18 de abril de 2012

A Sessão da Tarde e o aborto de anencéfalos

Um filme exibido na Rede Globo tem muito a ver
com as mulheres que optam por abortar
um feto sem partes do cérebro


(Imagem de Raoli)


Sou do tempo em que a Sessão da Tarde da Rede Globo de Televisão passava filmes decentes. Digo: dignos de serem vistos. Pela minha mente perfilam-se os longas do maravilhoso comediante Jerry Lewis; dos Três Patetas; aqueles dos anos 1970 sobre acampamentos juvenis e relação pais e filhos; aqueles dos anos 1980 sobre cursos de verão e temáticas mais dramáticas como Só Resta uma Esperança (título que ganhou no Brasil), com o então jovem e gatíssimo Mark Harmon.

Pois um desses filmes de drama, do tempo em que a Rede Globo não tinha medo de pôr qualidade no conteúdo que nos oferecia à tarde, me veio hoje assim... Meio do nada. (Será?)

Não me lembro do título, nem dos atores. Só guardei o roteiro e - talvez - o nome da personagem principal: Izobel. Tratava-se da história de uma mulher de cerca de 40 anos de idade, divorciada, que reencontra o amor num homem cerca de dez anos mais moço. No final do filme - cena que mais me marcou -, o rapaz pichava no muro que dava para um túnel: "Izobel, eu te amo". Em letras pretas e garrafais.

O longa não discorria sobre uma história de amor água com açúcar (como dizemos aqui no Brasil). O cerne do roteiro abordava um drama (eu falei de "temática dramática", lembra?).

Izobel era uma mulher bonita, interessante, culta... Porém, não acreditava em si. Padecia - embora de jeito algum aparentasse isto - de falta de autoestima. Costumava pintar quadros, mas os anos de casada levaram-na, pouco a pouco, a abandonar a vocação. Há um momento no filme - e disto me recordo bem - em que ela resolve mostrar suas obras antigas para o novo namorado. Ele se surpreende, se entusiasma e a elogia: "Izobel, você é boa! Você é muito boa! Você é ótima! Você tem que voltar a pintar! Você tem que retomar!".

Izobel apela, xinga o namorado, diz que ele está "mentindo". Eles brigam. Até se separam.

Procurando entender a reação irada da amada, o jovem acaba descobrindo que seu ex-marido, na época em que ainda era casada, acabou com toda a confiança que ela tinha no próprio talento. Também se não me falha a memória, há uma cena na qual Izobel, em prantos, diz: "Eu sou ruim. Eu sou ruim. Ele [seu ex-marido] tinha razão. Eu não pinto bem...".

10 de abril de 2012

Memórias tão sentimentais de amigos

O problema da amizade, mesmo que uns não queiram, é que mais dia menos dia
deixamos de estar com os amigos, levados pelas ondas de interesses diversos...


Imagem: Icon of friendship - Christ and Saint Mina - 6th century


parece que foi ontem. aquele dia nublado na praia, aquela menina de 8 anos de idade pulando ondas do mar comigo - eu tinha 20. era a primeira vez em que nos víamos e ela foi direto ao ponto: "quer ser a minha amiga?". aquele pedido curto, sincero e seco me pegou de surpresa. já vi pedirem os outros em namoro, mas "para ser amiga"? estranho. meio sem pensar, respondi: "sim, claro". nunca mais nos vimos.

o pedido de amizade foi sincero, escrevi. só que, ao contrário de um namoro, a amizade não começa assim. ela começa espontaneamente, sem a gente perceber e, em alguns casos, quando nos assustamos, nos tornamos "o grande amigo" de alguém.

passei em revista os grandes amigos que tive ao longo da minha vida e até agora. lembrei que, no começo, fazia questão de guardar seus nomes e sobrenomes.

como o da Adriana S. de T. ela foi minha cúmplice durante um dia de chuva no colégio onde estudávamos. estivemos ilhadas entre um bloco e outro, muita água e ventania, e ficamos sem saber se permanecíamos ali, paradas, ou se nos atrevíamos a nos molhar para retornar à sala de aula. de tudo o que envolveu a nossa amizade, foi isto o que ficou como recordação: duas meninas de cerca de 9 anos de idade numa tormenta.

depois vieram a Lucimar e a Giordânia. era 1986.

passávamos o recreio juntas, em trio - às vezes a Janaína se juntava a nós. foi a Lucimar quem me ensinou que não se escreve uma carta batida à máquina, que é falta de educação. "minha mãe me falou que cartas devem ser de próprio punho", frisou. é que a Janaína havia lhe dado uma datilografada, com versos de uma canção da Rita Lee: "Porque essa vida é muito louca/ E loucura pouca é bobagem".

engraçado: não existem mais cartas - a não ser as de cobrança - e os e-mails são digitalizados. (o que a mãe da Lucimar diria disso?)

nesse ínterim, tive uma vizinha-amiga chamada Cristina V. L. nas férias, os primos dela - Rodrigo e Luciano - vinham visitá-la. Com o Rodrigo, mais velho do que nós, aprendi um gesto de gentileza. num dia estive com febre e não desci para brincar com o pessoal do prédio. ele tocou a campainha, minha mãe atendeu, só para saber como eu estava. achei isso tão grande e tão singelo. me fez sentir "importante". nunca mais esqueci.

veio a Raquel. esquisito. não me lembro do seu sobrenome.

1 de abril de 2012

Procissão do Domingo de Ramos

Um poema sobre a participação de uma brasileira comum
no dia que marca o início da Semana Santa


Imagem: The Palm Leaf, William-Adolphe Bouguereau (1825-1905)

deixou as vasilhas sujas dentro da caçamba inox da pia.
tomou um leite com Nescau.
estava pronta.
blusa branca, calça, sapato confortável.

desceu correndo os lances da escada -
quantos seriam mesmo?
não sabe. nunca contou.
voou sobre eles -
quase escorregou e caiu
estatelada.

bateu as duas portarias.

saiu a passos curtos, mas rápidos,
desembestada pelas ruas do bairro:
era preciso chegar correndo à igreja.

a procissão do Domingo de Ramos
sairia pontualmente às 8h da manhã.
era importante estar lá desde o começo,
vivendo a expectativa da partida,
participando de cada passo, de cada esquina
percorrida.

ops.

esqueceu o ramo verde.
a pressa tem dessas coisas.
ficou decepcionada consigo mesma:
havia escolhido a folha a dedo. no Mercado Central.

16 de março de 2012

Afinal: o que os sonhos querem dizer?

A liturgia de hoje me mostra que não ouço a voz do Senhor -
por não seguir Seus mandamentos, tenho sonhos recorrentes de "reprovação"

Imagem: Frau im Bett (schlafend) – Schlafendes Mädchen I (1922), Walter Grammatté

você tem sonhos repetidos? que tornam a aparecer? eu tenho. ondas do mar, grandes, imensas ondas, frequentemente povoam minhas madrugadas. outro sonho é que estou em uma sala de aula, repleta de gente (ou melhor: de colegas), e é dia de prova ou da entrega de algum trabalho, porém não estou preparada. não estudei, não fiz a tarefa e certamente "ficarei para trás", serei "reprovada". daí, eu acordo.

sei que sonhos não são literais, e sim, metáforas.

por isso, costumava folhear livros com seus "significados". era um barato. o chato é que não demorou - leitora voraz que sou - para eu descobrir que as interpretações dos sonhos não são generalistas: devem ser individuais. as ondas do mar colossais têm um sentido para mim, para a minha vida, e têm um sentido diverso para outra pessoa - levando-se em conta as particularidades de sua vida, de seus traumas.

mas, mais do que as ondas que varrem o meu sono, os sonhos com salas de aula são os que mais me intrigam. vira e mexe, acordo de manhã me perguntando: "o que será que estou 'devendo'?"; "que tarefa deixei de cumprir?"; "para que 'prova' eu não me preparei?". e vou passando em revista todos os aspectos da minha vida: como filha, como irmã, como afilhada, como neta, como esposa e (agora) como mãe.

9 de março de 2012

Virei... MÃE!

... E mesmo que não tivesse me tornado uma,
aceitaria dócil a Vontade de Deus.
Todos temos dons intransferíveis para fazer frutificar


(Fotografia: Arquivo de Família)

finalmente, entrei para a categoria das MÃES. e vou lhe contar uma coisa, internauta d'A Católica: está sendo uma experiência bastante diferente. "diferente", não pra melhor nem pra pior. apenas... diferente. bem distante do que eu supunha. muito mais árduo, exigente, intenso. só não posso descrever (embora, confesso, adoraria fazê-lo), porque está tudo tão recente, que seria uma opinião precoce, afoita, descabida. deixaria aquele gosto de banana verde na minha e na sua boca e nenhum de nós sairia contente.

acompanho nas noites de sexta-feira, pelo canal de TV a cabo Discovery Home and Health, dois programas sobre salas de parto. o que eu experienciei não teve absolutamente nada, nada, nada a ver com o que aquelas mães norte-americanas passam. (a não ser, admito, pela peridural.) todo aquele sofrimento, aqueles gemidos, aquelas horas que custam a passar. os gritos lancinantes. não tive. minha dor veio depois.

com o passar dos dias e das semanas, fui me dando conta de que enquanto eu e meu filho - sim: é um rapazinho - vivermos, ele será responsabilidade minha. minha e do meu marido. contudo, "mais" minha. porque entendi bem rápido que o papel da mãe neste conto-de-fadas, nesta história encantadora e sonhada por muitos casais chamada Maternidade e Paternidade, o encargo da mãe é, de longe e incontestavelmente, maior, pesado. e intransferível.

daí, internauta d'A Católica, me veio um sentimento de solidão inexplicável, que nunca, nunca experimentei.

nem naquela vez, nos idos de 1997, quando peguei o ônibus errado e desci a vários (bote vários nisso) quarteirões da minha casa. no relógio, 23h e saí andando morrendo de medo, naquela quase escuridão (quase, porque havia as luzes dos postes). não tinha viv'alma nas ruas. ninguém. only myself. eu andando o mais depressa que podia, subindo e descendo dos meio-fios, dobrando esquinas e fazendo curvas, a fim de não cruzar com nenhum bandido tão sozinho quanto eu. fugindo da ausência. do silêncio. do imponderável.

24 de janeiro de 2012

O que você anda aplaudindo?

Com nossas risadas, promovemos o comportamento destrutivo e negativo
de adolescentes, menininhas de 7 anos e até de sexagenários cruéis


(Fotografia de Kashif Mardani)

Basta observar uma criança. Bem Novinha. Novinha mesmo. Ela dá um reboladinho ao som de uma música ou simula que caiu de bumbum no chão, logo depois arranca risadas da mamãe, do papai, dos avós ou de alguma visita e... Está formada a sua plateia. Ela sabe que agradou e, com certeza, estimulada pelos adultos, repetirá o mesmo comportamento. Over and over again - como se diz em bom inglês.

Se você está lendo estas linhas que flutuam na tela do computador, certamente não é mais "uma criancinha". Contudo, quem garante que você e eu não viemos, ao longo desses anos de crescimento e de (suposta) maturidade, ecoando aquele comportamento infantil? Alguém nos elogia e... Estimulados pelo aplauso alheio, repetimos e repetimos e repetimos o mesmo comportamento. Ad infinitum - agora, em bom latim.

Pois é isso o que ultimamente vem me preocupando, internauta d'A Católica.

Muitas vezes, aplaudimos o comportamento de alguém excitados pelo calor da hora, da situação, e sem querer acabamos encorajando uma postura destrutiva diante da vida, que terá repercussões lá na frente, no futuro. É como "morrer de rir" daquele aluno mal-educado, que desrespeita o professor. Incitado pelos colegas de classe, ele fará isso de novo e de novo e de novo, porque "agradou", conseguiu chamar a atenção.

Pois recentemente soube do vídeo de um adolescente, menor de idade, que bastante embriagado, acabou fazendo bundalelê no meio de uma festa. Um grupo se reuniu para assistir ao vídeo e dá-lhe gargalhadas: todo mundo achou muito engraçado. É aí que mora o perigo. Sobretudo se se trata de um adolescente tímido, a filmagem e as risadas posteriores acabam lhe mandando uma mensagem, a qual ele pode interpretar assim: "Quando eu bebo, eu me solto, relaxo e... Agrado as pessoas. Vou fazer mais!".

Fotografia de Dani Lurie from London, United Kingdom

Já pensou? Podemos, muito sem querer, muito sem achar que "não tem nada demais", estar estimulando o alcoolismo num menino tão novo. Sério. Não estou exagerando. Há outros exemplos.

Numa noite, anos atrás, meu marido e eu aguardávamos o ônibus num ponto na Avenida Silviano Brandão, aqui na minha cidade, Belo Horizonte, quando chegaram uma mãe, suas duas filhas - uma com 5 e a outra com cerca de 7 anos de idade - e outras duas mulheres (tias das crianças?). Na época, a Rede Globo de Televisão exibia uma novela na qual uma atriz famosa interpretava uma dançarina de strip-tease.

Pois então.

2 de janeiro de 2012

Falar muito não adianta nada

Alguns pensam em não faltar mais à missa; outros, em parar
de fumar e há aquelas que querem emagrecer.
Minha meta pra 2012 é manter a boca fechada. CONSEGUIREI?


(Imagem: Cartaz de 1942 ou 1943 - Autor Desconhecido -
Fonte: U.S. National Archives and Records Administration)

Tenho 35 anos de idade e um doce orgulho...

... O de haver aprendido tantas coisas e ter outros zilhões delas a aprender. Minto. São dois doces orgulhos: o segundo é o de estar disposta a aprender. Porém, reconheço: adquirir conhecimento é fácil. Difícil é colocá-lo em prática. Por isso, neste primeiro Post de 2012, divido com você o meu mais recente aprendizado: não adianta falar.

Sempre fui faladeira. Desde bebê. E dessas crianças que, apesar de ser boa aluna, a professora se via obrigada a colocar lá na frente da classe, longe dos outros alunos, a fim de "fechar a matraca" e não atrapalhar ninguém a prestar a atenção na aula. Até hoje, pessoas próximas se queixam comigo: "Cale a boca, Ana Paula! Você fala demais!...".

Confesso: é um prazer organizar ideias, articular sons, expressar argumentos. Falar.

Todavia, neste 1º dia de janeiro de 2012, fui brindada com provas cabais de que é uma perda de ar, de saliva e de tempo tentar convencer alguém daquilo que só você experienciou. Muito pouca gente está disposta a abrir os ouvidos, inclinar o corpo em sua direção e desprender-se de suas convicções para tentar apreender (ou seja: captar) o que você diz.

Saio das conversas com pessoas "fechadas" completamente exausta e triste.

Não que eu tenha querido impor a qualquer uma delas o meu ponto de vista. Minha frustração reside em que nenhuma esteve disposta a me ouvir, a me entender. Eu digo: "O lápis sobre a mesa, de onde eu estou, me parece vermelho". Sem nem ao menos virar a cabeça para dar uma olhadela no móvel, meu interlocutor afirma: "Não. É verde".

E quando o interlocutor é uma pessoa bem mais velha?

22 de dezembro de 2011

Esperar: um verbo cheio de atitude

Ao contrário do que muitos imaginam,
o verbo esperar não tem nada de "passivo":
implica movimento e mudança (não é isso o que queremos?)


Imagem: Warten auf den Liebsten (1923), Carl Mücke

Em Samba da Bênção, o Poetinha Vinícius de Moraes afirma que "A Vida é arte do encontro/ Embora haja tanto desencontro pela vida/ Há sempre uma mulher a sua espera/ Com os olhos cheios de carinho/ E as mãos cheias de perdão...". Eu penso que a Vida é arte da espera. Você lasca a forma no forno e espera a massa crescer, o bolo ficar pronto. Você investe em seus estudos e espera pelas oportunidades. Você fala e fala e fala com alguém e espera as suas palavras frutificarem. E por aí vai...

Há quatro significados do verbo esperar que me tocam: 1) Ter esperança; 2) Contar com; 3) Aguardar e 4) Armar emboscada a. Todos eles me mostram que um ditado popular aqui no Brasil faz todo o sentido: Quem espera sempre alcança. Por quê? Porque esperar, ao contrário do que o verbo nos levaria a supor, não implica imobilidade, acomodação, e sim, conforme os significados vistos acima, movimento, atitude, ação.

Vejamos: aguardar, entre outros sentidos, é vigiar. Isso é uma ação.

Senior Chief Photographer's Mate Mitchell -
Fonte: U.S. Department of Defense's Defense Visual Information Center

À espera de algo acontecer em minha vida, eu necessariamente não estou assentada num banco de praça ou parada em frente à janela "vendo a banda passar". Estou em alerta. Vigio. Ouço, penso, considero e reconsidero posições, opiniões e comportamentos. Se algo diferente ocorre, fujo, grito, mudo de direção, porque estou em alerta, já que eu espero, ou seja, aguardo, ou seja, vigio.

Esperar também significa contar com. Entre outros sentidos, contar quer dizer ter confiança.

Eis algo dificílimo, que aprendemos muitas vezes graças ao apoio e aos conselhos de pessoas importantes na nossa trajetória, como nossa mãe: "Tenha confiança, meu filho. Vai dar tudo certo". Assim, ao longo dos anos, de confiança em confiança, aprendemos a caminhar, a andar da bicicleta, a dar um mergulho na piscina ou no mar, a falar em público diante dos colegas e a pedir aquela menina linda em namoro (certo?).

Sem a atitude de ter confiança, até mesmo o ato de nos pormos de pé, todos os dias pela manhã, se torna um desafio que nos impõe medo e... Inação. (É só perguntarmos às pessoas que sofrem de depressão como elas se sentem tão sem confiança nelas mesmas, nos outros, na vida.)

Isso nos leva a outro significado de esperar, qual seja, ter esperança.

Lembro, ainda no colégio, um poema que aprendi atribuído ao poeta gaúcho Mário Quintana (1906-1994), o qual me impressiona bastante. Até hoje.

15 de dezembro de 2011

E as águas estão rolando em BH (e como)

Chove sem parar há cerca de 4 dias na cidade que amo, aqui no Brasil.
Neste Post d'A Católica, uma síntese do que ocorre e
um reflexo do meu estado de espírito

(Fotografia de Ana Paula~A Católica - acatolica.blogspot.com)

Nasci e vivo numa cidade que há poucos dias completou 114 anos de criação. Eu amo Belo Horizonte - ou Belô, ou BH, como carinhosamente a chamamos. Amo.

Tenho orgulho de aqui ser o berço do Clube da Esquina (cuja estrela mais reluzente é o cantor e compositor Milton Nascimento); da banda pop Skank; do grupo de dança contemporânea Corpo e do grupo de teatro Galpão. Estamos cercados pela Serra do Curral, comemos pão de queijo, bolo de fubá, feijão tropeiro e couve picadinha e jogamos conversa fora no boteco. Adoro tudo isso.

Acontece que, de quatro dias para cá, a cidade que avisto da minha janela lateral e que vejo nos noticiários na televisão está um tanto irreconhecível: não para de chover. Com isso, a paisagem azul, iluminada e verde está branca e cinza; as pistas onde os automóveis, caminhões, ônibus e micro-ônibus transitam estão alagadas; os canteiros e passeios, amarronzados ou cor de caramelo - é a lama, é a lama, é a lama.

Aqui no Brasil, tem um hino do folclore popular que o povo nordestino costuma entoar, pedindo chuva a São José:

Glorioso São José
Glorioso São José
Dai-nos chuva em abundância
Glorioso São José.

Hoje, posso afirmar: nada em abundância é legal. E isso inclui a chuva.

A água que cai do céu nesses últimos dias aqui em BH é tanta, é tamanha, que confesso a você: estou profundamente irritada. As enchentes que se formaram, alagando vias como as avenidas Antônio Carlos e Cristiano Machado; asfaltos que afundaram e se romperam, ameaçando prédios, como no Bairro Gutierrez; encostas que deslizaram e interditaram túneis, como na BR 356, em frente ao Ponteio Lar Shopping...

... Assistir pela TV ao desespero dos belo-horizontinos é angustiante.

14 de dezembro de 2011

Canção de Marisa Monte para JESUS

Novo CD da artista brasileira tem composição
apropriada para entoar neste Natal,
quando recordamos a vinda de Cristo à Terra


(Photographer: Frank C. Müller)

Remetente: Ana Paula~A Católica (acatolica.blogspot.com)
Destinatário: Menino Jesus

Nota: A exemplo do que fiz no Post As canções que só eu canto para JESUS, apropriei-me do mais recente sucesso da incrível cantora e compositora brasileira para dedicá-lo a Nosso Senhor, neste Natal de 2011. Ainda Bem é de autoria de Marisa Monte e Arnaldo Antunes.


Ainda bem
Que agora encontrei Você
Eu realmente não sei
O que eu fiz pra merecer
Você

Nativity (15th century) - detail: Nude Baby Jesus - Wolfgang Sauber

10 de dezembro de 2011

Quando agimos como... Criancinhas!


Neste Post d'A Católica, confira 10 atitudes nossas
que ecoam a pior faceta da criança que todos fomos!

Imagem: Cartoon Boy and Girl (1913),
Pub by Lowman & Hanford Co Seattle Wash

Mudando de canal nesta semana, me deparei com a seguinte legenda sob a tela da TV: Sociedade Infantilizada. Era o tema do programa Trocando Ideias, da TV Canção Nova, exibido ao vivo nesse 6 de dezembro. Infelizmente não pude acompanhá-lo: estava cansada e fui dormir mais cedo. Mas o sono não me impediu de matutar o assunto em pauta e já na cama levantei os pontos em que muitos de nós somos... Infantis.

"Deixai vir a mim os pequequinos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. Em verdade vos digo: todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará." (Mc 10, 14-15; Lc 18, 16-17; Mt 19, 14)

Quando Jesus explica isso a seus discípulos, à primeira lida poderíamos pensar que ser infantil é uma qualidade e tanta! Porém, notas como as que constam nas traduções da Bíblia pela editora Ave-Maria e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nos esclarecem as palavras do Mestre:

Receber o Reino significa receber Cristo, o Evangelho, a graça. Urge recebê-lo com a simplicidade de uma criança para que se possa entrar nele.

Esta é a característica que a Igreja ressalta nas criancinhas (ou pequeninos) e que todos devemos rememorar e copiar: a simplicidade.

É bom recorrer ao dicionário, a fim de ir a fundo e compreender o significado das palavras. De acordo com o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, entre outras coisas, Ser Simples é ser:
1) Sem ornatos nem enfeites, ou seja, Modesto; Sem luxo,
2) De fácil interpretação,
3) Puro; claro,
4) Singelo; inocente e
5) Crédulo.

Todos essas virtudes, que felizmente ainda identificamos em muitas crianças, compõem a simplicidade que Jesus espera encontrar em nós. Nossa grande luta deve ser voltar a incorporá-la ao nosso caráter, ao nosso modo de ser, de sentir e de nos portar no mundo, para que alcancemos o Reino dos céus.

Acontece que o termo infantil implica aquilo que é "próprio de criança". E "próprio de criança" não é somente a simplicidade, e sim uma série de outros atributos, digamos, um tanto negativos... Engraçado: em vez de mantermos em nós a simplicidade da criança, preferimos levar pela vida afora todos esses outros atributos! É uma baita ironia: conservamos na vida adulta "o pior" de uma criança, e não o melhor.

Este Post d'A Católica, portanto, pretende elencar dez características infantis que tornam muitos de nós e consequentemente a sociedade na qual vivemos Infantilizados. Assim,

Como as Crianças....


8 de dezembro de 2011

Tornando o NATAL mais prazeroso

Tenho uma teoria sobre adultos que não gostam do Natal.
Ela revela por que devemos dar importância a essa Data Especial

(Fotografia de Ana Paula~A Católica - acatolica.blogspot.com)

Nunca vou me esquecer de quando li numa das edições da revista brasileira Cláudia uma frase e tanta atribuída ao poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) : é preciso erotizar o cotidiano. O verbo - que poderia causar polêmica num Blog católico - significa apenas, conforme apreendi da leitura da reportagem, tornar o cotidiano mais interessante, excitante, empolgante.

Li essa frase em torno dos meus 17 anos de idade. E acolhendo os conselhos da matéria jornalística, nunca mais consegui tomar café que não fosse em uma xícara (com asa), cuidadosamente colocada sobre um pires. Vinho, somente em taça apropriada. Talheres dispostos na mesa sobre um guardanapo. Os pães têm a sua faca; a manteiga idem. Nada de misturar, usando uma no lugar da outra.

Tudo isso, que soaria como futilidade e frescura, na verdade, guarda e reflete um desvelo indispensável com a vida, com nós mesmos, com a nossa rotina. Um café em uma xícara de porcelana, em vez de servi-lo em um copo de vidro, dá a ele mais sabor. Sério. É mais gostoso tomá-lo assim. E de cuidado em cuidado, a nossa rotina, da qual a hora das refeições faz parte, torna-se mais organizada e prazerosa.

Pensei nisso, porque estamos na época do Natal.

Com a correria, alguns de nós acabamos protelando o momento de parar com tudo para nos concentrarmos em adornar a casa - nem que seja somente montando a árvore ou o Presépio num canto da sala de estar. Acabamos deixando para lá, adiando... Assim, a noite de 24 de dezembro chega e o nosso lar segue com a cara de sempre: não nos preparamos para o Espírito Natalino nem mesmo com a decoração.

Usar a faca certa na manteiga, tomar vinho na taça, distribuir enfeites de Natal pela sala de estar...

... Atitudes que podem parecer "perda de tempo", num mundo - este no qual vivemos - onde cada minuto é precioso para produzirmos mais, ganharmos mais dinheiro ou simplesmente assistirmos mais à TV. "Pra quê taça? Tomo meu gole de Almadén no copo de requeijão mesmo!"; "Pra quê pegar a escada, alcançar o alto do armário e descer com aquela árvore velha e aquelas caixas com bolas vermelhas descoradas?"

Acontece que focamos o processo - pegar a escada, abrir a porta do armário, descer com os enfeites, desembalá-los, juntar as embalagens, subir na escada de novo, guardá-las, fechar o armário, pôr a escada no lugar... Ufa! Que canseira! - e nos esquecemos de mirar, lá adiante, o prazer com o resultado. A casa está ornada para o Natal, refletindo o nosso contentamento, a nossa abertura para um tempo diferente no calendário.

Papai Tuti montando a árvore de Natal em 2011 -
Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.blogspot.com)

Farney montando o nosso Presépio em 2011 -
Fotografia de Ana Paula~A Católica (acatolica.blogspot.com)