![]() |
| Um trauma "bobo" da minha infância me marcou. Imagine com o quê têm que lidar os adultos que sofreram abusos sexuais de pessoas da sua confiança, quando eram crianças (Fotografia de Jiri Hodan) |
Como de costume nos reunimos na metade da mesa da sala de jantar para almoçar: mamãe, Andréa Cristina e eu. Éramos adolescentes e havíamos acabado de chegar do colégio. Conversa vem, conversa vai, do nada, do nada mesmo, veio a minha lembrança um fato longínquo, de quando eu tinha cerca de 3 anos de idade. Após contá-lo, tintim por tintim, mamãe o confirmou - tamanha a vividez da minha recordação.
Meus pais e alguns conhecidos tinham ido acampar para pescar no interior das Minas Gerais (estado onde nasci e vivo aqui no Brasil).
À noite, nós, crianças, deveríamos ficar dormindo em uma das barracas que montaram sobre a grama, no meio do mato. A certa altura, mamãe, que estava me fazendo dormir dando "tapinhas" nas minhas costas e cantando uma canção de ninar, teve que sair da barraca e pediu a uma conhecida, que também fazia a filha dormir, pra continuar a me embalar: "Pode deixar, Magali, eu canto pra Ana Paula...", a tal mulher falou.
Pois bem.
Eu me lembro vividamente, caro internauta d'A Católica, como se tivesse sido ontem, que essa conhecida deu "tapinhas" em mim até a minha mãe atravessar a barraca. Assim que a viu sair, a tal conhecida simplesmente me ignorou. Parou de me embalar, de tocar carinhosamente nas minhas costas e de cantar para mim, voltando-se apenas para a própria filha, que era da minha idade. Até hoje me recordo do choque que senti: ela tinha acabado de garantir a minha mãe que "me daria carinho", mas me deixou só.
Foi a 1ª vez na minha vida em que experimentei o desprezo. E essa lembrança voltou do nada, de repente, em plena adolescência, no meio de um almoço casual com minha mãe e minha única irmã, depois de uma manhã de aulas no colégio.
Essa recordação dolorosa, que me causou perplexidade ante o comportamento de uma mulher que já era mãe (e uma mãe católica apostólica romana) não é NADA, porém, perto do que vi recentemente no Post de um Blog que visito com frequência: o Hypeness.
O blogueiro Vicente Carvalho escreveu a respeito do documentário os Monstros da minha Casa (los Monstruos de mi Casa). Segundo ele, trata-se de um vídeo que "mostra a realidade de crianças vítimas de abuso físico e emocional, na Espanha". A protagonista é a super-mãe Carmen Artero, que "acolhe essas crianças que estão com o emocional absolutamente abalado e com muito medo de voltar para seu próprio lar". O intento dela é abrir uma fundação para que todos tenham direito a uma infância feliz.
Em algumas passagens do documentário, que dura não mais do que 60 minutos, aparecem desenhos de meninos e meninas entre os 5 e os 15 anos de idade, que foram interpretados por especialistas. Neles, eles expressam a violência sexual e outras negligências que ocorriam dentro de suas casas. Conforme outro blogueiro, Lucas Mombaque, as ilustrações estiveram em exposição na Espanha em outubro de 2010.
Neste Post do Blog A Católica, você confere 5 desses desenhos, com as interpretações que recolhi dos Posts de Vicente Carvalho e de Lucas Mombaque.













,+Rembrandt.jpg)





,+Haut-Rhin+Alsace.jpg)

