grande. Afinal, somos todos feitos do mesmo pó. É sério, Vovô!

Conheço gente de mais de 80 anos de idade que ainda sente prazer em falar mal da vida alheia; senhora com mais de 70 que adora bisbilhotar, reclamar da vida e, além disso, guarda rancor; mulher com quase 50 anos, cristã e estudada, com mágoa dos pais e do irmão. Não escrevo isso para "julgar" meus semelhantes, e sim para demonstrar como a idade nem sempre traz sabedoria, como a sabedoria popular gosta de propalar...

18 de outubro de 2013

Gemidos de Menos, Dores de Mais

Um Post sobre sons e ruídos de amor e de violência doméstica,
que ultrapassam janelas, portas e paredes dos vizinhos

(Fotografia de George Hodan)

Morei num lugar onde, vez em quando, dava pra ouvir uma mulher gemer de prazer. Sério. Eu acordava por volta da 1h da madrugada, ouvindo aquele som... No dia seguinte, comentava com uma conhecida, que me dizia: "Pode ter a certeza de que, gritar daquele jeito, só pode ser pra aparecer". Numa vez, houve gritos de socorro. Eu não os ouvi bem. Não sei de onde vinham. O dia estava quase amanhecendo e acordei com meu pai "pendurado" na janela: "Larga ela, senão chamo a polícia!". Alguém já havia chamado. A PM (Polícia Militar) chegou e deve ter feito a ocorrência.

Ter vizinhos - quem não os tem? - é assim. Mesmo um tanto de longe, cercados por paredes, protegidos por portas e atrás de janelas, dá pra acompanhar alguma eventualidade, quando ela se sobressai, quando os ruídos vazam. Sobretudo, se isso ocorre na calada da noite ou no alvorecer.

Acontece, porém, que nem sempre a violência doméstica (ao contrário dos gemidos de prazer) se dá quando a maioria das pessoas está dormindo. Quando se torna comum, parte da rotina de um casal, como se levantar da cama, montar a mesa do café, recolher toalhas do varal, esticar o pano que recobre o sofá, ela ocorre a qualquer hora. Sempre é hora de apanhar. Sempre é hora de "ser enforcada", levar um chute ou ouvir palavras como: "Você é irresponsável!"; "Você não presta!"; "Você é velha!".

Como católica, o que fazer quando você nota que o marido da vizinha é um boçal?

Tocar a campainha e aconselhar essa pessoa a chamar a polícia? A desabafar com "algum parente de confiança"? A sair de casa correndo? A se separar? Qual das opções é a melhor? Qual é a mais sensata?

Quando alguém na família é alcoólatra ou drogado, geralmente procura-se instituições especializadas para orientação e ajuda. E quando alguém é violento? Maltrata uma mulher com as mãos, os pés e as palavras? O que fazer? Artistas, políticos... Vão todos pra TV dizer que a esposa NÃO deve tolerar a violência doméstica, e SIM denunciar o marido. Ora, se Santa Rita de Cássia tivesse feito isso, não teria se tornado o que é. Afinal: quem permanece numa relação assim é uma anta completa ou uma santa?

Sei que dentro dos caixotinhos chamados apartamentos e das amplidões de casas que ainda resistem à verticalização dos bairros, acontecem coisas de entristecer Nosso Senhor. Coisas que esposos como São José jamais seriam capazes de fazer. Existem homens perturbados, boçais desequilibrados, que são leões sob pele de ovelhas, gente que colegas de trabalho, irmãos e pais duvidariam de que seria capaz de pisar numa formiga ou assustar um gato de rua, que dirá encostar a mão na esposa.

Pensa-se e fala-se muito na "solução": xadrez. Divórcio. A raiz ou a causa primeira do problema, ninguém quer abordar, ninguém debate. Onde nasce a violência? Onde ela começa? Onde o marido espancador aprendeu a humilhar, a agredir? Eu tenho a teoria (não verificada, puro "achismo") de que aprendeu em casa, vendo a violência dos próprios pais. Vai ser difícil alguém me provar o contrário. Marido que maltrata a esposa viu na infância, de cadeira V.I.P., o próprio pai fazer isso - inúmeras vezes - com a mãe.

Quanto a mim, quem me dera ouvir gemidos de mais e dores de menos.

A propósito, e para tornar mais leve este Post pesado, numa vez, quando tinha um programa na Rádio Itatiaia (muito ouvida aqui em Belo Horizonte), o político e consultor de comportamento Antônio Roberto respondeu assim a uma ouvinte que lhe escreveu indignada sobre a vizinha que, todas as vezes em que "fazia amor" com o marido, fazia muito "barulho": "Você está é com inveja! Deixe a sua vizinha ser feliz e trate de ser feliz também, que eu duvido que os gemidos dela vão te incomodar!...".

Fotografia de George Hodan


23 de setembro de 2013

Desprezo e abuso sexual

Um trauma "bobo" da minha infância me marcou.
Imagine com o quê têm que lidar os adultos que sofreram
abusos sexuais de pessoas da sua confiança, quando eram crianças

(Fotografia de Jiri Hodan)

Como de costume nos reunimos na metade da mesa da sala de jantar para almoçar: mamãe, Andréa Cristina e eu. Éramos adolescentes e havíamos acabado de chegar do colégio. Conversa vem, conversa vai, do nada, do nada mesmo, veio a minha lembrança um fato longínquo, de quando eu tinha cerca de 3 anos de idade. Após contá-lo, tintim por tintim, mamãe o confirmou - tamanha a vividez da minha recordação.

Meus pais e alguns conhecidos tinham ido acampar para pescar no interior das Minas Gerais (estado onde nasci e vivo aqui no Brasil).

À noite, nós, crianças, deveríamos ficar dormindo em uma das barracas que montaram sobre a grama, no meio do mato. A certa altura, mamãe, que estava me fazendo dormir dando "tapinhas" nas minhas costas e cantando uma canção de ninar, teve que sair da barraca e pediu a uma conhecida, que também fazia a filha dormir, pra continuar a me embalar: "Pode deixar, Magali, eu canto pra Ana Paula...", a tal mulher falou.

Pois bem.

Eu me lembro vividamente, caro internauta d'A Católica, como se tivesse sido ontem, que essa conhecida deu "tapinhas" em mim até a minha mãe atravessar a barraca. Assim que a viu sair, a tal conhecida simplesmente me ignorou. Parou de me embalar, de tocar carinhosamente nas minhas costas e de cantar para mim, voltando-se apenas para a própria filha, que era da minha idade. Até hoje me recordo do choque que senti: ela tinha acabado de garantir a minha mãe que "me daria carinho", mas me deixou só.

Foi a 1ª vez na minha vida em que experimentei o desprezo. E essa lembrança voltou do nada, de repente, em plena adolescência, no meio de um almoço casual com minha mãe e minha única irmã, depois de uma manhã de aulas no colégio.

Essa recordação dolorosa, que me causou perplexidade ante o comportamento de uma mulher que já era mãe (e uma mãe católica apostólica romana) não é NADA, porém, perto do que vi recentemente no Post de um Blog que visito com frequência: o Hypeness.

O blogueiro Vicente Carvalho escreveu a respeito do documentário os Monstros da minha Casa (los Monstruos de mi Casa). Segundo ele, trata-se de um vídeo que "mostra a realidade de crianças vítimas de abuso físico e emocional, na Espanha". A protagonista é a super-mãe Carmen Artero, que "acolhe essas crianças que estão com o emocional absolutamente abalado e com muito medo de voltar para seu próprio lar". O intento dela é abrir uma fundação para que todos tenham direito a uma infância feliz.

Em algumas passagens do documentário, que dura não mais do que 60 minutos, aparecem desenhos de meninos e meninas entre os 5 e os 15 anos de idade, que foram interpretados por especialistas. Neles, eles expressam a violência sexual e outras negligências que ocorriam dentro de suas casas. Conforme outro blogueiro, Lucas Mombaque, as ilustrações estiveram em exposição na Espanha em outubro de 2010.

Neste Post do Blog A Católica, você confere 5 desses desenhos, com as interpretações que recolhi dos Posts de Vicente Carvalho e de Lucas Mombaque.

4 de setembro de 2013

Socorro, gente: eu "não tenho" ambição!

Sob os critérios do mundão, não passo de uma acomodada.
Deixe estar...
O que eu desejo veementemente, ninguém pode ver nem tocar

(Ilustração de Frits Ahlefeldt)

Tive um entrevero dia desses com alguém - OK: há sangue quente e vermelho correndo em minhas veias, e não azul nem muito menos frio - e esse alguém me disse aos berros: "Você é pobre, feia e sem ambição!!!". Pobre, sou mesmo. Feia, bem, é um adjetivo que não me ofende: questão de gosto. Meu pai, por exemplo, acha a Gisele Bündchen "feia" (não entende o que todo mundo vê nela).

Agora, sem ambição...

... Nunca parei pra pensar que sou assim. Comentei com minha mãe, que concordou: "Você é mesmo, Ana Paula". Nossa. Eu sou sem ambição. Claro que corri ao dicionário pra entender o que é isso. E encontrei a seguinte definição: Ambição é o "desejo veemente (do que dá superioridade)". Veemente é forte; intenso; fervoroso. Êpa. Êpa. Êpa. Êpa. Eu tenho ambição SIM. Então, por que me afirmam o contrário?

Vamos entender por que muita gente acha que não tenho e por que eu, a sem ambição, me vejo ambiciosa SIM.

O que a maioria das pessoas imagina como "ter ambição" é, em 1º lugar, a avidez por adquirir bens materiais (básicos ou nem tanto). Em outros termos, poupar, financiar ou pedir empréstimo para obter a casa ou apartamento próprios, o automóvel próprio, o sítio próprio, a casa de praia própria... E, depois, o quanto antes ou assim que puder, trocar tudo por um apê maior, um carro mais novo e por aí vai... Isso, segundo o mundão, significa ter ambição.

Fotografia de Marina Fuzaro

Fotografia de George Hodan

Em 2º lugar, o que a maioria das pessoas considera como "ter ambição" é investir na carreira. Faculdade, outra faculdade, especialização, mestrado, doutorado, pós-doutorado, pós-pós-pós-doutorado. E ainda: encontrar um emprego numa megaempresa. Se notar que o "plano de carreira" lá não é bom, fácil: basta trocar de megaempresa, não importa a que custo emocional (companheiro(a) ou filhos que ficam pra trás), e... Recomeçar a subida rumo ao topo: Para o alto e avante!, como diria algum super-herói.

(Conheci uma moça que começou como estagiária numa mega-construtora aqui no Brasil e que me disse: "Minha meta era chegar à sala da presidência e consegui!". De fato, ela foi a secretária pessoal do presidente da tal mega-construtora por anos, até - não sei bem o porquê - ser demitida. Ambiciosa, hum?)

Fotografia de Vera Kratochvil

É.

Sob esses 2 pontos de vista, não sou mesmo ambiciosa. Não tenho casa nem apartamento próprios. Nem planos de adquirir um imóvel tão cedo. Não tenho um automóvel. Quando digo às pessoas que um carro "pra chamar de meu" não me faz falta, que me dou bem com caronas, ônibus e táxis, vejo sobrancelhas franzidas e pupilas comprimidas. "Plano de carreira"? Obrigada, não. Passo adiante por ora.

Por que me vejo como ambiciosa então?

Porque, se ambição, conforme o dicionário, é o "desejo veemente (do que dá superioridade)", então, como todo bom católico...

... Sonho com os Céus. Almejo coisas simples - e tão difíceis! - que agradariam a Nosso Senhor Jesus Cristo: amar os meus inimigos; perdoar os que me ofendem (incluindo a pessoa que me chamou de "pobre, feia e sem ambição"); ser dócil aos desígnios de Deus; cumprir o meu papel de mãe e de esposa com humildade e sabedoria; oferecer a outra face; dar sem esperar receber; amar sem medida; não faltar à Santa Missa; rezar o santo Terço diariamente; não descuidar do meu estudo bíblico...

... Como vê, caro internauta d'A Católica, tudo muito singelo. Tratam-se de tesouros invisíveis, que ninguém pode enxergar pra me enaltecer ("Nossa, que apartamento bacana!"; "Nossa, que carrão, hein?"; "Nossa, parabéns, você foi promovida na sua megaempresa! Que salário bom, hã?"). Eu desejo o que dá superioridade, mas é insondável: provém da Graça de Deus. Está escondido no coração Dele...

"Jesus chama as criancinhas a Si" (Mc 10, 13-16)

Fonte: Google Images


17 de junho de 2013

8 Conselhos (ou Ordens?) de Teresa de Calcutá


O homem é irracional, egocêntrico:
não importa, ame-o!

Fotografia de George Hodan



















Salvezza - Imagem de Roberto Ferrari
from Campogalliano (Modena), Italy
Se você fizer o bem
dirão que tem
intenções egoístas:
não importa, faça o bem!



















Na busca da realização dos seus objetivos,
encontrará falsos amigos e verdadeiros inimigos,
não importa: busque-a!

Le baiser de Judas (Sem Data), Haut-Rhin Alsace



















O bem que você faz poderá ser esquecido amanhã:
não importa, faça o bem!

ISAF soldier helping an Afghan kid -
Fotografia de TKnoxB from Chemainus, BC, Canada




















9 de junho de 2013

A Católica relembra... Suas aventuras de Amor

Um felino que desagradou, uma viagem que cruzou o Atlântico...
... Eis algumas loucuras que fiz por amor.
"Atire a 1ª pedra, quem não sofreu por amor", canta Marisa Monte


(Imagem de Karen Arnold)

Ah, o amor... Mais um 12 de junho se aproxima - Dia dos Namorados aqui no Brasil - e fico lembrando como era bom celebrar essa data, quando eu tinha namorado. Quando eu "tinha", porque agora tenho marido. É diferente. Quando a gente namora, existe o fator surpresa, não tem jeito. Dá aquela hora do encontro marcado e você nem imagina, por exemplo, que roupa o seu amor estará vestindo. É tudo meio inesperado. E gostoso.

No meu primeiro Dia dos Namorados, ganhei o primeiro CD (importado) lançado por uma das minhas bandas preferidas: o Nirvana. Depois, fomos ao Parque Guanabara - acho que ainda se chamava Parque Mangueiras - nos divertir nos brinquedos. Gostoso. Inesperado. Inesquecível.

Poderia começar nos próximos parágrafos a rememorar o que ganhei e como comemorei meus outros Dias dos Namorados com os namorados que tive (foram 6, se não me falha a memória!...). Porém, prefiro destrinçar as aventuras que vivi... Por amor.

Dizem que só os cavaleiros de espada em riste - sem duplo sentido, por favor - são capazes das maiores loucuras, certo? Pois saiba: mulheres também. Somos conquistadoras. E não estou falando de calça justa, short curto nem de decote insinuante. E sim, de gestos ousados.

Já comprei um gato de raça caríssimo, quando eu era mera estagiária e tinha menos de 20 anos de idade, para conquistar um pretendente. Não deu certo. Cheguei ao apartamento dele, o colega disse que tinha viajado para o interior e só voltava "semana que vem". Lá fui eu tentar devolver o gato para o vendedor. Claro que ele não aceitou. Então, pedi "pelo amor de Deus" para que ficasse com o bichano até a próxima semana.

23 de maio de 2013

Joias e... Amantes

Programa do canal Discovery Home & Health
mostra que a imagem da amante
que ganha belas joias

é pura ilusão: tudo o que elas têm
são migalhas da presença de alguém

Imagem: Gold Jewellery - Fotografia de Terabass

Veja que coisa mais idiota: passeávamos o meu filho Jaime Augusto e eu pelos amplos corredores de um shopping center aqui em Belo Horizonte (BRASIL), até que uma escultura, do tamanho de um punho fechado, aparentemente de cristal, exibida na vitrine de uma joalheria, me atraiu: era uma concha aberta, com uma pérola dentro. Desviei o olhar para a direita e vi gargantilhas de brilhantes de diversas cores, colocadas uma ao lado da outra. Logo abaixo, outra fileira, de anéis, tão coloridos quanto as gargantilhas.

E o que aconteceu? Meus olhos marejaram...

Já ouvi falar de gente que chora diante de um pôr do sol, de uma orquídea rara, de um filhote de passarinho que caiu do ninho e agonizou no asfalto... Agora, chorar diante de uma vitrine de joalheria?!?

Só entendi o que aconteceu comigo, quando um pensamento me veio, na medida em que continuava a seguir pelos corredores largos do shopping center: "A mulher que ganhar uma daquelas gargantilhas, ou um daqueles anéis, deve ser mesmo muito especial...". Ao chegar em casa e comentar o fato com o meu marido Farney, ele me disse: "Ana Paula, homem só dá joias assim quando quer... Você sabe...".

Será?

Tempos atrás, uma conhecida minha me disse que homem quando entra em joalheria é para comprar joias para a amante. Será?

Tenho acompanhado, sempre que posso, um programa novo do canal de TV a cabo Discovery Home & Health: chama-se A Outra. Trata-se de um reality show no qual a apresentadora, uma linda mulher de olhos claros e cabelos bem curtos e loiros, ajuda outras mulheres que há anos (eu escrevi há anos) são amantes de homens casados, que lhes prometeram deixar a esposa para se unirem a elas.

O roteiro é o mesmo, não importa a idade nem o grau de beleza da amante: a apresentadora faz as mesmas perguntas a cada uma delas, incluindo esta, que mais me chamou a atenção: "Que presentes ele já te deu?". Seria a grande hora de se exporem as joias, certo? Afinal, como aquela conhecida minha me disse certa vez, quando se vê um homem dentro de uma joalheria, pode saber que as compras são para a amante...

23 de abril de 2013

Um Post sobre dinheiro... E felicidade

A atriz Marilyn Monroe disse uma vez: "Não estou interessada em dinheiro,
só quero ser maravilhosa". É uma bela meta de vida.
Porém, pessoas que conheço têm apenas uma: (muita) grana no bolso

(Imagem: Marilyn Monroe - Fotografia de 1962, por George Barris)

Me deram meia hora para escrever alguma coisa sobre qualquer coisa. Então, vamos lá. Fico imaginando como deve ser estranha a vida sem a perspectiva do Céu, do Eterno, de Deus. Se não fosse a minha fé, eu já teria desistido há muito... De muito. Falo nisso, porque nos últimos dias chegaram notícias realmente chatas até mim. Brigas, desentendimentos, separações. Não julgo. Nem digo que foi fraqueza dos outros: os Céus bem sabem como é árduo conviver e relacionar.

Se me perguntassem qual a raiz de todo o mal, eu responderia que são três: falta de fé, ter o dinheiro como meta principal e as pressões alheias. E está tudo interligado.

Anos atrás (bote anos atrás nisso), li uma frase da atriz norte-americana Marilyn Monroe que até hoje, sem querer, norteia a minha vida: "Não estou interessada em dinheiro. Só quero ser maravilhosa". Eu tinha nove anos de idade, vi essa frase estampada numa das edições da revista Manchete, da Bloch Editores, que meu avô João Câncio comprava com regularidade. Na hora, pensei: "Essa é uma boa meta de vida".

Só que a gente cresce e descobre que o dinheiro é importante, diria mesmo, essencial. E, de coadjuvante, de meio para nos permitir uma vida digna, equilibrada, maravilhosa, ele se torna algo que determina quem vai querer se relacionar conosco, quem vai "gostar" de nós, quem vai nos aplaudir, quem vai nos bajular.

Pais e mães, algumas vezes, na sua ânsia de que os filhos tenham uma vida bem longe das inseguranças financeiras, não admitem que eles façam escolhas "diferentes". Não têm a paciência necessária para permitir e esperar que floresçam numa atividade aparentemente "não-lucrativa". "Você tem que arrumar emprego!"; "Você tem que se colocar logo no mercado de trabalho!"; "Você tem que ser dono do seu nariz!".

Daí, nós temos centenas de milhares de jovens deprimidos. Eles até seguem o conselho dos pais e se tornam médicos, contadores, funcionários públicos, etc. bem-sucedidos. Porém, redondamente infelizes. Conheci uma moça da Caixa Econômica Federal, que me disse que tinha dificuldade de aprender os passos nas aulas de Dança Flamenca, porque tomava remédio "tarja preta" (lê-se: antidepressivo). Ela me confessou: "Eu odeio o meu emprego, mas não tenho coragem de deixá-lo...". Isso foi no ano de 2004.

Assisto de camarote a várias pessoas fazerem escolhas pautadas nisto: "Vou trocar de emprego, porque aquele vai me pagar mais". Pagar mais. Mais. Mais. Mais. Admiro a minha irmã, Andréa Cristina, que trocou de emprego só pra acompanhar o marido, que mudou de cidade. Esse sim é um motivo belo. Justo.

E assim me pergunto: por que só o dinheiro deve pautar as nossas escolhas? Pra quê morar longe de pais e irmãos só porque vai ganhar 2 mil ou 3 mil reais a mais? Pra quê mais? Pra quê? Pra entrar no shopping e comprar uma roupa cara? Pra exibir para os parentes nas reuniões de família as fotos da viagem que fez ao Nordeste? Pra falar que trocou de carro e agora tem um com direção hidráulica, injeção eletrônica e câmbio automático? Pra contar que o sofá custou 3 mil e 700 reais, como ouvi de uma prima?

6 de abril de 2013

Meu coração é de pedra

Fotografia de Andrea Schafthuizen

Triste constatação: meu coração é de pedra. Ninguém quer ter um coração assim. Só que... Aconteceu. Não foi fácil me dar conta disso. Percebi aos poucos, pelas coisas que pensava, pelas coisas que dizia. Se a boca fala aquilo de que o coração está cheio, então estou lascada.

Eu não era assim.

Pelas cartas e bilhetes que recebi num passado distante de amigos e colegas de classe, pareço ter sido a mais amorosa das criaturas. Aonde foi parar tanta doçura? Retrocedo e constato que tudo começou quando entrei na universidade. A dureza de tudo: do comportamento dos professores, dos colegas... Uma - até então incompreensível - competitividade começou a se instalar no meu mundo, quando tudo o que eu conhecia era uma torcida para que tudo corresse bem. Para que todos se dessem bem.

Eu acreditava que todo mundo era bom. Sério. Achava que parentes, tios, primos, etc., que todos quisessem e torcessem para que todos e cada um fossem felizes.

Aí, ano após ano, enquanto eu crescia (quem me dera que tivesse sido em "sabedoria e graça"), bem, fui vendo que não é bem assim. Que há ressentimento. Principalmente inveja. Com que gosto falamos das mazelas e tropeções alheios!... Não me canso de me surpreender com a nossa incapacidade de vibrar e comemorar as vitórias alheias! No fundo - e na superfície - preferimos que ninguém chegue lá.

3 de abril de 2013

Boca fechada e espinha ereta


Neste Post, A Católica traz uma pequena reflexão
sobre a postura que precisamos (re)aprender a ter na vida.
Em qualquer circunstância. Até dentro do ônibus...

(Imagem: Publicity photo of Virginia Myers - young dancer, by BEDownes)

Ando observando detalhes do comportamento do meu filho de um ano, Jaime Augusto. Ele mastiga de boca fechada. E, ao se assentar, fica com as costas retinhas. Desaprendemos isso. Minha irmã, Andréa Cristina, teve que fazer aulas de balé clássico para melhorar a postura (vivia "corcunda"). Quanto a mim, passei a pré-adolescência inteira ouvindo minha mãe ordenar: "Mastiga de boca fechada, Ana Paula!".

É... Esta é uma vantagem de ter a mãe em casa, com quem nos sentamos à mesa na hora das refeições: observar como nos portamos e ouvir o que dizemos. Minha irmã e eu chegávamos do colégio em torno do meio-dia e almoçávamos com Mamãe Gali, contando a ela (quase) tudo: paixonites, amigos que pisaram na bola (como dizemos aqui no Brasil) e, certamente, nossos sonhos.

Era o momento de a mamãe me corrigir. E de tentar corrigir a minha irmã: "Senta direito, Andréa!".

Lembrei isso anos atrás, quando a Rede Record exibiu a primeira temporada do reality show A Fazenda. Um dos participantes, um ator jovem e bonito, mastigava de boca aberta - o que incomodava e gerava comentários entre as outras celebridades, confinadas no mesmo local. Na hora, pensei: "É... Esse não teve a mãe presente à mesa, para lhe corrigir os maus hábitos".

Vai ver que essa é a razão de, pelo menos aqui no Brasil, tantos de nós mastigarmos de boca aberta, não dizermos "Obrigada" nem pedirmos "Com licença", nem muito menos "Me desculpe". As mães não estão mais em casa. E, quando estão, não têm disposição de educar: querem logo emperiquitar os filhos para os levar ao shopping e enchê-los de distrações, roupas caras e brinquedos idem. Deve haver exceções - eu espero.

20 de julho de 2012

Não odeie: seja indiferente

A atriz Greta Garbo continua exemplo único de discrição:
largou a carreira em 1942 e viveu sem dar declarações até morrer, em 1990.
Nem todo ódio precisa ser proclamado; nem todo inimigo, anunciado


Imagem: Film poster for Queen Christina (1933) - Employee(s) of MGM

Eu achava que o contrário do amor fosse o ódio. Porém, um professor que tive na faculdade - mais exatamente professor da disciplina "Ética e Legislação no Jornalismo" -, que gostava de fazer meditações antes de sua aula, nos disse que o contrário do amor é a indiferença. Nunca mais esqueci.

Ele explicou: "Amor e ódio estão muito próximos um do outro. São como duas pontas de uma reta. Quando você as une, forma um círculo. Ou seja: um acaba bem perto do outro". O professor continuou: "Se você quer 'matar' alguém, seja indiferente a ele. Não demonstre os seus sentimentos. Não odeie".

Relacionar-se é dificílimo. E não estou falando de relacionamento esposa e marido nem de pais e filhos. É que às vezes, aliás, é que muitas vezes a vida nos impõe a conviver ou mesmo a ver de vez em quando pessoas por quem nutrimos sincera e tremenda antipatia. Seja um colega de trabalho, com quem convivemos, seja um parente com quem nos esbarramos numa visita, num evento de família, vez e outra.

Tive um colega de trabalho intragável.

Soube que me apelidou de "Meio Quilo". Eu me referia a ele, nas conversas com o meu então namorado (hoje, marido), como "Energúmeno" - afinal, eu estava ressentida, com raiva. Em público, diante dos outros jornalistas, o tal colega tentava, tentava e tentava me tirar do sério (como dizemos aqui no Brasil). Nunca cedi.

13 de maio de 2012

Lembranças demais da conta, sô


Nossa ânsia de registrar e divulgar pra todo mundo
nossas caras e bocas, a nossa "felicidade",

deixa pouco espaço pra espontaneidade. Para a vida, enfim.


(Imagem de Eddie Fouse)

Fotografia de Jiri Hodan

está tudo registrado. depois que as máquinas fotográficas tornaram-se acessíveis e, mais tarde, digitais, depois que e-mails, sites, blogs, orkuts, twitters e facebooks foram criados, todos nós (ou pelo menos o que parece ser a grande maioria de nós) tornamo-nos obcecados em... registrar. anos atrás, a canção "tá tudo dominado" fez sucesso aqui no Brasil. minha analogia é: "tá tudo registrado". registramos tudo. tudo, tudo, tudo.

não vou aqui expor uma crítica aos blogs em que bloggueiros deslindam detalhes de sua vida amorosa, familiar, profissional, etc. nem a quem escolheu estampar nos sites de relacionamento a intimidade do seu dia a dia - desde uma viagem ao estrangeiro até o que vestiu na lua-de-mel. é uma escolha. eu respeito.

o problema é que desde que a Internet tornou-se disponível na palma da mão, dentro de um celular pequenininho (ou nem tanto), a preocupação de muitos de nós deixou de ser viver, desfrutar do momento, para... registrar. queremos fotografar e filmar TUDO. seja para enviar via Bluetooth a algum parente querido e distante, seja para exibir a estranhos no nosso Facebook (nota: eu não tenho um).

24 de janeiro de 2012

O que você anda aplaudindo?

Com nossas risadas, promovemos o comportamento destrutivo e negativo
de adolescentes, menininhas de 7 anos e até de sexagenários cruéis


(Fotografia de Kashif Mardani)

Basta observar uma criança. Bem Novinha. Novinha mesmo. Ela dá um reboladinho ao som de uma música ou simula que caiu de bumbum no chão, logo depois arranca risadas da mamãe, do papai, dos avós ou de alguma visita e... Está formada a sua plateia. Ela sabe que agradou e, com certeza, estimulada pelos adultos, repetirá o mesmo comportamento. Over and over again - como se diz em bom inglês.

Se você está lendo estas linhas que flutuam na tela do computador, certamente não é mais "uma criancinha". Contudo, quem garante que você e eu não viemos, ao longo desses anos de crescimento e de (suposta) maturidade, ecoando aquele comportamento infantil? Alguém nos elogia e... Estimulados pelo aplauso alheio, repetimos e repetimos e repetimos o mesmo comportamento. Ad infinitum - agora, em bom latim.

Pois é isso o que ultimamente vem me preocupando, internauta d'A Católica.

Muitas vezes, aplaudimos o comportamento de alguém excitados pelo calor da hora, da situação, e sem querer acabamos encorajando uma postura destrutiva diante da vida, que terá repercussões lá na frente, no futuro. É como "morrer de rir" daquele aluno mal-educado, que desrespeita o professor. Incitado pelos colegas de classe, ele fará isso de novo e de novo e de novo, porque "agradou", conseguiu chamar a atenção.

Pois recentemente soube do vídeo de um adolescente, menor de idade, que bastante embriagado, acabou fazendo bundalelê no meio de uma festa. Um grupo se reuniu para assistir ao vídeo e dá-lhe gargalhadas: todo mundo achou muito engraçado. É aí que mora o perigo. Sobretudo se se trata de um adolescente tímido, a filmagem e as risadas posteriores acabam lhe mandando uma mensagem, a qual ele pode interpretar assim: "Quando eu bebo, eu me solto, relaxo e... Agrado as pessoas. Vou fazer mais!".

Fotografia de Dani Lurie from London, United Kingdom

Já pensou? Podemos, muito sem querer, muito sem achar que "não tem nada demais", estar estimulando o alcoolismo num menino tão novo. Sério. Não estou exagerando. Há outros exemplos.

Numa noite, anos atrás, meu marido e eu aguardávamos o ônibus num ponto na Avenida Silviano Brandão, aqui na minha cidade, Belo Horizonte, quando chegaram uma mãe, suas duas filhas - uma com 5 e a outra com cerca de 7 anos de idade - e outras duas mulheres (tias das crianças?). Na época, a Rede Globo de Televisão exibia uma novela na qual uma atriz famosa interpretava uma dançarina de strip-tease.

Pois então.

2 de janeiro de 2012

Falar muito não adianta nada

Alguns pensam em não faltar mais à missa; outros, em parar
de fumar e há aquelas que querem emagrecer.
Minha meta pra 2012 é manter a boca fechada. CONSEGUIREI?


(Imagem: Cartaz de 1942 ou 1943 - Autor Desconhecido -
Fonte: U.S. National Archives and Records Administration)

Tenho 35 anos de idade e um doce orgulho...

... O de haver aprendido tantas coisas e ter outros zilhões delas a aprender. Minto. São dois doces orgulhos: o segundo é o de estar disposta a aprender. Porém, reconheço: adquirir conhecimento é fácil. Difícil é colocá-lo em prática. Por isso, neste primeiro Post de 2012, divido com você o meu mais recente aprendizado: não adianta falar.

Sempre fui faladeira. Desde bebê. E dessas crianças que, apesar de ser boa aluna, a professora se via obrigada a colocar lá na frente da classe, longe dos outros alunos, a fim de "fechar a matraca" e não atrapalhar ninguém a prestar a atenção na aula. Até hoje, pessoas próximas se queixam comigo: "Cale a boca, Ana Paula! Você fala demais!...".

Confesso: é um prazer organizar ideias, articular sons, expressar argumentos. Falar.

Todavia, neste 1º dia de janeiro de 2012, fui brindada com provas cabais de que é uma perda de ar, de saliva e de tempo tentar convencer alguém daquilo que só você experienciou. Muito pouca gente está disposta a abrir os ouvidos, inclinar o corpo em sua direção e desprender-se de suas convicções para tentar apreender (ou seja: captar) o que você diz.

Saio das conversas com pessoas "fechadas" completamente exausta e triste.

Não que eu tenha querido impor a qualquer uma delas o meu ponto de vista. Minha frustração reside em que nenhuma esteve disposta a me ouvir, a me entender. Eu digo: "O lápis sobre a mesa, de onde eu estou, me parece vermelho". Sem nem ao menos virar a cabeça para dar uma olhadela no móvel, meu interlocutor afirma: "Não. É verde".

E quando o interlocutor é uma pessoa bem mais velha?