30 de abril de 2013

Post Nº 300 do Blog: carta à Viviana Paula!

Rasgue o envelope e leia junto a Minha Melhor Amiga
a carta que lhe escrevi e envio, através do Blog A Católica.

Não se avexe: sinta-se, também, um destinatário...

Trabalho de Ana Paula (acatolica.blogspot.com) sobre imagem de Karen Arnold

Belo Horizonte, 30 de abril de 2013.

Fofinha do Meu Coração,

Cadê você? Achei que fôssemos trocar mais figurinhas durante a sua gravidez... Já sei: estar grávida e ser enfermeira coordenadora e professora de universidade não é mole, certo? Falta tempo para tudo e, sobretudo, para o principal: descansar. Esta, Deus "vai ficar me devendo": beijar a sua barrigona de grávida. Barrigona que, quando era barriguinha na largura e no comprimento, eu não cansava de beijar. Meu bebê vai ter um bebê!...

E aí? O pimpolho ou a pimpolha continua mexendo muito? Eu passava horas (eu disse horas) dos meus dias quietinha na cama, paradinha, porque li - e como eu li durante a minha gravidez!... - que desse jeito a mãe consegue perceber mais os movimentos do neném. OK. O nome correto é "feto". Mas, para mim, já era o meu Jaime Augusto. De ponta cabeça, com os pezinhos já esmagando o meu coração...

Lembra que da última vez em que conversamos eu disse que queria que "ele já estivesse na faculdade"? Hahahaha Esse sentimento passou. Coisa de mãe cansada. Você vai ver: Mamãe Gali diz que filho nos chupa até o osso e lambe os buraquinhos dos olhos e ela está correta. Vai ver que por isso o Dia das Mães é a segunda data de maior faturamento do comércio (a primeira é o Natal): todo mundo grato pelo trabalhão que as mães têm para criar uma criança.

E aí? Já pode se considerar mãe, viu? O que vai ganhar, então, de Dia das Mães do Papai Shailen? Eu pedi ao Farney um DVD sobre a vida de Santo Agostinho, porém, mudei de ideia e vou querer um livro sobre ele: Compreender Agostinho, da editora Vozes. É...

... Continuo viciada em ler! Hoje mesmo o pessoal daquela loja que adoro, Tok e Stok, veio aqui em casa instalar a nossa quarta estante! Todas cheias de livros. Quando Jaime Augusto vai pra cama, Farney e eu vamos pra mesa do "quarto de estudos". (Achou que eu ia dizer outro lugar, hein, danadinha? Hehehe) Ele devora os livros de Direito. Eu, os de Teologia. E pensar que nos conhecemos, cerca de 13 anos atrás, numa biblioteca! Hahahaha

23 de abril de 2013

Um Post sobre dinheiro... E felicidade

A atriz Marilyn Monroe disse uma vez: "Não estou interessada em dinheiro,
só quero ser maravilhosa". É uma bela meta de vida.
Porém, pessoas que conheço têm apenas uma: (muita) grana no bolso

(Imagem: Marilyn Monroe - Fotografia de 1962, por George Barris)

Me deram meia hora para escrever alguma coisa sobre qualquer coisa. Então, vamos lá. Fico imaginando como deve ser estranha a vida sem a perspectiva do Céu, do Eterno, de Deus. Se não fosse a minha fé, eu já teria desistido há muito... De muito. Falo nisso, porque nos últimos dias chegaram notícias realmente chatas até mim. Brigas, desentendimentos, separações. Não julgo. Nem digo que foi fraqueza dos outros: os Céus bem sabem como é árduo conviver e relacionar.

Se me perguntassem qual a raiz de todo o mal, eu responderia que são três: falta de fé, ter o dinheiro como meta principal e as pressões alheias. E está tudo interligado.

Anos atrás (bote anos atrás nisso), li uma frase da atriz norte-americana Marilyn Monroe que até hoje, sem querer, norteia a minha vida: "Não estou interessada em dinheiro. Só quero ser maravilhosa". Eu tinha nove anos de idade, vi essa frase estampada numa das edições da revista Manchete, da Bloch Editores, que meu avô João Câncio comprava com regularidade. Na hora, pensei: "Essa é uma boa meta de vida".

Só que a gente cresce e descobre que o dinheiro é importante, diria mesmo, essencial. E, de coadjuvante, de meio para nos permitir uma vida digna, equilibrada, maravilhosa, ele se torna algo que determina quem vai querer se relacionar conosco, quem vai "gostar" de nós, quem vai nos aplaudir, quem vai nos bajular.

Pais e mães, algumas vezes, na sua ânsia de que os filhos tenham uma vida bem longe das inseguranças financeiras, não admitem que eles façam escolhas "diferentes". Não têm a paciência necessária para permitir e esperar que floresçam numa atividade aparentemente "não-lucrativa". "Você tem que arrumar emprego!"; "Você tem que se colocar logo no mercado de trabalho!"; "Você tem que ser dono do seu nariz!".

Daí, nós temos centenas de milhares de jovens deprimidos. Eles até seguem o conselho dos pais e se tornam médicos, contadores, funcionários públicos, etc. bem-sucedidos. Porém, redondamente infelizes. Conheci uma moça da Caixa Econômica Federal, que me disse que tinha dificuldade de aprender os passos nas aulas de Dança Flamenca, porque tomava remédio "tarja preta" (lê-se: antidepressivo). Ela me confessou: "Eu odeio o meu emprego, mas não tenho coragem de deixá-lo...". Isso foi no ano de 2004.

Assisto de camarote a várias pessoas fazerem escolhas pautadas nisto: "Vou trocar de emprego, porque aquele vai me pagar mais". Pagar mais. Mais. Mais. Mais. Admiro a minha irmã, Andréa Cristina, que trocou de emprego só pra acompanhar o marido, que mudou de cidade. Esse sim é um motivo belo. Justo.

E assim me pergunto: por que só o dinheiro deve pautar as nossas escolhas? Pra quê morar longe de pais e irmãos só porque vai ganhar 2 mil ou 3 mil reais a mais? Pra quê mais? Pra quê? Pra entrar no shopping e comprar uma roupa cara? Pra exibir para os parentes nas reuniões de família as fotos da viagem que fez ao Nordeste? Pra falar que trocou de carro e agora tem um com direção hidráulica, injeção eletrônica e câmbio automático? Pra contar que o sofá custou 3 mil e 700 reais, como ouvi de uma prima?

17 de abril de 2013

Qual a origem do Vaticano?

Resposta: os Estados Pontifícios. E qual a origem deles?
As doações dos fiéis. Sério. A Católica conta essa história
e o processo que culminou nos famosos Tratados de Latrão


(Imagem: Coat of arms of the Vatican City - Public Domain)

Vue aérienne de la cité du Vatican, à Rome - Fotografia de Salvatore88

Para responder à questão que dá título a este Post do Blog A Católica, recorri às anotações que fiz para minha monografia É Estado ou não é? O Estado da Cidade do Vaticano no Direito Internacional. Anotações que começam com uma outra indagação: O que foram os Estados Pontifícios?. Calma. Nunca ouviu falar deles? Eu também não. E acabei descobrindo que eles são a origem do que hoje chamamos de Vaticano. E é por isso que toda essa história começa com esta outra pergunta:

O que foram os Estados Pontifícios?

6 de abril de 2013

Meu coração é de pedra

Fotografia de Andrea Schafthuizen

Triste constatação: meu coração é de pedra. Ninguém quer ter um coração assim. Só que... Aconteceu. Não foi fácil me dar conta disso. Percebi aos poucos, pelas coisas que pensava, pelas coisas que dizia. Se a boca fala aquilo de que o coração está cheio, então estou lascada.

Eu não era assim.

Pelas cartas e bilhetes que recebi num passado distante de amigos e colegas de classe, pareço ter sido a mais amorosa das criaturas. Aonde foi parar tanta doçura? Retrocedo e constato que tudo começou quando entrei na universidade. A dureza de tudo: do comportamento dos professores, dos colegas... Uma - até então incompreensível - competitividade começou a se instalar no meu mundo, quando tudo o que eu conhecia era uma torcida para que tudo corresse bem. Para que todos se dessem bem.

Eu acreditava que todo mundo era bom. Sério. Achava que parentes, tios, primos, etc., que todos quisessem e torcessem para que todos e cada um fossem felizes.

Aí, ano após ano, enquanto eu crescia (quem me dera que tivesse sido em "sabedoria e graça"), bem, fui vendo que não é bem assim. Que há ressentimento. Principalmente inveja. Com que gosto falamos das mazelas e tropeções alheios!... Não me canso de me surpreender com a nossa incapacidade de vibrar e comemorar as vitórias alheias! No fundo - e na superfície - preferimos que ninguém chegue lá.

3 de abril de 2013

Boca fechada e espinha ereta


Neste Post, A Católica traz uma pequena reflexão
sobre a postura que precisamos (re)aprender a ter na vida.
Em qualquer circunstância. Até dentro do ônibus...

(Imagem: Publicity photo of Virginia Myers - young dancer, by BEDownes)

Ando observando detalhes do comportamento do meu filho de um ano, Jaime Augusto. Ele mastiga de boca fechada. E, ao se assentar, fica com as costas retinhas. Desaprendemos isso. Minha irmã, Andréa Cristina, teve que fazer aulas de balé clássico para melhorar a postura (vivia "corcunda"). Quanto a mim, passei a pré-adolescência inteira ouvindo minha mãe ordenar: "Mastiga de boca fechada, Ana Paula!".

É... Esta é uma vantagem de ter a mãe em casa, com quem nos sentamos à mesa na hora das refeições: observar como nos portamos e ouvir o que dizemos. Minha irmã e eu chegávamos do colégio em torno do meio-dia e almoçávamos com Mamãe Gali, contando a ela (quase) tudo: paixonites, amigos que pisaram na bola (como dizemos aqui no Brasil) e, certamente, nossos sonhos.

Era o momento de a mamãe me corrigir. E de tentar corrigir a minha irmã: "Senta direito, Andréa!".

Lembrei isso anos atrás, quando a Rede Record exibiu a primeira temporada do reality show A Fazenda. Um dos participantes, um ator jovem e bonito, mastigava de boca aberta - o que incomodava e gerava comentários entre as outras celebridades, confinadas no mesmo local. Na hora, pensei: "É... Esse não teve a mãe presente à mesa, para lhe corrigir os maus hábitos".

Vai ver que essa é a razão de, pelo menos aqui no Brasil, tantos de nós mastigarmos de boca aberta, não dizermos "Obrigada" nem pedirmos "Com licença", nem muito menos "Me desculpe". As mães não estão mais em casa. E, quando estão, não têm disposição de educar: querem logo emperiquitar os filhos para os levar ao shopping e enchê-los de distrações, roupas caras e brinquedos idem. Deve haver exceções - eu espero.

23 de março de 2013

Fratello, hermano: o novo Papa e Francisco de Assis

Conheça a vida do italiano São Francisco de Assis
que, com a ajuda de um cardeal brasileiro,
inspirou o nome (e revela o perfil) do Pontífice argentino

Imagem: Papa Francisco - 18 March 2013 - Fotografia: Casa Rosada


Este Post do Blog A Católica é dedicado a minha irmã Andréa Cristina.

Graças ao telefonema dela, pude acompanhar ao vivo,
pela TV Canção Nova, a primeira aparição do Papa Francisco.
(O que me custou chegar bastante atrasada ao médico...)


Li uma vez que a mãe da cantora Simony adorava o nome Simone. Mas, como já havia uma cantora de sucesso aqui no Brasil com esse nome, decidiu trocar o E pelo Y, pois tinha a certeza, em seu coração, de que sua filha também seria famosa. Assim, optou por Simony, com Y. E não é que a filhota brilhou mesmo nos palcos e programas de TV brasileiros nos anos 1980? Coração de mãe não erra - é o que dizem.

Quando foi a minha vez de escolher um nome para o meu rebento, católica que sou, já determinei para mim mesma que ele teria nome de santo ou um nome bíblico. Porém, eu também queria homenagear algum parente querido, que se foi. Pesquisando, descobri que o nome do meu primeiro avô materno - isto mesmo: primeiro, porque tive dois -, bem, descobri que o nome do Vovô Jaime era JACÓ em espanhol.

Jacó, como sabemos, é um personagem bíblico: neto de Abraão e filho de Isaac.

Conforme o Guia Visual da História da Bíblia (National Geographic, 2008): "Com a ajuda da mãe [Rebeca], Jacó conseguiu ser abençoado pelo pai, Isaac, no lugar do seu irmão, Esaú. A bênção lhe prometia prosperidade e bem-estar, assim como dominação sobre o irmão. Qualquer pessoa que Jacó abençoasse receberia a bênção, e qualquer um que ele amaldiçoasse ficaria amaldiçoado".

Também homenageei outro avô, o paterno: Raul Augusto - que tem uma categoria dedicada a ele aqui no Blog A Católica. O nome do meu menino, então, ficou assim: Jaime Augusto.

Jaime (Jacó, em espanhol) significa "aquele que vem no calcanhar"; "o que suplanta"; "vencedor". Quanto ao segundo nome, Augusto, é uma variação do latim Augustus e significa "dignidade majestática; sagrado, sublime". No nome escolhido está impressa a expectativa de que meu filho seja um vencedor sublime de si mesmo. Que ele se suplante e conquiste o Céu.

Papas também têm que escolher o nome por que deverão ser chamados - basta conferir a pergunta de número 11 do Post d'A Católica Habemus papam! Ops. O que é um Papa?. O primeiro deles, São Pedro, chamava-se Simão.

Szene: Der Hl. Petrus empfängt die Schlüssel - Early 11th century -
Meister des Perikopenbuches Heinrichs II -
Fonte: The Yorck Project 10.000 Meisterwerke der Malerei, 2002

De acordo com Padre Léo, em uma de sua maravilhosas pregações, o nome Simão evocava algo "movediço", "instável". Cristo o trocou por Cefas, que é pedra em grego: "Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: 'Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas' (que quer dizer pedra)" (Jo 1, 42). Pedras são firmes. Estáveis. Dessa forma, Simão, o "inconstante", iria se tornar Pedro, o "inabalável".

Nosso novo Papa, eleito em 13 de março de 2013 e conhecido como Jorge Mario, também mudou de nome: agora é simplesmente Francisco ou Franciscum (na forma latinizada). Por que Francisco?

6 de março de 2013

Valentim: o santo sem vergonha

Em vários países, o Dia dos Namorados se chama Valentine's Day
(ou Dia de São Valentim). De fato, o testemunho desse santo
é uma prova iluminada do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo


(Imagem: Valentine's Day - Prang's Valentine cards. Advertisement for
Prang's greeting cards, showing a woman holding a group of tethered cherubs,
who float like a bunch of balloons above her - 1883 - Boston L. Prang & Co.)


Este Post do Blog A Católica foi escrito por sugestão
do internauta Fabricio Biela Vassoler,
coordenador da equipe de liturgia em sua paróquia


Hoje em dia está dureza reconhecer um católico. Um cristão. Há muito tempo não vejo um católico fazer o Sinal da Cruz ao passar diante de uma igreja. Seja quando estou a pé, caminhando pelo centro de Belo Horizonte (onde nasci e vivo), seja quando viajo de ônibus. O coletivo passa na Avenida Afonso Pena, em frente à Igreja São José, e dificilmente alguém se arrisca a exibir sua devoção às dezenas de passageiros.

Nos shoppings centers é a mesma coisa. Nas "Praças de Alimentação", diante da bandeja com hambúrgueres, massas ou comida japonesa, pessoa alguma faz o Sinal da Cruz para abençoar a refeição.

Eu era assim, envergonhada em mostrar a minha fé.

Levava a ferro e fogo (como dizemos aqui no Brasil) aquela passagem da Bíblia na qual Jesus Cristo diz que o melhor é orar dentro do quarto, com a porta fechada, "em segredo", sem que ninguém nos veja (Mt 6, 5-6). Contudo, reconhecer que uma igreja é a Casa de Deus, que lá está o Corpo de Cristo, e abençoar a comida antes de degustá-la não é exibicionismo barato nem hipocrisia - aquilo que Nosso Senhor condenava nos fariseus (ver página ABCatólica) -, e sim demonstração de fé.

Pois o dia em que ouvi Padre Léo contar em uma de suas maravilhosas pregações que os muçulmanos, não importam onde estejam, deu determinado horário, se ajoelham voltados para Meca, a fim de orar, fiquei chocada. Quero dizer: admirada. Padre Léo disse que testemunhou alguns muçulmanos tomarem essa atitude ali, no saguão de um aeroporto, na frente de um monte de gente. Eles se ajoelham. Nós temos vergonha do Sinal da Cruz.

Para mim, a ausência desse gesto simples com a mão direita e das palavras Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo - gesto simples e carregado de bênçãos - sinaliza uma fé fria, prestes a se apagar, como a chama trêmula de uma vela derretida, no fim. E foi justamente o contrário disso, a robustez da fé, a falta de pudor em testemunhar a filiação à Igreja, a Nosso Senhor Jesus Cristo, o que me tocou ao conhecer a vida de São Valentim. Ou melhor: a vida de dois São Valentim.

Isto mesmo: há dois São Valentim na Igreja Católica. E ambos são celebrados no mesmo dia: para alguns autores, dia 13 de fevereiro; para outros, no dia 14. Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini, no livro Um Santo para Cada Dia (Paulus, 1996), afirmam:

De nome Valentim são dois os santos canonizados. Ambos viveram no século III. Uma simpática tradição dos países saxônicos diz que a festa de são Valentim assinalava a época dos pássaros fazerem ninhos, o despertar da natureza e do amor. São Valentim tornou-se por isso o patrono dos noivos. Qual dos Valentim? O sacerdote romano que foi martirizado em 268 ou o bispo de Terni [Itália], que foi também martirizado cinco anos depois?

1 de março de 2013

Habemus papam! Ops. O que é um Papa?

A Católica pesquisou e compilou quase tudo
o que você sempre quis saber sobre um Papa.
São 20 dúvidas resolvidas. Tire-as AQUI

Imagem: Papa Paulo VI (1963-1978) - 1963 - Vatican City (picture oficial of pope)


1) O que é um Papa?

Vamos começar pela semântica da palavra “Papa”.

Conforme o professor Richard P. McBrien, em Os Papas - Os Pontífices de São Pedro a João Paulo II (Edições Loyola, 2004), “papa” significa “pai” em italiano. Ele revela que o termo se aplicava, “nos primeiros séculos da história da Igreja, a todos os bispos do Ocidente” e, no Oriente, aos padres e ao patriarca de Alexandria - patriarca, segundo o autor, é “o título do mais alto bispo de igreja autônoma ou de federação de igrejas locais (conhecidas como dioceses ou eparquias)”.

Contudo, em 1073, o papa Gregório VII (1073-1085) determinou formalmente que o uso do título de “papa” ficava proibido para todos, a não ser ao bispo de Roma. Ainda de acordo o professor Richard P. McBrien, além de bispo de Roma, o Papa

Tem vários outros títulos: vigário de Jesus Cristo, sucessor do chefe dos apóstolos (vigário de Pedro), supremo pontífice da Igreja universal, patriarca do Ocidente, primaz da Itália, arcebispo metropolitano da província romana, soberano da cidade-estado do Vaticano e servo dos servos de Deus.

O padre jesuíta Thomas J. Reese, no livro O Vaticano por dentro - A Política e a Organização da Igreja Católica (Edusc, 1999), enumera os seus papéis: “Ele é o bispo de Roma, o governante soberano do Estado da Cidade do Vaticano, e o sucessor de São Pedro como chefe do colégio dos bispos.” E destrinça cada um deles:

Como bispo de Roma, é diretamente responsável pelas necessidades espirituais dos 2,6 milhões de católicos da diocese de Roma, assim como todos os bispos de todo o mundo são responsáveis pelas necessidades espirituais dos fiéis de sua Igreja local.

Como monarca da Cidade do Vaticano, um Estado independente [...], o papa é chefe de Estado civil como qualquer outro monarca de um Estado pequeno reconhecido no direito internacional.

Como chefe do Colégio dos Bispos, que inclui todos os bispos do mundo, o papa lidera e dirige a Igreja Católica, sobre a qual ele e o Colégio têm a suprema autoridade.

Fotomontagem feita na Europa, em 1889, com os maiores governantes do mundo.
Nota: Dom Pedro II, então imperador do Brasil, é o 8º da esquerda pra direita.
Papa Leão XIII (1878-1903) aparece bem à direita - Autor Desconhecido

(CLICK na imagem para vê-la ampliada)

Pope Leo XIII (circa 1898),
Historical Publishing Co., Pittsburg, PA

O sacerdote pontua: “O Estado da Cidade do Vaticano é um Estado soberano reconhecido no direito internacional. Quando um homem é eleito bispo de Roma e papa, também automaticamente torna-se dirigente da Cidade do Vaticano”. Ele continua: “Como governante da Cidade do Vaticano, o papa é o último monarca absoluto da Europa, com autoridade legislativa, judicial e executiva suprema”.

Jose Puente Egido, na obra Personalidad Internacional de la Ciudad del Vaticano (Instituto Francisco de Vitória, 1965), qualifica a função do Papa de maneira semelhante: “Conforme o tratado [de Latrão], a legislação interna vaticana conferiu ao Estado da Cidade do Vaticano um regime que se identifica notavelmente com o de uma monarquia absoluta”.

O jornalista J. D. Vital, em Quem calçará as sandálias do pescador? (Ed.Autor, 2003), cita a nova Lei Fundamental da Cidade do Vaticano, de 26 de novembro de 2000, e informa que o Papa é aquele que:

Será “Soberano” com “a plenitude dos poderes legislativo, executivo e judiciário”. O único, de acordo com o artigo 19 da Lei que substitui o documento baixado em 1929 por Pio XI [1922-1939], com “a faculdade de conceder anistia, indulgência, perdão e graça”.

O também jornalista Nino Lo Bello, autor de O incrível livro do Vaticano e curiosidades papais (Editora Santuário, 2003), pondera: o Papa “não é apenas o chefe executivo do país, mas também o legislativo e o judiciário; entretanto, não é nenhum ditador nem déspota”.

21 de fevereiro de 2013

Vídeo divertido: como se tornar um Papa...

Querido internauta d'A Católica:

Acabei de assistir, através do Blog The Crescat, a um divertidíssimo vídeo sobre o bê-á-bá ou o passo-a-passo para alguém (um homem) se tornar Papa.

Mesmo que esteja em inglês, acredite: dá pra gente entender tudo direitinho. Um resumo interessante e (muito) bem-humorado. Divirta-se e... Aprenda.

Saúde e Paz!!





Meu padrinho, Antônio

Tenho a sorte e a bênção de ter um padrinho (com nome de santo)
vivendo na África do Sul há mais de 12 anos, mas presente a minha vida toda.

Mesmo com todo um oceano Atlântico entre nós...

Imagem: Antônio em São Paulo - 2011 - Ana Paula~A Católica (acatolica.blogspot.com)

Minha lembrança mais remota é um Fusca verde-escuro. Foi um dos primeiros carros do meu padrinho, Antônio - o Toninho, ou melhor, o Padinho. Tenho uma recordação vaga de um piquenique no alto de um morro, gramado e rodeado de árvores, e o Fusca lá embaixo, estacionado. Era tão vidrada no automóvel dos meus padrinhos, Suzana e Antônio, que quando ia ao Parque Municipal com os meus pais, brincar em uma espécie de carrocel de veículos, sempre escolhia a réplica de um Fusca verde-escuro para me assentar.

Outra lembrança é a piscina para crianças do clube Cruzeiro.

Ao contrário dos outros pais, que preferiam olhar os filhos à distância, sob a sombra e com a cerveja gelada numa das mãos, o Padinho estava lá, sob o sol, dentro da piscina maxi-rasa, com uma boia em forma de peixe nas mãos, correndo, ou melhor: nadando, atrás do filho Flávio Augusto, da minha irmã Andréa Cristina e de mim, gritando: "Eu sou o jacaré! Lá vem o jacaré!". Lembro também o olhar meio perplexo, meio admirado das outras crianças, como se quisessem ter um pai como aquele.

Mais uma lembrança: meu padrinho, minutos infindáveis na fila de uma montanha-russa, enquanto Flávio Augusto, a filha caçula, Viviana Paula, Andréa Cristina e eu nos divertíamos em outros brinquedos. Ele ficava em pé, na fila, apenas para guardar lugar para todos nós, já que a tal montanha era concorridíssima.

Lembro também as mesas impecáveis de café-da-manhã que ele montava todos os sábados na casa dele. Meu padrinho achava "um crime" cortar o pão com a faca da manteiga e usar a faca de cortar o pão para passar a manteiga. Tudo tinha a sua função, o seu lugar. E o café-da-manhã ficava mais saboroso, tamanho o zelo da apresentação. O presunto parecia de outro mundo!...

Uma de suas lições: não se pode ficar à mesa com os braços abertos. Então, "obrigava" Flávio Augusto, Andréa Cristina e eu a colocar - e segurar - sob ambos os braços jornais dobrados, a fim de mantermos a postura. (Flávio Augusto detestava isso e chorava. Assim como chorou na vez em que meu padrinho não o deixou almoçar sem camisa e com o boné. Obrigou-o a pôr uma e tirar o outro.)

15 de fevereiro de 2013

Afinal: quem pode escolher o novo Papa?


Quer saber quem está apto a eleger aquele que ocupará o lugar de Bento XVI?
Entenda neste Post como funciona a eleição mais singular do mundo

Imagem: Pope Innocent III (1198-1216) wearing a Y-shaped pallium


– “Quem será o próximo Papa?” Esta pergunta também é para nós...

– Existem outras maiores, mais urgentes! Que diferença faz
quem governa os 2,6 km² no centro de Roma?

– Quem quer que seja ele, será a voz de Deus para um quarto do mundo...

Diálogo do filme: As Sandálias do Pescador - The Shoes of the Fisherman (EUA, 1968)


A conversa acima foi a epígrafe da monografia que escrevi anos atrás, cujo título era mais ou menos assim: É Estado ou não é? O Estado da Cidade do Vaticano no Direito Internacional.

Em As Sandálias do Pescador, a personagem de Anthony Quinn é eleita Sumo Pontífice por aclamação. Nesse tipo de escolha, conforme a descrição do professor Richard P. McBrien, no livro Os Papas - Os Pontífices de São Pedro a João Paulo II (Edições Loyola, 2004), "um ou mais cardeais levantam-se e proclamam um candidato, seguido de outros, até haver um consenso geral para eleger aquele candidato sem votação formal". Pio IV foi eleito dessa forma em 1559, assim como Gregório XV, em 1621.

Papa Gregório XV (1621-1623) - Século 17 - Guido Reni

Nos dias que correm, a eleição por aclamação - retratada de modo emocionante no filme com Anthony Quinn - não é mais possível: ainda segundo Richard P. McBrien, em 1996, o Papa João Paulo II promulgou normas e procedimentos para as votações papais na constituição apostólica Universi Dominici gregis. Ficou estabelecido, então, que "a única forma de eleição é por escrutínio secreto, do qual todos os eleitores participam".

É justamente esta a questão que dá título ao Post d'A Católica: quem são "todos os eleitores"? Quem está apto a eleger um novo Papa? Para responder e expor tintim pot tintim (como dizemos aqui no Brasil) todo o desenrolar do processo que culmina na famosa fumacinha branca saindo de uma chaminé no Vaticano, divido com você, internauta, o resultado da pesquisa que fiz para a monografia que mencionei linhas acima. Acompanhe.

11 de fevereiro de 2013

O Papa não quer mais ser Papa

Para choque, confusão e comiseração minha,
Joseph Ratzinger se sobressaiu a Bento XVI.
A propósito: quantos Papas renunciaram antes dele?

(Imagem: Pope Benedict XVI in a crowd in Saint Peter's square, By dgodin)

O ano mal começou e a maior notícia do ano já aconteceu: o bispo de Roma renunciará no próximo dia 28. Minha irmã, Andréa Cristina, me telefonou cedo de São Paulo: "Põe na Globo News, que o Papa não vai ser mais Papa". Desliguei na sua cara. E fiquei. Fiquei. Fiquei assentada no sofá branco da sala repetindo quieta, porém desnorteada: "Puxaram o meu tapete... Puxaram o meu tapete...". Não há tapete na sala. É apenas uma expressão que usamos aqui no Brasil quando algo completamente inesperado ocorreu.

Semanas atrás, terminei de ler duas biografias: Bento XVI - O Guardião da Fé e Itinerário Teológico de Bento XVI. Falei delas no Post anterior do Blog A Católica: Os santos, Bento XVI e o amor à Igreja. Senti-me mais próxima do Papa ao me familiarizar com sua trajetória, suas lutas, suas ideias, seu comprometimento com a Verdade. Por isso, não paro de me perguntar: "Por quê?". Por que ele não quer mais ficar à frente do barco da Igreja como João Paulo II, que vimos se apagar sem abandoná-lo?

La Vague Verte (after 1865), Claude Monet

Não julgo. Mesmo porque é coisa rara de se ver alguém assumir a própria pequenez. Ele não consegue mais manter as mãos no timão. Admitiu a fraqueza. Não quer que o barco se desoriente, se perca, se choque nas pedras. Então se retira e cabe à parte da tripulação - aos cardeais - reunirem-se e escolherem outra pessoa apta, sobretudo fisicamente. (Vi um especialista dizer na TV que não é fácil ser Sumo Pontífice nos dias que correm, devido ao volume de compromissos e à atividade intensa.)