4 de dezembro de 2023

A solução

Foto de Susanne Nilsson (CC BY-SA 2.0)

Sem a opção de ir embora
e cansado de andar no escuro,
o céu toma o Sol feito tocha
e de dia ilumina tudo.

Vigorosa

Foto de Thomas Bresson from Belfort, France (CC BY 2.0)

A pétala delicada
é forte como revela:
abelhas da pá virada
as borboletas sapecas
de um orvalho, toda a água...
Tudo isso ela carrega,
como se levasse nada!

Complexa

Foto de Vicente Villamón (CC BY-SA 2.0)

Branda e incisiva da mesma forma -
essa é sua assinatura.
O que o dente-de-leão comprova:
a brisa não dissimula.

A Borboleta

Foto de Andreas Eichler (CC BY-SA 3.0)

Bateu em retirada
quem mal as provou na verdade.
Às flores, sempre pasma
excesso de frugalidade.

Da voracidade

Foto de Charles J. Sharp (CC BY-SA 4.0)

Em vão o esforço tamanho
daquele inseto que sonda:
da flor, os vários encantos
acham-se todos à tona.

1 de dezembro de 2023

Serenidade

Foto de C T Johansson (CC BY 3.0)

Uma flor a que assisto
tem formidável postura:
insetos desde o início
sobre ela se avolumam
pelejando por um cisco
ou sua bebida pura
e no meio do bulício
a flor, calma, não espuma.

Sem escolha

Foto de Benjamin Fauvel (CC BY-SA 4.0)

Numa hora sua força finda
e ele se curva à natureza:
o Sol, ao fluxo da tardinha,
adere e vai na correnteza.

Sobre a aurora

Foto de Davide Taviani (CC BY 3.0)

Clara por natureza,
mostra que se intromete mesmo:
pra ninguém é surpresa
meter no escuro o seu bedelho.

Agregadora

Foto de Diego Delso (CC BY-SA 3.0)

Exposta a todo tipo de toque
a flor não se dá assim a esmo...
Pra ela, mais contato é mais sorte -
por isso inseto algum é pentelho.

Bufê

Foto de Vengolis (CC BY-SA 3.0)

Borboletas se demoram nela -
não há como a flor fugir disso.
Porque querem refeição completa:
não se contentam com petisco.

Pôr do sol

Foto de halfrain (CC BY-SA 2.0)

Pra Estrela não é problema
ser curiosa de tudo.
Se no poente há uma fenda,
ela decide ir fundo!

As invasoras

Foto de Ivar Leidus (CC BY-SA 4.0)

Não por acaso se faz colorida:
é pra marcar bem a sua fronteira
e evitar todas as investidas
de seres armados, feito as abelhas,
que zombam de todo limite ou linha
tornando vã, da flor, a trabalheira
porque elas são bastante decididas
em pilhar tudo de toda maneira.