24 de novembro de 2023

Cautelosa

Foto de Vishalnagula (CC BY-SA 4.0)

Manter à noite a prudência em dia
garante aos entes prosseguirem firmes:
a paisagem, imóvel, não se arrisca
mesmo que algo nas trevas a fascine.

A índole

Foto de Tuban (CC BY-SA 4.0)

O fim iminente nunca o perturba:
o Sol é radiante até a medula.
Mesmo que no poente haja uma tumba,
estrelas não agem feito moribundas.

Folgadas

Foto de Sven Damerow (CC BY-SA 4.0)

Seu forte não é respeitar espaço:
sua intromissão não tem parcimônia.
Ainda que a flor lhes dê algum azo,
abelhas abusam sem cerimônia...

23 de novembro de 2023

Vaso de flor

Foto de Circe Denyer

Enche de grande pesar a rosa
perder o jardim e o anonimato:
quando vem a derradeira hora
à vista de todos se dá seu ocaso.

Insetos

Foto de Bob Peterson
from North Palm Beach, Florida
(CC BY-SA 2.0)

Tem sempre um na barra da saia
e arrisco até a dar meu palpite:
não é que toda flor nunca saiba,
elas só não querem dar limite.

Profissional

Foto de Moyan Brenn from Italy (CC BY 2.0)

A seu papel, a Lua se entrega
mantendo-se bem acesa -
mesmo doida por uma soneca
ainda assim não boceja.

Flores

Foto de Shitadevi (CC BY-SA 4.0)

Até mesmo a mais singela
tem uma autoestima única:
chega a morte e vão eretas -
não se abatem nem na tumba.

22 de novembro de 2023

Amizade

Foto de Krzysztof Ziarnek, Kenraiz (CC BY-SA 4.0)

Quem vê de longe imagina
que visita indesejada acontece,
mas a abelha é bem-vinda
porque deixa a rosa muito mais leve!

Sobre a Lua

Foto de Linnaea Mallette

O seu caminho é escuro mesmo.
Mas, há limite para queixas:
não dá pra dizer que anda no ermo,
cercada de tantas estrelas!...

Relento

Foto de Abdulmominbd (CC BY-SA 4.0)

A noite não aguenta o fardo
por isso o compartilha consigo,
enchendo a flor toda de orvalho
sem ligar se ela pode com isso!

Murchosa

Foto de Didier Descouens (CC BY-SA 4.0)

Após toda uma existência 
por insetos, espezinhada
a flor perde a paciência -
por isso ela joga a toalha.

21 de novembro de 2023

Sobrecarregado

Foto de Susanne Nilsson (CC BY-SA 2.0)

Seu senso de dever nunca acaba:
do Sol depende aquilo que existe.
Cumpre então o que é da sua alçada
ainda que a cabeça fervilhe!